Secretário preso em Goiânia foi alvo de processo que apurou desvios em recursos do governo de SP em fraudes promovidas por OS
O secretário da Saúde da Prefeitura de Goiânia, Wilson Pollara, preso hoje em ação deflagrada pelo Ministério Público de Goiás, juntamente com Quesede Ayres Henrique, que atua como secretário-executivo da pasta, e Bruno Vianna, diretor financeiro da Secretaria Municipal de Saúde, também já foi investigado pelo do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
De acordo com o MP-GO, a prisão temporária se deu a partir de uma investigação que apura crimes de pagamento irregular em contratos administrativos e associação criminosa.
Em nota à imprensa, a prefeitura de Goiânia informou que colabora com as investigações e “reitera seu compromisso com a transparência e com a lisura na administração pública, colocando-se à disposição para fornecer todas as informações e documentos necessários ao esclarecimento dos fatos”.
Esquema em SP
A participação num esquema fraudulento que teria desviado R$ 7,5 milhões apenas no Hospital Regional de Itapetininga levou ao indiciamento de 61 pessoas pela Operação Atenas, deflagrada no dia 07/02/2014 pelo Ministério Público de São Paulo. A operação investigou irregularidades praticadas pelo Sistema de Assistência Social e Saúde (SAS) e pelo o Instituto SAS – ambas empresas com status de Organização Social (OS) – na gestão do principal hospital da cidade, localizada a 170 quilômetros da capital paulista. A quadrilha tinha como objetivo a apropriação de recursos públicos destinados à área da saúde a partir da ação de lobistas nas prefeituras e na secretaria de Saúde de SP. O dinheiro era usado para o financiamento de campanhas de agentes políticos e ao pagamento de propina a funcionários públicos para direcionar contratos fraudulentos ao SAS.
Um das empresas investigadas foi a BP Consultoria e Gestão Empresarial Ltda, que tinha no quadro societário o médico Mauro Hamilton Bignardi e Wilson Modesto Pollara, que ocupava naquela época o cargo de secretário-adjunto da Secretaria de Saúde de São Paulo. De acordo com as investigações, a dupla Pollara-Bignardi – ou Bignardi-Pollara, iniciais que batizam a empresa BP Consultoria, causaram prejuízos em vários municípios paulistas, entre eles São Miguel Arcanjo, São Paulo, Araçariguama, Vargem Grande Paulista e Americana.