Governadores de Goiás e do Paraná devem abandonar disputa pela presidência e se concentrar nos seus projetos regionais
Marcus Vinícius de Faria Felipe
A pesquisa AtlasIntel divulgada nesta semana trouxe números desmontam ilusões. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), “filho 01” do ex-presidente Bolsonaro, consolidou-se como opção da extrema-direita para a disputa contra o ex-presidente Lula da Silva (PT). Na principal simulação de 1º turno, quando são colocados todos os presidenciáveis, Lula lidera com 48,4% Flávio tem 28% e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é o nome preferido da Faria Lima, registra apenas 11%. Ou seja, para o eleitoral fiel, o nome Bolsonaro na urna eleitoral é mais forte do que o marketing do governador de São Paulo. E nunca, em nenhuma eleição que se tem conhecimento, um candidato com cerca de 30% abre mão de candidatura para outro que tem pouco mais de 10%.
Nesta disputa de números, os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), Ratinho Jr. (PSD), do Paraná, o líder do MBL, Renan Santos e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), totalizam juntos, 10,2%, portanto, é muito pouco provável que os governadores mantem candidaturas que não vão levar a nada. A tendência é todos eles, optarem por cuidar de suas bases regionais.
Com apenas 1,7% na pesquisa presidencial, Ratinho Jr tem uma missão difícil: eleger o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD) como seu sucessor, e a tendência é que seja candidato ao Senado, vaga para o qual é franco favorito.
Conforme o Paraná Pesquisa, o senador Sérgio Moro (União) lidera com 37,8%, seguido pelo ex-senador Alvaro Dias (MDB),com 17,5%, mesmo percentual de Greca, que tem na sua cola o filho do ex-governador Roberto Requião, o deputado Requião Filho (PDT), com 16,5%, e por último, Luiz França, do MBL, com 0,8%. A Paraná Pesquisas (Registro no TSE sob o nº PR-08451/2026) entrevistou 1.300 eleitores em 54 municípios entre os dias 18 e 22 de janeiro de 2026.

Em Goiás a Caiado sofre para costurar uma aliança com o PL. O objetivo é colocar o deputado Gustavo Gayer (PL) na chapa com o vice-governador Daniel Vilela (MDB), e assim, proporcionar um cenário mais favorável à eleição do seu sucessor. Esta aliança, no entanto, deve ter um preço: o apoio de Caiado à candidatura de Flávio Bolsonaro. Caiado, que tem apenas 2,9%, deve deixar a disputa presidencial e assumir candidatura ao Senado, neste caso, a primeira-dama, Gracinha Caiado seria descolada para outra missão: reforçar a chapa de deputados federais da base governista.
Sem Ratinho (PSD) e Caiado (União) na disputa presidencial, a tendência é de que o presidente Lula (PT) garanta sua reeleição no primeiro turno, considerando que os governadores somam juntos 4,6% dos votos, e este percentual não deve ser 100% transferido para candidatura de Flávio Bolsonaro.
Tanto Caiado, quando Ratinho Jr. sabem que o grande pleito presidencial será em 2030, quando Lula não poderá ser mais candidato, e o cenário estará aberto, pois a tendência é que a influência da família Bolsonaro seja bem menor do que é hoje. Ambos devem optar por manter o poder regional, elegendo o maior número possível de deputados e senadores, para influenciar o jogo político no pós-Lula.
A conferir.