Candidato do MDB deve tirar eleição de Gayer, que só tem o voto bolsonarista

 

As eleições para o Senado em Goiás devem produzir efeito semelhante do que acontece em Santa Catarina, onde o Carlos Bolsonaro, o “Carluxo” está perdendo o pleito para os candidatos que tem base social mais ampla. O “filho 02” se mudou para o estado sulista na expectativa de ser o candidato imbatível do bolsonarismo, mas a realidade é outra. As pesquisas mostram Carluxo em terceiro lugar, atrás do ex-governador Esperidião Amin (PP) e da deputada federal  Carol de Toni.

 

O ex-governador Esperidião Amin (PP) está tirando a vaga de Gustavo Gayer do Senado em Santa Catarina e empurrando o bolsonarista para o limbo da política

 

Carluxo apostou nas redes sociais e está perdendo como Gayer

Pesquisa divulgada em 17 de setembro pelo Real Time Big Data, Carol de Toni (PL), tem 24%, Esperidião Amin e Carlos Bolsonaro com 20% cada, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. Na pesquisa Rumo divulgado posteriormente, Carlos apareceu com 15%, atrás de Amin e Carol de Toni. A pesquisa ouviu 2.100 eleitores entre 18 e 20 de setembro e foi registrada no TSE sob o número SC-05523/2026.

 

No ambiente digital Carlos não é quem mais investiu entre os principais candidatos ao Senado. Levantamento baseado na Biblioteca de Anúncios apontou Caroline de Toni com R$ 797,8 mil em impulsionamento, seguida por Antídio Lunelli, Décio Lima (PT), Esperidião Amin e Carlos, com R$ 151,3 mil.

Nas eleições de 2002 e 2010 Demóstenes Torres (PFL) e Lúcia Vânia (PSDB) foram a dupla que mais trocou 1º e 2º votos e por isso foram eleitos e reeleitos

Segundo voto com Zacharias

Em Goiás a pesquisa Quaest divulgada pelo jornal O Popular na sexta-feira (25/09) mostra que a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União) lidera com 23%, e empatados tecnicamente estão Gustavo Gayer (PL) com 13% e o médico Zacharias Calil MDB) com 12%, mas o que coloca Calil virtualmente à frente de Gayer é o segundo voto. Como neste pleito o eleitor vota em dois candidatos ao Senado, há esta associação entre os candidatos para  chamado 1º e 2º votos, e é aí que Calil se dá bem.

O levantamento da Quaest mostra que Zacharias Calil tem quase três vezes mais eleitores no “segundo voto” do que Gayer, pois enquanto o emedebista tem 10% de eleitores que lhe indicam o segundo voto, o bolsonarista tem apenas 4%.

 

Potencial de voto

Outra projeção fundamental favorece Zacharias Calil: o potencial de voto.

Quando a pesquisa Quaest pergunta se você “conhece e votaria” no candidato, Gracinha Caiado e Zacharias Calil aparecem muito próximos um do outro, indicando que está ali a dupla que mais troca 1º e 2º voto, com Gracinha com 42% neste índice de “conhece e votaria” e Calil com 35%, enquanto Gayer está lá atrás com 25%.

A rejeição também é outro fator importante nesta reta final de campanha. Entre os três primeiros colocados, Zacharias Calil tem a menor rejeição: 15%, contra 27% de Gracinha Caiado e 24% de Gustavo Gayer.

Salvar vidas x barulho no tik-tok

Não bastassem estes dois fatores, a base social e política de Zacharias Calil é maior do que a de Gustavo Gayer. Enquanto o candidato bolsonarista tem como principal sustentação de sua campanha o tik-tok, Calil está filiado ao MDB, partido organizado em todos os municípios do Estado.

Uma coisa é fazer política nas redes sociais, outra é ter serviços prestados à sociedade. Gayer acumula denúncias de deslizes na política e na sua vida pregressa à política, enquanto Calil é reconhecido como médico que salvou inúmeras vidas, sobretudo nas delicadas cirurgias de separação de gêmeas siamesas.

Na hora do voto, tudo isto conta em favor de Calil.