Pesquisa GenialQuaest divulgada neste sábado mostra que a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão no Rio de Janeiro dividiu a população do Estado. Para 52% a cidade está mais insegura, 74% temem reação do tráfico, 62% avaliam que a Polícia Militar do Rio de Janeiro não tem capacidade de combater o crime sozinho.

Outra crítica em relação à ação policial é que para 50% dos moradores do estado do RJ defendem que a PM deve abordar um criminoso para tentar prender sem atirar, enquanto 45% defendem que a PM já chegue atirando.

Fica claro também que a população considera o Estado despreparado para o confronto com o crime organizado. Para 48% as forças policiais do Estado não estão preparadas para o conflito armado, enquanto 44% consideram que as facções criminosas estão melhor preparadas que as forças de segurança. Há uma cobrança de maior participação do governo federal no combate ao crime no RJ: 53% avaliam que a União não tem ajudado, 14% avaliam que ajuda muito e 24%, que ajuda pouco.

 

 

Embora a operação não tenha melhorado a sensação de segurança da população, provocou uma mudança muito significativa na avaliação do trabalho do governo do estado na segurança pública: avaliação positiva passou de 22% para 39% entre agosto e outubro. Para 53% a operação nas favelas foi para combater o crime organizado, contra 40% que apontam como uma ação para ganhar popularidade.

 

 

A operação piorou a imagem do governo Lula, que pasou de 37% de aprovação para 34% e a desaprovação subiu de 62% para 64%. Para 60% a avaliação da atuação do governo Lula na segurança pública é negativa, 18%, consideram positiva e 22%, regular.

A ação policial, que resultou na morte de ao menos 121 pessoas, teve o maior aval entre os homens (79%) do que entre as mulheres (51%), além de ter percentuais de aprovação superiores entre pessoas de renda familiar média (69%), comparadas aos mais pobres (58%) e àqueles que recebem mais de cinco salários mínimos (63%). Os índices de avaliação positiva também foram maiores entre os que se declaram bolsonaristas (93%) e de direita (92%) do que entre lulistas (35%) e os que se identificam a esquerda (27%).

 

Além das mortes, a operação resultou na prisão de 113 pessoas, entre as quais há o registro de dez menores. O principal alvo capturado foi o traficante Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, considerado o braço direito de Edgard Alves de Andrade, o Doca — um dos chefes máximos do CV na região. Também houve apreensão de e armamentos durante uma única ação: 118 armas de fogo, incluindo 19 fuzis, 26 pistolas e um revólver.

A operação foi desaprovada na  capital e região metropolitana e aprovada no interior do Estado do Rio de Janeiro. Na Capital, 59% dos moradores desaprovaram a operação policial e na Baixada Fluminense , 70% . Na região dos Lagos/Norte/Nordeste do RJ, a aprovação foi de 93%, chegou a 92% no Sul Fluminense e 61% na região de Niterói/São Gonçalo e Maricá.

O levantamento ouviu 1.500 pessoas de 40 municípios do RJ entre 30 e 31 de outubro. A margem de erro considerada foi de três pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança considerado foi de 95%.

Com informações do jornal O Globo