O PSDB de Marconi rema na contramão do PP, União Brasil e Repubicanos que estão vazando da candidatura de Flávio
Marcus Vinícius de Faria Felipe
Em entrevista ao jornalista Rubens Salomão, na edição desta segunda-feira (13/07), no jornal O Popular, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) definiu como estratégia de campanha o alinhamento à pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na sua justificativa, Marconi alegou coerência do PSDB, que desde a eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) protagonizou disputas com o PT do presidente Lula e da ex-presidente Dilma Roussef. Mas vale lembrar que um dos fundadores do PSDB, o ex-governador Mário Covas, apoiou Lula no segundo turno em 1989, na primeira eleição direto país após 21 anos de ditadura militar (1964-1985), e que em 2022, o médico Geraldo Alckmin, quatro vezes governador de São Paulo pelo PSDB, trocou o partido pelo PSB e aceitou ser candidato a vice de Lula justamente para combater o governo autoritário de Jair Bolsonaro (PL-RJ), que pregava justamente um golpe militar.
Talvez o que este movendo Marconi para o apoio a Flávio sejam as pesquisas que ainda colocam o filho 01 na liderança em Goiás. Esta posição de Flávio, no entanto, está sob risco.
A cada diz surgem notícias de indícios de corrupção na pré-campanha de Flavio Bolsonaro e aliados. O financiamento de R$ 132 milhões para o filme Dark Horse ainda não foi explicado. As conversas vazadas de Flávio pedindo R$ 61 milhões para o banqueiro preso Daniel Vorcaro, e a falta de transparência com estes valores levam à suspeição de que a operação se trata, na verdade de uma lavagem de dinheiro, uma vez que a grana foi transferida para os Estados Unidos e está sob uso fruto do irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) que vive uma vida nababesca em sua mansão no Texas (EUA). E para piorar a imagem de Flávio e do PL, o presidente da sigla, Valdemar da Costa Neto está sob investigação da Polícia Federal por suposto desvio de R$ 119 milhões em emendas parlamentares, do famigerado Orçamento Secreto.
Diante de todas estas evidências de mal feitos estar no mesmo palanque de Flavio Bolsonaro pode trazer mais desgastes do que dividendos para Marconi. Sua decisão pode inclusive fortalecer a posição de Ronaldo Caiado como pré-candidato do PSD à presidência da República e aumentar sua votação em Goiás, e de quebra, levar mais votos à pré-campanha do governador Daniel Vilela (MDB).
Ao que parece o PSDB está remando contra a maré, pois sinaliza apoio ao “filho 01” justamente quando partidos do Centrão como União Brasil, PP e Republicanos estão deixando Flávio Bolsonaro, por temer contaminação com os sucessivos escândalos envolvendo o pré-candidato.
A verdade é que as investigações mostram o PL mais enrolado do que fumo de Bela Vista. A sucessão de prisões de aliados de Flávio no Rio de Janeiro, as seguidas provas de envolvimento de membros do PL carioca com milícias e tráfico organizado são fermento para o discurso de segurança de Caiado, principal adversário de Marconi no Estado.
É nestas horas que vale o ditado de que passarinho que voa com morcego costuma acordar de cabeça para baixo.
Uma foto clássica está de volta. https://t.co/HbULnEepNK
— xico sá (@xicosa) July 12, 2026