O policial civil Maxwell Moraes Fernandes, alvo da Operação Sem Refino da Polícia Federal, tinha cerca de R$ 500 mil em espécie guardados em caixas de sapato dentro de casa, segundo investigadores.
Lotado na Delegacia Fazendária (Delfaz) da Polícia Civil do Rio, ele está na corporação desde desde 2002. Maxwell recebe salário bruto de R$ 19.259,52, com rendimento líquido em torno de R$ 13 mil por mês. Pelas contas, se não gastasse um único real do salário, ele precisaria de aproximadamente 50 meses, o equivalente a quatro anos e dois meses, para acumular meio milhão de reais.
A apreensão do dinheiro vivo chamou atenção dos investigadores justamente pela forma de armazenamento e pelo volume encontrado.

A Delfaz, onde o policial atua, é especializada em investigações de crimes tributários, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e fraudes financeiras. Maxwell é um dos investigados no esquema que apura suspeitas de fraude fiscal bilionária, ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro ligados ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, que foi privatizada e adquirida por Ricardo Magro, considerado o maior sonegador de imposto do país, e suspeito de lavar dinheiro para organizações criminosas.

Lula pediu a Trump prisão de Magro
Nesta terça-feira (120, em discurso no lançamento do programa Brasil contra o Crime Organizado no Palácio do Planalto, Lula revelou que a conversa com Trump entregou por escrito a proposta brasileira que, entre os itens, pede a extradição de criminosos brasileiros que se abrigam nos EUA.
“Eu disse ao presidente Trump: ‘se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que começar a entregar alguns nossos que estão morando em Miami’. Nós falamos com o presidente de trabalho, nós temos proposta de asfixia financeira. Nós temos proposta de combater a lavagem de dinheiro. Inclusive tem um estado nos Estados Unidos, Delaware se não me falha a memória, que é um estado que tem lavagem de dinheiro de gente brasileira. E ao mesmo tempo, parte das armas que nós aprendemos vem dos Estados Unidos”, afirmou, focando nas investigações da Polícia Federal em torno do megafraudador Ricardo Magro, que mora em Miami e tem mais de 15 offshores em Delaware.
Lula ainda afirmou que ofereceu parceria a Trump para combate ao crime organizado nas fronteiras, mas afastou a tentativa dos EUA de transformarem as facções em organizações terroristas, o que permitiria uma ação armada sem comunicar o governo brasileiro.

Morais inclui Magro na lista da Interpol
O ministro Alexandre de Moraes (STF) determinou a inclusão do empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit, na difusão da lista vermelha da Interpol, visando sua prisão internacional. Operação Sem Refino: A medida atende a pedido da PF na operação deflagrada em 15/05/2026, com foco em Magro, residente em Miami.Acusações: Ele é investigado por liderar suposta organização criminosa que teria causado R$ 52 bilhões de prejuízo ao fisco, envolvendo lavagem de dinheiro e uso de paraísos fiscais.

Operação Sem Refino
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (15), a Operação Sem Refino, que mira um conglomerado do setor de combustíveis suspeito de envolvimento em fraudes fiscais, ocultação patrimonial, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Entre os alvos da ação está o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL, que teve um mandado de busca e apreensão cumprido em sua casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital.
Ao todo, agentes federais cumprem 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Também são alvos da operação o empresário Ricardo Andrade Magro, dono do Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad. Pasqual e Saad foram exoneradas pelo governador em exercício Ricardo Couto no mês passado, numa troca administrativa dos cargos de confiança.
O desembargador Guaraci de Campos Vianna foi afastado pelo Conselho Nacional de Justiça em março após a Corregedoria identificar indícios de decisões consideradas ilegais no processo de recuperação judicial da Refinaria de Manguinhos, ligada ao Grupo Refit. Segundo o CNJ, mesmo após uma decisão do STJ determinar a suspensão imediata do processo por risco à ordem pública, o magistrado teria continuado a conduzir o caso. A Corregedoria também apontou suspeitas sobre a nomeação de uma empresa pericial questionada por possível parcialidade.