Após fazer críticas às herdeiras de Silvio Santos, fundador do SBT, o cantor sertanejo Zezé Di Camargo, viu sua carreira entrar numa turbulência. Ele está perdendo contratos com prefeituras do interior e teve o seu especial de Natal, “É o amor”, descartado pelo SBT.
Tudo começou quando Zezé criticou a presença do presidente Lula e do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes no lançamento do canal SBT News. No melhor estilo misógino do “bolsonarismo raiz” o sertanejo publicou vídeo atacando as diretores do canal de tv:
“Uma coisa que eu sempre disse na minha vida: filho que não honra pai e mãe, para mim não existe”, afirmou o artista, em declaração que gerou ampla reação nas redes sociais e no meio artístico.
Crítico do governo Lula, apesar de ter sido apoiador do presidente no seu primeiro governo, Zeze di Camargo também sempre atacou as leis de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet, no entanto, ele recebeu, entre 2015 e 2025, um total de R$ 32 milhões em dinheiro público de prefeituras, muitas vezes em eventos pagos com recursos de emendas parlamentares ao Orçamento Federal.
Os dados foram levantados pelo deputado federal Dimas Gadelha (PT-RJ), com base em portais de transparência e registros oficiais.
De acordo com a pesquisa, Zezé Di Camargo, que faz dupla com seu irmão, Luciano, está entre os artistas que mais receberam verbas públicas na última década. Eles ocupam o sexto lugar em uma lista de dez artistas ou duplas sertanejas. Esses valores incluem contratos via Lei Rouanet, Lei Aldir Blanc, emendas parlamentares e pagamentos diretos de prefeituras sem licitação.
Os números mostram o grau de hipocrisia do cantor, que costuma criticar publicamente a corrupção e gastos públicos associados à esquerda, mas beneficia-se desses recursos pagos pelo contribuinte brasileiro.
Superfaturamento
Em 2022, a “CPI do Sertanejo” revelou que Zezé Di Camargo recebeu R$ 375 mil da prefeitura de Rio Bonito para show da dupla em evento local. O município tem cerca de 60 mil habitantes. Em setembro do mesmo ano, a Justiça proibiu shows dele e de Naiara Azevedo em uma Festa do Peão, orçada em R$ 1,8 milhão pelo Ministério Público, por suspeita de superfaturamento.
Mas Zezé di Camargo não é o único cantor bolsonarista contemplado com recursos de leis de incentivo à cultura. Levantamento feito pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).
De acordo com os números divulgados, os valores atribuídos aos artistas ultrapassam a casa das dezenas de milhões de reais, considerando projetos aprovados ao longo dos anos no âmbito da Lei Rouanet.
O cantor Gusttavo Lima aparece no topo do ranking, com R$ 52 milhões, seguido pela dupla Bruno e Marrone, com R$ 45 milhões, e por Leonardo, com R$ 42 milhões e Zezé di Camargo é o sexto colocado com R$ 32 milhões.
Sertanejos já criticaram publicamente a Lei Rouanet
Um ponto que gera debate é o fato de que alguns dos artistas listados já se manifestaram publicamente contra a própria Lei Rouanet em diferentes momentos. O caso mais citado é o de Gusttavo Lima, que, apesar de figurar como o maior beneficiário em valores autorizados, já fez críticas públicas ao mecanismo de incentivo cultural, conforme registros de declarações anteriores.

Lista completa dos artistas que mais utilizaram a Lei Rouanet
Gusttavo Lima – R$ 52 milhões
Bruno e Marrone – R$ 45 milhões
Leonardo – R$ 42 milhões
Xitãozinho e Xororó – R$ 38 milhões
Cesar Menotti e Fabiano – R$ 35 milhões
Zezé Di Camargo e Luciano – R$ 32 milhões
Eduardo Costa – R$ 28 milhões
Amado Batista – R$ 23 milhões
Henrique e Juliano – R$ 20 milhões
Fernando e Sorocaba – R$ 19 milhões