Segundo o diretor e fundador da organização Church Answers, Thom S. Rainer, das 375 mil igrejas protestantes dos Estados Unidos, 4% delas não terão mais recursos para pagar um pastor em tempo integral em 2025.

Das 375 mil igrejas protestantes dos Estados Unidos, 4% delas não terão mais recursos para pagar um pastor em tempo integral em 2025. A estimativa é do diretor e fundador da organização Church Answers, Thom S. Rainer.

“O dia das igrejas com um pastor em tempo integral servindo em igrejas de modelo tradicional está acabando em breve”, escreveu em artigo para o portal The Christian Post.

Rainer prevê, inclusive, um novo modelo de igreja, que ele denominou de “covocacional”: duas congregações ministradas por um pastor, que mantém um emprego de tempo integral no mundo dos negócios.

“Na verdade, ele está mais próximo de uma manifestação moderna do pastor itinerante que cavalgava para servir diferentes igrejas. As igrejas devem se preparar para essa transição para o modelo de pastor de meio período. Já é o modelo na maioria das igrejas. Em breve, se tornará o modelo dominante”, escreveu.

O movimento reflete mudanças profundas no comportamento dos fiéis e pode se intensificar ao longo da próxima década.

Esse fenômeno acontece em paralelo ao aumento de americanos que se declaram sem religião. Atualmente, 29% da população se identifica dessa forma, contra 16% em 2007. No mesmo período, a porcentagem de cristãos caiu de 78% para 62%, mostrando um declínio acelerado da tradição cristã no país.

Se as contas de Rainer se concretizarem, isso representa que 15 mil igrejas passarão para o regime “covocacional”. Mas ele previu mais: que outras 15 mil igrejas vão fechar suas portas nos Estados Unidos neste ano.

Tradicionais vs New Churchs
A maioria dos fechamentos atinge denominações protestantes tradicionais (metodistas, presbiterianas, etc.), enquanto as megaigrejas (chamadas, nos EUA, de ‘megachurchs’) não denominacionais, impulsionadas por líderes carismáticos e redes sociais, ganham força e influência.

Impacto social
As igrejas rurais são cruciais para fornecer ajuda alimentar e apoio social, e o seu desaparecimento pode deixar grandes lacunas nas comunidades. A mesma pesquisa estima que 100.000 igrejas no país podem fechar nos próximos anos.

Pastores trumpistas afastam fiéis

Um fator de polarização que não pode ser ignorado é o envolvimento explícito de muitas igrejas cristãs na política partidária radical. Para uma parcela considerável de fiéis, a politização do púlpito, especialmente o alinhamento com movimentos como o “Trumpismo”, foi o estopim para a saída definitiva. O que deveria ser um refúgio espiritual transformou-se em um campo de batalha ideológico, onde a lealdade ao líder político parecia, por vezes, superar os princípios de amor e inclusão pregados pela fé.

Geração Z

O motivo mais significativo para o fechamento é o êxodo das gerações mais jovens das congregações. Milhões de americanos, especialmente Millennials e Geração Z, não estão simplesmente mudando de igreja, mas sim abandonando o Cristianismo organizado por completo, identificando-se como “não-afiliados” ou “nones”. A filiação de adultos a qualquer local de culto caiu para menos da metade em 2020 pela primeira vez na história do país.

Para essa geração, muitas igrejas cristãs, sejam elas protestantes tradicionais ou católicas, parecem presas em dilemas do século passado. Em vez de encontrá-las como espaços de acolhimento incondicional, muitos jovens percebem nelas hipocrisia e teologias tóxicas, especialmente em questões de inclusão e direitos humanos. A rigidez doutrinária e o histórico de escândalos de abuso pelo clero corroeram a confiança na instituição.