Enquanto o governo de Israel segue com uma política de extermínio da população palestina que já matou mais de 65 mil pessoas, em sua maioria mulheres e crianças, em Gaza, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participou da Marcha para Jesus enrolado em uma bandeira de Israel, exaltando um Estado acusado de violar leis internacionais de guerra, promover massacres contra civis e ignorar sistematicamente os tratados e convenções humanitárias.

Durante a 33ª edição do evento religioso, realizada na capital paulista nesta quinta-feira (19), Tarcísio celebrou seus 50 anos ao som do louvor “1.000 graus”, em cima de um trio elétrico, cercado por bandeiras de Israel, também empunhadas pelo prefeito Ricardo Nunes. A marcha também contou com a presença de figuras políticas como o ministro do STF André Mendonça, o presidente da Alesp, André do Prado, e o presidente do PSD, Gilberto Kassab.

Enquanto Tarcísio fazia discursos sob o manto da bandeira do Estado genocida, Gaza vivia mais um dia de horror. Segundo a Defesa Civil local, ao menos 92 palestinos foram mortos na quinta-feira, incluindo 21 que esperavam por ajuda humanitária na fila da fome organizada pelo regime sionista.

Segundo o portal Middle East Eye, foram assassinadas 64 palestinos na cidade de Gaza, ao norte da Faixa, nesta quinta-feira (19); mais outras 22, que estavam diante dos exíguos três postos de distribuição, nas proximidades do corredor Netzarim, ocupado pelas tropas de Israel (quando era a distribuição feita pela agência da ONU, UNRWA, havia 400 postos); e pelo menos 6 que tentavam consertar aparelhos elétricos ou poços.

Desde que o ataque a Gaza começou, já morreram 55.706 palestinos e mais de 130 mil ficaram feridos.

Foto: Conrado Corsalatte

RESISTÊNCIA

Uma personagem se destacou durante a Marcha. A dona de casa Marta Batista, 61 anos, foi à Marcha para Jesus com uma bandeira da Palestina.

“Como evangélica, não aceito a política de eliminação de [Benjamin] Netanyahu [primeiro-ministro de Israel]“, disse Marta. Ela afirmou ter sido criticada por algumas pessoas, mas se manteve na marcha durante a passagem dos 7 carros de som.

 

Fonte: Hora do Povo