Pastor Marcos Pereira, da Igreja Universal, diz que com um dia a mais de descanso o trabalhador vai ficar “exposto a drogas, a jogos de azar” e não vai passar o dia com a família
Deputado federal e presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira afirmou ter levado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), preocupações sobre a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da jornada de trabalho 6×1. Em entrevista à Folha de São Paulo, o parlamentar declarou ser contrário à votação do tema em ano eleitoral e apontou possíveis impactos negativos para a economia brasileira.
Em entrevista a Raphael Di Cunto e Laura Scofield, da Folha de S.Paulo, Pereira, se dizendo preocupado com o que chamou de “competitividade do setor produtivo”, afirmou que “ócio demais faz mal”.
“Mas a população vai fazer lazer onde? O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”, disse.
E diante do questionamento dos repórteres de que ficar com a família é uma forma de lazer, ele retrucou “será que eles ficam?”. E por que não ficariam? “É problema pessoal de cada um. Eu acho que a sociedade brasileira, infelizmente, não é assim.” Logo ele, um bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, que diz colocar a defesa da família como elemento central da existência humana.
O deputado tentou tentou criticar a campanha pelo fim da escala 6×1 sob a ótica da Teologia da Prosperidade. Isso está claro quando ele responde que “quanto mais trabalho, mais prosperidade”, ao ser perguntado sobre a validade da demanda popular por mais tempo de lazer e menos de trabalho.
O deputado-pastor, deveria visitar a periferia das grandes cidades, e conversar com as mães-trabalhadoras, antes de falar bobagens sofre o projeto de trocar a escala 6×1, por uma jornada 5×2, e que dá a estas mais um dia a mais de descanso. As mães-trabalhadoras são as mais sacrificadas com a atual escala de trabalho, com apenas um dia de folga.

O pastor-deputado também deveria ler a Bíblia, onde o profeta Neemias, alerta ao povo sobre os falsos líderes, que prometem o paraíso, mas acaba jogando todos na escravidão:
Neemias, no capítulo 9, versículos 16 e 17 alerta:
“Mas os nossos antepassados tornaram-se arrogantes e obstinados, e não obedeceram aos teus mandamentos. Eles se recusaram a ouvir-te e esqueceram-se dos milagres que realizaste entre eles. Tornaram-se obstinados e, na sua rebeldia, escolheram um líder a fim de voltarem à sua escravidão”. Ah, líderes para nos levar de volta à escravidão…

Marcos Pereira assumiu a presidência da sigla 2011. À época, o PRB (a mudança de nome para Republicanos aconteceu somente em 2019) contava com apenas oito deputados federais e um senador. Sob o seu comando, o partido ganhou notoriedade no cenário político nacional e hoje é representado no Congresso Nacional por 42 deputados federais e quatro senadores, sendo a sexta maior força política da Câmara dos Deputados. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas é filiado ao partido.
O dia que Marcos Feliciano, em nome do PL, partido dos Bolsonaros, VETOU debate proposto sobre o FIM DA ESCALA 6X1 e disse: “O POVO TEM QUE TRABALHAR ATÉ A EXAUSTÃO”. Feliciano trabalha em escala 3X4 e ganha mais de R$ 46 mil. pic.twitter.com/vVcGtrhmXs
— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) February 26, 2026