Festa ocorreu quando a covid matava mais de mil pessoas por dia

Segundo a revista ‘piauí’, senador ganhou um Rolex de empresário da Precisa, que tentava vender a Covaxin ao governo Bolsonaro

Flávio Bolsonaro durante reunião da CPI da Covid em 9 de julho de 2021. Relatório final recomendou indiciamento do senador e de mais 77 pessoas
Flávio Bolsonaro durante reunião da CPI da Covid em 9 de julho de 2021. Relatório final recomendou indiciamento do senador e de mais 77 pessoas | Crédito: Pedro França/Agência Senado

 

De acordo com a reportagem da piauí, o passeio aconteceu em 17 de julho de 2020 e foi bancado por Danilo Trento e Francisco Maximiano, diretor institucional e dono da Precisa Medicamentos, empresa que dizia representar o laboratório Bharat Biotech, fabricante da Covaxin. O grupo voou de São Paulo para Brasília em um jato executivo na noite anterior, com as mulheres e o agente de viagens Raphael Barão, contratado para organizar o churrasco na embarcação.

Flávio Bolsonaro chegou à lancha acompanhado do amigo e então sócio Alexandre Santini. A revista relata que o senador desceu à cabine da embarcação com garotas de programa durante a tarde e que, ao fim do passeio, Trento tirou o próprio relógio Rolex do pulso e o colocou no do senador, que foi embora usando o presente. No dia do passeio, o Brasil registrou 1.110 mortes por covid-19. A pandemia mataria mais de 700 mil pessoas no país.

Para reconstituir o episódio, a piauí afirma ter ouvido uma pessoa que estava na lancha, sob anonimato, além de pilotos, um ex-deputado e assessores parlamentares. A revista também cruzou dados de quebras de sigilo de Barão, Maximiano e Trento enviados às Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) da Pandemia, do INSS e do Crime Organizado, além de registros de voo.

Caso Covaxin

O contrato da Covaxin com o Ministério da Saúde previa o pagamento de R$ 80 por dose, contra cerca de R$ 56,30 oferecidos pela Pfizer e R$ 18 pela AstraZeneca. As negociações foram denunciadas pelo servidor da pasta Luis Ricardo Miranda e pelo irmão dele, o então deputado Luis Miranda. O contrato foi cancelado antes de qualquer pagamento. O relatório final da CPI da Pandemia recomendou o indiciamento de 78 pessoas, entre elas Flávio Bolsonaro, Trento e Maximiano.

Durante a CPI, o senador defendeu publicamente a Precisa e chegou a parabenizar a diretora da empresa, Emanuela Medrades, por ter “batalhado para que fosse economizado dinheiro público”. Três meses depois do passeio de lancha, segundo a piauí, Flávio Bolsonaro abriu caminho para que Maximiano fosse recebido pelo então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, em busca de financiamento para outra empresa. O senador participou da reunião virtual. Na época, o banco informou que nenhum financiamento foi contratado.

Não é a primeira vez que um Rolex aparece associado ao senador Fĺavio Bolsonaro. Em setembro, o site PlatôBR revelou que Santini promoveu encontros de Flávio Bolsonaro com garotas de programa e que o senador recebeu um Rolex Submariner Date, avaliado em R$ 305 mil, comprado pelo advogado Alan Belaciano, que representava interesses privados junto a autoridades em Brasília.

Até o fechamento da reportagem da piauí, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado. Procurado pela revista, Trento interrompeu o contato depois de ser informado sobre o conteúdo da pauta. Os advogados de Maximiano não responderam. O Brasil de Fato mantém o espaço aberto para manifestação dos citados.

BdF