A  pastora Helena Raquel incentivou mulheres vítimas de violência doméstica e crianças vítimas de pedofilia e abusos a denunciarem as agressões e buscarem um local seguro. A fala ocorreu durante o Congresso dos Gideões 2026, em Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, na noite de sábado (2), e viralizou nas redes sociais.

“Para de orar por ele hoje e comece a orar por você a partir de agora. Você precisa ter coragem para sair e fazer a denúncia em uma delegacia de apoio à mulher ou qualquer outra. Você precisa com urgência ligar para alguém de confiança e buscar um lugar seguro”, disse a pastora.

Helena ainda disse que, nas igrejas evangélicas, as mulheres vítimas de violência são orientadas a não denunciarem o culpado em muitos casos. “Não acredite no pedido de desculpas, porque quem agride, mata. Saia daí”.

Com 47 anos, nascida em um lar cristão, ela observou que costumava ouvir cristãos encorajando quem sofre esse tipo de violência: “Ora para Jesus salvar”.

 

“Para de orar por ele hoje. Deus me trouxe aqui para usar os minutos que pregadores no Brasil gostariam de usar para salvar tua vida da morte. Comece a orar por você, a partir de agora. Você precisa ter coragem para sair e fazer a denúncia em uma delegacia de apoio à mulher ou qualquer outra. Você precisa, com urgência, ligar para alguém de confiança e buscar um lugar seguro. Por último, não acredite no pedido de desculpas, porque quem agride, mata; saia daí”.

‘O silêncio nunca foi a vontade de Deus’

Na ocasião, a pastora também orientou os pais das vítimas: “Pai, mãe, ele não é ungido! Eu sei que falaram para você assim: ‘Ai daquele que toca nos ungidos’. Eu sei que falaram para você, e eu também li e acredito piamente, porque acredito 100% na Bíblia: ‘Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas’. Mas você tem que entender que pedófilo não é ungido. Pedófilo é criminoso; pedófilo não é ungido. Pai e mãe, levantem dessa igreja, vão fazer uma denúncia agora. Não permaneça num território onde a palavra do seu filho seja contestada, levando-o a futuros traumas”.

Por fim, ela destacou: “Não existe capacidade de se encontrar, na mesma figura, um pastor e um abusador; ou é pastor, ou é abusador. Saia daí agora”.

Em seu perfil no Instagram, a pastora deu continuidade à mensagem e refletiu sobre o papel das igrejas.

“Existe algo que a igreja não pode mais fazer: se omitir. Não existe unção que justifique abuso. Não existe chamado que autorize agressão. Se agride, não representa Deus. Ungido não é abusador. Ungido não é agressor”, disse Helena.

 

Ao reforçar a importância da denúncia, a pastora disponibilizou os números de canais de atendimento para mulheres vítimas de violência.

“A verdade precisa ser dita com clareza: se é pastor, se é obreiro, se é membro, mas fere, oprime e violenta, isso não é autoridade espiritual. Isso é pecado, e pecado não se protege, se confronta. Se você está vivendo ou presenciando isso, não se cale. O silêncio nunca foi a vontade de Deus. A igreja precisa voltar a ser lugar de cura, não de medo. E, onde há verdade, há libertação”, acrescentou.

O Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos e atua no combate ao abuso infantil, enquanto o Ligue 180 é a Central de Atendimento à Mulher, com escuta e orientação especializada.