A Polícia Federal (PF) está nas ruas cumprindo mandados judiciais dentro da 4ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos. Foram presos o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa e o advogado do Banco Master, Daniel Monteiro.

Desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (16) os policiais federais cumprem dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados no Distrito Federal e em São Paulo.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal. De acordo com a PF, “estão sendo investigados crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa”.

Paulo Henrique Costa presidiu o BRB a partir de 2019, após ser indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Durante sua gestão, conduziu a tentativa de compra do Banco Master pelo banco público, operação que acabou barrada pelo Banco Central.

O negócio foi apresentado como uma alternativa para evitar a quebra da instituição de Daniel Vorcaro, mas o BC concluiu que não havia viabilidade econômico-financeira e que a negociação poderia transferir riscos excessivos ao BRB.

Além da tentativa de aquisição, a Polícia Federal também apura se o BRB comprou carteiras de crédito problemáticas do Master. O objetivo é entender se houve falhas internas nos processos de análise, aprovação e governança das operações. Costa é investigado justamente por sua atuação nesse período, tanto nas tratativas quanto na aprovação de movimentações financeiras agora consideradas suspeitas.

Segundo os autos, o ex-presidente do BRB defendia a compra do Master como saída para a crise da instituição privada. Depois do avanço das investigações, porém, foi afastado do comando do banco.

 

Compliance Zero

Na terceira fase da Operação Compliance Zero, em março, a PF cumpriu o mandado de prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O STF determinou também afastamento de cargos públicos de alguns investigados, além de sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões.

Considerado próximo de Daniel Vorcaro, dono da instituição, Monteiro é descrito pelos investigadores como administrador de vários fundos usados em operações financeiras destinadas a dificultar a rastreabilidade de dinheiro de origem ilícita.

A prisão ocorreu em São Paulo e integra a mesma ofensiva que também levou para a cadeia, em Brasília, o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso na Corte, e apura o esquema de lavagem de dinheiro voltado ao pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos.

No centro da investigação está a suspeita de que Paulo Henrique Costa tenha ignorado práticas de governança e permitido negócios sem lastro entre o BRB e o Banco Master.

Segundo os investigadores, o ex-dirigente do banco público teria recebido ao menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Daniel Vorcaro em troca de facilitar o esquema envolvendo a instituição financeira. Dois desses empreendimentos ficam em Brasília. Ao todo, a Polícia Federal cumpre dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, em endereços ligados aos alvos da operação e ao próprio Master.

Com Agência Brasil e DCM – Fotos: divulgação BRB e redes sociais