O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu acabar com as bets no Brasil por medida provisória. A decisão saiu de uma reunião com ministros no Palácio da Alvorada nesta quarta-feira (23 de setembro de 2026), e a assinatura pode ocorrer ainda nesta semana.
A ofensiva do presidente Lula contra as apostas online tem o apoio de três em cada quatro eleitores. A rodada da pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta semana, com dados de 22 de setembro de 2026, mostra 75% dos brasileiros a favor de proibir as bets, dois pontos acima da rodada anterior.
Quase 90% dos entrevistados afirmam que as plataformas trazem somente prejuízos ou mais prejuízos do que benefícios à sociedade. Entre as mulheres, a proibição reúne 79% de apoio, contra 63% entre os homens.
O rechaço atravessa o espectro político e alcança eleitores do Sudeste, independentes e simpatizantes dos dois campos. Parte do eleitorado atribui ao governo a proliferação das plataformas, e a pressão do presidente para proibi-las ou endurecer a regulação responde a essa cobrança no terreno onde ela nasce.
Proibição
A Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça estudam como impedir que operadores clandestinos ocupem o espaço das empresas legalizadas, com o aumento das penas para quem promover jogo ilegal entre as alternativas.
Outra frente em análise é uma ação judicial para que as empresas de apostas paguem dívidas de pessoas superendividadas por causa dos jogos. O governo descarta devolver as outorgas de R$ 30 milhões pagas por cada empresa para operar no país por cinco anos.
“Foi uma aposta que as empresas fizeram, já ganharam muito, e agora perderam”, resumiu um interlocutor.
Bets e futebol
Apesar da reação dos clubes contrários à medida, um estudo realizado pela consultoria Convocados revelou que empresas de apostas destinaram cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos clubes que disputaram a Série A do Campeonato Brasileiro em 2025.
Apesar de bilionário, o montante correspondeu a 7,2% dos R$ 14,3 bilhões arrecadados pelas equipes ao longo do ano.
Encontro com artistas
‘Essa não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets’, diz Lula em encontro com artistas no Rio. O presidente cobra alternativas de financiamento para o futebol e promete enfrentar o vício em apostas que endivida famílias e compromete o futuro dos jovens.
O presidente pediu reflexão aos dirigentes e lembrou que os torcedores já sustentam os clubes quando compram ingressos e camisas para suas famílias. Em sua avaliação, o financiamento das equipes pelas casas de apostas retira dinheiro desse mesmo público, com consequências que ultrapassam o orçamento doméstico.
“E fica financiando os clubes com quem? Com dinheiro do pobre. É o pobre que joga, é o pobre que fica doente, é o pobre que se mata”.
A manifestação contra as bets veio acompanhada da defesa da regulação das plataformas digitais. Lula citou o ECA Digital como referência de atuação para proteger crianças e adolescentes no ambiente virtual e criticou modelos de negócio que lucram com a exposição dos mais jovens a danos.
“Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets”, declarou.