Iniciativa do deputado estadual Antônio Gomide, a audiência reuniu representantes dos governos federal, estadual, prefeitos e ambientalistas

 

O deputado estadual Antônio Gomide (PT) presidiu na quarta-feira, 20, audiência pública para discutir as alterações em curso no plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto e os possíveis impactos da atividade minerária na Chapada dos Veadeiros.  Coordenador Frente Parlamentar em Defesa da Chapada dos Veadeiros,  e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego),   Antônio Gomide, cobrava posição do governo do Estado sobre plano do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) de permitir a mineração de terras raras na APA do Pouso Alto, que é composta pelos municípios de Teresina de Goiás, Colinas do Sul, Alto Paraíso e parte de Nova Roma, no Nordeste Goiano.

Ao abrir os trabalhos, Antônio Gomide afirmou que a audiência teve como objetivo ampliar o diálogo sobre as mudanças no plano de manejo da APA e garantir transparência ao debate. “A oportunidade que nós temos aqui hoje é de poder escutar a nossa Secretaria de Meio Ambiente, escutar os nossos ambientalistas e as nossas autoridades”, declarou.

Durante a audiência, a superintendente de Unidades de Conservação, Biodiversidade e Emergências Ambientais da Semad, Zilma Alves Maia, deixou claro que não a haverá licenciamento ambiental para permitir mineração na área da APA do Pouso Alto.

“Saiu em alguns lugares que a Semad está revisando o plano de manejo da APA com o objetivo de liberar a mineração. Não, gente, isso é muita desinformação”, garantiu.

Segundo Zilma Maia, as oficinas técnicas realizadas pela Semad já apontaram encaminhamento favorável à proibição da mineração de minerais metálicos, como ouro, manganês e terras raras, na área de preservação de Pouso Alto. A superintendente também destacou programas ambientais desenvolvidos pelo Estado na região, incluindo pagamento por serviços ambientais e ações de preservação do Cerrado. Ainda de acordo com a superintendente, as únicas extrações minerais permitidas na região são de cascalho e areia, para manutenção das rodovias vicinais que dos municípios que compõe a APA.

 

Audiência representativa

A notícia de liberação de mineração na Chapada dos Veadeiros chamou a atenção de representantes do setor público e ambientalistas, e por isso participaram da mesa dos debates o subsecretário de Licenciamento, Fiscalização e Controle Ambiental, Robson Disarz, representando a secretária estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Andrea Vulcanis; o gerente regional da Agência Nacional de Mineração (ANM), Ailson Machado; o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Léo Caetano; Luiz Guilherme Pena, do Observatório do Clima; a professora Nicali Bleyer, do Memorial do Cerrado; Sandro Carvalho, gerente regional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), representando o presidente da entidade, Mauro Pires; e a vereadora de Alto Paraíso, Aristéia Avelino do Nascimento (MDB) e o prefeito de Colinas do Sul, Onofre Aparecido (Republicanos), acompanhado de secretários e comitiva.

 

Debate

Como representante da Semad, Robson Disarz explicou que a revisão do plano de manejo já vem sendo discutida há cerca de um ano e ressaltou que o processo não envolve apenas mineração, mas todas as atividades compatíveis com a unidade de conservação. Segundo ele, um dos principais desafios atuais da região é a ocupação irregular do território. “Os dois principais problemas da Chapada, hoje, se chamam loteamento irregular e parcelamento irregular do solo”, decretou.

O gerente regional da ANM, Ailson Machado, apontou que a mineração legal depende obrigatoriamente de licenciamento ambiental.

“A Agência Nacional de Mineração não emite autorização sem o devido licenciamento ambiental”, disse o representante da ANM. Já o superintendente do Ibama, Léo Caetano, defendeu maior participação social nas discussões ambientais relacionadas à Chapada dos Veadeiros e ressaltou o trabalho de prevenção e combate a incêndios florestais realizado pelo Governo Federal na região.

Representante da PUC-GO e do Memorial do Cerrado, a professora Nicali Bleyer obseervou que a Chapada reúne importância ambiental, cultural e social. “A gente não está falando só de vegetação de Cerrado, a gente está falando de saberes”, afirmou. O gerente regional do ICMBio, Sandro Carvalho, ressaltou os desafios da gestão territorial das áreas de proteção ambiental e defendeu transparência e aprofundamento técnico nas discussões sobre o plano de manejo.

A vereadora de Alto Paraíso de Goiás, Aristéia Avelino do Nascimento (MDB), relatou sua experiência como moradora tradicional da região e apoiou o turismo sustentável e a preservação das comunidades locais. “A Chapada vem sofrendo muita pressão”, afirmou.

Luiz Guilherme Pena. em nome do Observatório do Clima, criticou a possibilidade de flexibilização ambiental para atividades minerárias e disse que o debate envolve o futuro ambiental do Cerrado. “Não existe mineração sustentável”, declarou.

O deputado estadual Mauro Rubem (PT) lembrou que a Chapada dos Veadeiros possui relevância estratégica para a preservação ambiental e climática do País: “Nós não podemos apoiar nenhum projeto que vá destruir um pequeno espaço que ainda tem de preservação do Estado”.

No término da audiência, Antônio Gomide destacou o papel da Alego na promoção do debate público e da transparência sobre as políticas ambientais.

“A Assembleia Legislativa cumpre esse papel de promover eventos como esse para dar a transparência necessária das ações que o Governo tenta executar”, afirmou.

Gomide também ressaltou que o debate reuniu diferentes setores da sociedade em torno da preservação ambiental da Chapada dos Veadeiros. “A audiência é para isso, para a gente poder entrar num equilíbrio”, arrematou.

CLIQUE aqui a íntegra da audiência pública 

 

Com informações da Agência Alego