Pesquisa presencial ouviu 2.014 eleitores entre 13 e 15 de outubro; nos votos totais, o senador tem 46,8% e o presidente, 45,9%; margem de erro é de 2,2 pontos

É compreensível olhar as pesquisas com desconfiança depois do primeiro turno. Mas os institutos entram na segunda etapa com uma referência concreta que antes não tinham, o resultado das urnas, que lhes permite ajustar seus levantamentos.

A CNT/MDA divulgada nesta sexta-feira, 16 de outubro, pondera seus resultados pelo perfil socioeconômico dos entrevistados e pelo voto declarado no primeiro turno. Esse procedimento oferece, em tese, uma base mais sólida para produzir uma pesquisa mais precisa.

Por isso, a comparação politicamente mais interessante é com o resultado efetivo da votação de 4 de outubro. A pesquisa anterior continua sendo um registro do que o instituto mediu, mas não deve ser tomada como uma fotografia perfeita do eleitorado que compareceu às urnas.

O novo levantamento mostra Flávio Bolsonaro com 46,8% das intenções de voto e Lula com 45,9%. A distância é de apenas 0,9 ponto percentual, em uma pesquisa com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou para menos.

Os dois candidatos estão, portanto, em empate técnico. Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, Flávio aparece com 50,5% e Lula com 49,5%.

Para comparar a pesquisa com o primeiro turno, é preciso colocar os números na mesma base. Os 47,03% de Flávio e os 45,16% de Lula divulgados na apuração correspondem aos votos válidos, não ao total que inclui brancos e nulos.

Considerando os 125,28 milhões de votos depositados nas urnas, Flávio obteve 44,78% e Lula, 43,01%. O candidato do PL recebeu 56,10 milhões de votos, contra 53,88 milhões do presidente.

Multidão acompanhou Lula em Juiz de Fora (MG)

Nessa base, a distância entre os dois foi de 1,78 ponto no primeiro turno. Na CNT/MDA de agora, ela aparece em 0,9 ponto, com Lula 2,89 pontos acima de sua participação no total de votos da primeira etapa e Flávio 2,02 pontos acima.

Uma simulação com o mesmo comparecimento do primeiro turno, de 125,28 milhões de pessoas, ajuda a traduzir esses percentuais em números absolutos. Nessa hipótese, os 45,9% de Lula equivaleriam a 57,50 milhões de votos, e os 46,8% de Flávio, a 58,63 milhões. Em relação aos votos recebidos na primeira etapa, seriam 3,62 milhões a mais para Lula e 2,52 milhões para Flávio.

A diferença nessa simulação seria de aproximadamente 1,13 milhão de votos. Se Flávio mantivesse seu total, Lula precisaria de um acréscimo superior a essa diferença para ultrapassá-lo. Trata-se de uma equivalência aritmética dos percentuais, não de uma contagem de eleitores conquistados nem de uma previsão do resultado.

Essa comparação exige um cuidado. A pesquisa ainda inclui indecisos e pessoas que poderão se abster, enquanto a urna registra quem efetivamente votou, de modo que as diferenças não representam uma transferência de votos já comprovada.

Ainda assim, o resultado deixa clara a dimensão da disputa. Flávio conserva a vantagem concreta de ter terminado o primeiro turno à frente, mas a pesquisa não mostra uma eleição resolvida.

A série PoderData/AYA também mostra o estreitamento da disputa. Em 8 de outubro, Flávio tinha 53% dos votos válidos e Lula, 47%. Na rodada divulgada em 13 de outubro, os percentuais passaram a 51% e 49%. Já a pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 16 de outubro, mostra empate de 50% a 50% nos votos válidos. O levantamento ouviu 3.000 pessoas entre 13 e 15 de outubro, com margem de erro de 1,8 ponto percentual.

Na CNT/MDA divulgada no mesmo dia, Flávio tem 50,5% e Lula, 49,5% dos votos válidos. As duas pesquisas apontam uma disputa apertada, mas os resultados de institutos diferentes não devem ser reunidos como se fossem uma única série.

Há, portanto, espaço para a virada. A mobilização de apoiadores nas ruas, expressa em atos como o da Avenida Paulista, em 11 de outubro, alimenta a leitura de uma campanha que recuperou energia para disputar a reta final.

Pesquisa CNT/MDA divulgada em 16 de outubro de 2026. Flávio Bolsonaro tem 46,8% e Lula, 45,9% das intenções estimuladas de voto. Brancos e nulos somam 4,9%, e indecisos, 2,4%. Margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Fonte CNT/MDA. Pesquisa realizada de 13 a 15 de outubro de 2026, com 2.014 entrevistados.

A aprovação e os votos que ainda estão em disputa

Outro dado importante está na aprovação do desempenho pessoal de Lula, que chega a 47,7%. A desaprovação é de 49,3%, enquanto 3% não souberam responder.

Na mesma base hipotética, os 47,7% de aprovação equivaleriam a 59,76 milhões de pessoas. É uma comparação ilustrativa, não uma contagem dos que aprovam o presidente entre os que compareceram às urnas. Esse patamar supera a intenção de voto de ambos os candidatos, mas aprovação não significa voto garantido. A conversão desse apoio em votos é uma possibilidade, não uma conclusão da pesquisa.

A aprovação não se transforma automaticamente em voto. Mas a distância de 1,8 ponto entre os 47,7% que aprovam Lula e os 45,9% que declaram voto nele mostra por que esse indicador merece atenção, sem permitir afirmar que todos esses entrevistados estejam disponíveis para apoiá-lo.

O levantamento também informa que 43,3% votariam com certeza em Lula e outros 6,6% poderiam votar nele. A soma chega a 49,9%, um potencial declarado que mantém aberta a possibilidade de crescimento, embora Flávio registre 51,2% nessa mesma medida.

Nos recortes regionais, Lula tem sua maior vantagem no Nordeste, com 67% das intenções de voto, contra 29% de Flávio. No Sudeste, o candidato do PL aparece com 49%, diante de 42% do presidente.

No Sul, Flávio tem 56% e Lula, 34%. No conjunto formado pelo Norte e pelo Centro-Oeste, os percentuais são de 65% e 29%, respectivamente.

Lula também aparece à frente entre as mulheres, com 50% contra 42%, e entre os jovens de 16 a 24 anos, com 55% contra 38%. As margens de erro desses recortes são maiores que a margem nacional e estão detalhadas no relatório.

O quadro reúne força social, dificuldades e uma disputa apertada. Entre os entrevistados, 7,1% afirmam que ainda podem mudar sua decisão de voto, enquanto 92,9% dizem que ela é definitiva.

Faltam nove dias para a eleição de 25 de outubro. Para os apoiadores de Lula, a possibilidade de virada é uma razão para manter a mobilização, dia a dia, voto a voto.

Se essa energia se ampliar e chegar às urnas, Lula poderá protagonizar uma das viradas mais marcantes da história eleitoral brasileira. A capacidade de reunir seus apoiadores já tem valor político, mas sua tradução em vitória dependerá do trabalho até o último dia.

A CNT/MDA ouviu 2.014 pessoas em 140 municípios entre 13 e 15 de outubro. O levantamento informa confiança de 95%, margem de erro de 2,2 pontos percentuais e registro BR-00652/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.