Em artigo publicado na Veja o jornalista José Casado diz que o perfil anti-Lula do governador de Goiás tende a tirar mais votos do “filho 01” e beneficiar a eleição de Lula
José Casado começa sua analise destacando o resultado da pesquisa Genial/Quast que mostra que Caiado tem tem preferência da maioria (67%) dos eleitores da direita “não bolsonarista” e, também, dos “bolsonaristas” (63%) como opção anti-Lula, e sintetiza:
“A provável candidatura presidencial do governador de Goiás Ronaldo Caiado, pelo PSD, prevista para ser anunciada nesta semana, deve obstruir a campanha e dificultar a vida de candidato do senador Bolsonaro, do Partido Liberal. Caiado e Flávio Bolsonaro devem disputar liderança na preferência de eleitores que reivindicam ação efetiva do governo federal em segurança pública — tema indicado pela maioria, em diferentes pesquisas como essencial na campanha presidencial. O governador, em tese, leva a vantagem da experiência: sua aprovação em Goiás (acima de 70%, na média) deriva de uma percepção de êxito na política estadual de segurança pública”, opina o articulista.
José Casado observa que o governador Ronaldo Caiado, que neste ano completa 77 anos, lidera uma típica oligarquia do agronegócio do Centro-Oeste, cujas raízes remontam ao Império. “Ele conseguiu ampliar o poder e a influência familiar na eleição municipal de 2024, quando ajudou a eleger a maioria dos prefeitos de Goiás e venceu um embate direto com Jair Bolsonaro, responsável pela escolha dos candidatos da oposição nas principais cidades. É evidente a sintonia de Caiado com o eleitorado que se declara “de direita” — informam pesquisas como a da Quaest/Genial, divulgada no início do mês”, analisa.

José Casado salienta que numa das simulações sobre intenção de voto, Caiado é reconhecido como potencial candidato para enfrentar Lula com a preferência da maioria (67%) dos eleitores autodeclarados da direita “não bolsonarista” (63%). Nesses segmentos do eleitorado, segundo a pesquisa, o governador de Goiás ficou à frente do governador do Paraná, Ratinho Junior, que desistiu da disputa presidencial nesta segunda-feira (23/3).
Na primeira eleição com voto direto para presidente depois da ditadura militar, em 1989, Caiado se apresentou como representante da extrema direita “ruralista”. Contados os votos, obteve 0,68% do total. Ficou em décimo lugar entre 22 candidatos. Seu alvo preferencial na campanha foi Lula, que perdeu a eleição para Fernando Collor.
“Se confirmado como candidato pelo PSD, é provável que Caiado seja um estorvo para Flavio Bolsonaro nessa fase da disputa presidencial”, conclui.