No documento final votado e aprovado no 8º Congresso Nacional do PT, “Construindo o futuro: Manifesto do PT para seguir transformando o país”, o partido propõe sete reformas estruturais para a construção de um novo pacto de desenvolvimento nacional que possa superar a fragmentação política do país, gestado a partir de uma “concertação social ampla”, com participação da classe trabalhadora e da classe empresarial comprometida com a nação.
As sete reformas – político-eleitoral, tributária (pela justiça tributária e contra a concentração da renda), do Judiciário, tecnológica (soberania digital e produtiva), administrativa (reconstrução da capacidade pública), reforma agrária (pela soberania alimentar) e reforma da comunicação (combate aos monopólios do setor) estariam ancoradas em três ideias centrais: a capacidade do Estado para definir investimentos e políticas públicas; a distribuição das riquezas e a transição tecnológica/ambiental com foco na soberania.
Essas reformas estruturantes, na visão do PT, pavimentam um caminho de futuro que o Brasil já começou a trilhar. “Elas implicam a continuidade e o aprofundamento das políticas públicas e projetos estruturantes em curso. E exigem que o Brasil dê um passo além neste próximo ciclo: que consolide este legado de conquistas e apresente e implemente um projeto de futuro para as próximas gerações”, diz o manifesto.
Veja aqui a íntegra do Manifesto.
O PT assume a defesa da “universalização da escola em tempo integral para todas as crianças, em todos os municípios brasileiros, com investimento em infraestrutura escolar adequada, no magistério e na gestão educacional. Deve também assegurar a universalização do acesso à creche e à alfabetização infantil. É fundamental que contemple a expansão dos investimentos em infraestrutura nas áreas de educação e saúde”.
Outro compromisso claro do Partido dos Trabalhadores é com os direitos, a dignidade de emprego, de trabalho, de renda, de descanso, de tempo com as famílias. Para isso, o PT defende o fim imediato da jornada de trabalho no esquema 6×1, e defende que os trabalhadores tenham pelo menos dois dias de folga na semana. “A disputa pelo futuro está aberta. Trata-se de construir alternativas que enfrentem as estruturas de poder, reconstruam a democracia, afirmem a soberania dos povos e garantam a vida além do trabalho. Isso exige articular crescimento econômico, justiça social, inovação e sustentabilidade, além de reconstruir o papel do Estado e fortalecer a participação popular, reduzindo a jornada de trabalho e acabando imediatamente com a escala 6×1”, ressalta o manifesto.
É preciso ir além…
Um projeto de futuro, segundo o Partido dos Trabalhadores, precisa superar os limites do capitalismo brasileiro e combinar democracia, soberania e fortalecimento da política para transformar a realidade. Além de fortalecer seu legado, o PT reconhece que é preciso “ir além”. “São muitos avanços que precisam continuar. Apesar disso, precisamos ir além. Para além dos bons indicadores e resultados, precisamos avançar nas reformas estruturais e atualizar o nosso projeto portador de futuro para o Brasil.”
O partido reforça seu compromisso histórico com o combate de privilégios. “A experiência brasileira demonstra que não há democracia sustentável sem a efetiva transformação material da sociedade. Sem a redistribuição real de renda, de poder e de oportunidades, a frustração social se aprofunda e corrói a confiança nas instituições. É esse vácuo de esperança que se torna terreno fértil para a ofensiva autoritária da extrema-direita, que captura o ressentimento popular ao oferecer falsas soluções regressivas para problemas que são, na essência, estruturais.”
Bolsonaro, período de trevas
O Manifesto Construindo o Futuro ressalta o período de trevas do governo do extremista de direita Jair Bolsonaro. “O governo anterior representou o ápice da degradação ao executar um verdadeiro projeto de destruição nacional. Esse período de trevas deixou como herança um Estado desmontado e instituições profundamente fragilizadas, além de agravar a crise econômica e social com o negacionismo durante a pandemia, o desmonte do SUS e o retorno trágico da fome e da precarização absoluta.”
O partido lembra a tragédia da gestão de Bolsonaro, considerada a pior do mundo, durante a pandemia de covid-19, com um saldo de mais de 700 mil mortos. Lula, num claro contraponto, defende a vida dos brasileiros.
Lula, o líder mais preparado
O PT destaca a experiência, a representatividade e a legitimidade internacional do presidente Lula, além de seu apreço à democracia. Lula é sem dúvida o líder político democrático mais preparado para enfrentar a extrema-direita e assegurar os direitos e a soberania do Brasil.
“O Presidente Lula se mostrou, neste mandato, como o líder mais preparado possível para resolver crises e situações de emergência. Da tragédia causada pelas enchentes no Rio Grande do Sul ao tarifaço unilateral de Donald Trump contra o Brasil, o Presidente Lula prontamente atuou em todas as crises que se apresentaram para preservar vidas, empregos e empresas brasileiras. A mesma rápida resposta ocorreu com as queimadas no Centro-Oeste e deslizamentos em Minas Gerais, assim como com a contenção da alta do preço do diesel, diante do contexto de Guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. A atuação de Lula é oposta a do governo anterior, que diante da pandemia permitiu que o país chegasse à marca de 700 mil mortos, e foi considerada a pior gestão do mundo durante a Covid-19”, destaca o manifesto.
Transição geracional
Ao reconhecer a necessidade de atualização de seu projeto diante dos desafios da atual conjuntura global, o PT também reconheceu a importância da transição geracional e da garantia de espaço da juventude na definição deste plano de futuro.
“É urgente que, no próximo período, o PT institua a permanente transição geracional, limitando o número de mandatos nas suas instâncias — no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância —, e garantindo no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação”, diz o texto.
O momento, enfatizou o Partido dos Trabalhadores, exige que os compromissos históricos sejam renovados: “Mais do que nunca temos de reafirmar nosso compromisso com o socialismo, e com um mundo democrático, de paz e de igualdade de direitos”.

Haddad: Bolsonaristo está do lado da destruição
Pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad afirmou, neste domingo, 26, durante o encerramento do 8º Congresso Nacional do PT, em Brasília, que a reeleição do presidente Lula “é um imperativo”. “Nós não podemos de maneira nenhuma considerar a hipótese de um retrocesso em outubro”, ressaltou.
No discurso, o ex-ministro da Fazenda disse que “Lula vai concorrer com o Bolsonarinho, o filho do Jair Bolsonaro, uma família que só entregou caos por esse país desde sempre”, no poder há 30 anos “fazendo a pior política da história do país, das rachadinhas ao genocídio da pandemia”, e arrematou: “Eles estão sempre do lado da destruição”.
Ao falar sobre a história recente, Haddad afirmou que o Brasil viveu uma “verdadeira calamidade”, após a reação da extrema direita às conquistas sociais dos governos petistas. Segundo ele, o processo se intensificou a partir de 2013 e culminou no golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e que levou ao desmonte do Estado brasileiro.

Alckmin: Lula salvou a democracia
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) destacou a confiança e o ambiente de diálogo construído no partido, afirmando que, mesmo não sendo filiado ao PT, sempre foi recebido “com enorme afeto e consideração”. Durante a abertura do 8º Congresso Nacional do partido, nesta sexta-feira, 24, em Brasília, ele reafirmou sua lealdade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu que o atual governo foi decisivo para preservar a democracia no país.
“O presidente Lula salvou a democracia no Brasil. Se perdendo as eleições tentaram dar um golpe, imagine se tivessem ganho”, afirmou, em referência ao bolsonarismo. Ele elogiou os avanços promovidos na educação, na saúde e na reconstrução institucional do Brasil, além de criticar o negacionismo e o isolamento internacional do Governo Bolsonaro.
Alckmin também falou sobre as medidas econômicas, lembrando que, enquanto o governo passado “desonerou jet ski, arma, pistola e revólver”, a atual gestão priorizou a reforma tributária e a justiça social, com iniciativas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Segundo ele, Lula “cumpriu com fidelidade aquilo a que se propôs”, ao fortalecer a democracia, promover inclusão e melhorar a vida da população, concluindo com um chamado à continuidade do projeto: “O que anda pra trás é caranguejo, pra frente, Lula presidente”.
Com site do PT e TV Esquerda News