Trio atingido por drone de veneno em evento de Lula e Kalil pede R$ 121 mil de indenização

Trio atingido por drone de veneno em evento de Lula e Kalil pede R$ 121 mil de indenização

Três vítimas atingidas pelo drone que despejou um líquido mau-cheiroso ainda não identificado durante evento político com o ex-presidente Lula (PT) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD), em Uberlândia, no último dia 15, vão pedir na Justiça indenização por danos morais de dez salários mínimos, cerca de R$121 mil, pelo ataque.

A informação foi dada pela advogada Joana D’arc de Castro, que representa as vítimas, durante a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta segunda-feira (27). A reunião foi convocada pelos deputados Andreia de Jesus (PT) e Cristiano Silveira (PT).https://d-37740483893901597448.ampproject.net/2206101637000/frame.html

Além da advogada, participaram da reunião Gilmar Machado (PT), ex-prefeito de Uberlândia, a vereadora da cidade Dandara Tonantzin (PT) e Conceição Leal, militante do Movimento Negro do munícipio, que foi vítima do ataque. Os delegados de Uberlândia que acompanham o caso, Luciano Santos e Ana Cláudia Passos foram convocados para participar da reunião, mas não compareceram. 

De acordo com advogada, foi pedido que o caso corra em segredo de Justiça, por medo das vítimas.

“Estamos com uma ação na 6ª Vara Cível da Comarca de Uberlândia. Pedi para que a ação tramite em segredo de Justiça porque uma das vítimas está com medo porque falou que eles são criminosos que, de fato, são”, disse Joana, que acredita que vai incluir mais vítimas no processo.

Em seu depoimento, Conceição, de 73 anos, afirma que machucou o joelho ao desviar do líquido e que teve sua cabeça lavada com álcool em gel e água gelada na tentativa de retirar o produto não identificado que caiu sobre ela. 

“Estava no evento com minha neta, quando aparece no céu um drone e nos joga aqueles dejetos. Minha neta chorou muito, ela só tem 16 anos e eu tentando manter a calma, mas era de um odor horrível. Eu, com 73 anos, lavaram a minha cabeça com álcool em gel e não tinha água na torneira, então jogaram água gelada e isso me deu uma gripe, fiquei a beira de uma pneumonia”, relata.

A advogada criticou que a quantia de dinheiro apreendida com os suspeitos logo após o ataque foi devolvida.

“Muitas situações [no processo] que nos deixam indignados, por exemplo, na apreensão do drone, da caminhonete e de R$5 mil em dinheiro, valor que foi devolvido para os envolvidos. Possivelmente, esse dinheiro era para pagar os dois agenciadores, os dois criminosos que foram contratados para o ato”, afirma.

Ainda de acordo com Joana, o valor da indenização visa reparar as vítimas que se sentiram humilhadas pelo ataque.

“O que mais gera medo nas vítimas é o fato de se tratarem de pessoas com passagens criminais, de alto poder aquisitivo, que tiveram a desfaçatez de no TCO dizer: ‘Fui eu que contratei essas duas pessoas. Estou revoltado’. Como se tivesse o direito de denegrir o povo e humilhar. Não me importa se é agrotóxico, espanta-mosca, o que importa é que eles queriam humilhar”. 

Além da indenização, a advogada das vítimas pediu, por meio da Comissçao, requerimentos aos Ministérios Públicos Federal e Estadual para que as imagens do ataque que tenham relação ao crime sejam retiradas das redes sociais e que resguarde os direitos das vítimas. 

À Prefeitura de Uberlândia foi solicitado que seja feita uma busca ativa das pessoas presentes no evento e que foram atingidas  para acompanhamento da saúde das vítimas. 

“Aprovamos requerimentos solicitando ao Ministério Público Federal sobre o andamento das investigações, para que informem o resultado da perícia do líquido que foi lançado pelo drone, seja veneno ou fertilizante. Também para que o equipamento apreendido não seja liberado porque se trata de equipamento utilizado em ato criminoso e até mesmo para que seja periciado nesta verificação do que foi lançado sobre as pessoas”, completou o deputado Cristiano Silveira.

Fonte: Jornal O Tempo