O senador Flávio Bolsonaro, que disputa a presidência pelo PL de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se converteu “pra valer” em 2022 na Comunidade das Nações, fundada pelo bispo J. B. Carvalho, bolsonarista radical. A informação é do jornalista Kiko Nogueira, editor do site DCM (Diário do Centro do Mundo).
A matéria do DCM revela que no livro “A Bomba”, publicado em 2001, o bispo J. B. Carvalho apresenta uma crítica ao catolicismo, à devoção a Nossa Senhora e à presença de símbolos católicos na vida pública brasileira. Num dos capítulos, contesta diretamente a legislação que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
De acordo com Kiko Nogueira, o bispo J.B. Carvalho é à favor de “destronar” Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil.
“O pastor diz que Maria não é senhora, porque no cristianismo não existe senhora, só existe Senhor e diz que a igreja romana inventou a adoração a Maria para substituir a adoração da Mãe Pagã. Segundo Carvalho, no verdadeiro cristianismo Jesus está no centro, Ele está em evidência, tão somente Ele e mais ninguém”, informa a reportagem
Para o pastor de Flávio Bolsonaro, “na religião pagã a mãe tem a supremacia, como hoje também o tem no marianismo católico”.
O bispo Carvalho também usa o número de orações do terço para sustentar sua argumentação.
“No terço, a Ave Maria é repetida cinquenta e três vezes enquanto que o Pai Nosso seis vezes. Quem tem a centralidade neste culto é a mãe e não o filho”, escreve. Em seguida, afirma novamente que “a igreja romana inventou o culto a Maria para substituir o culto da Rainha dos Céus”, opina, enfatizando que “a adoração à Maria é o paralelo da adoração pagã às divindades femininas”, escreve.

O bipso Carvalho também fala na “imagem escura de uma deusa”. O culto à chamada “Rainha dos Céus” provocaria a ira divina, garante.
“Deus odeia o culto a Rainha dos Céus”, diz. “Uma das grandes razões para as pragas que estão por vir à terra é o culto à Rainha dos Céus”, detona ele. “Deus odeia a veneração a esta entidade. E por razão da insistência em cultuá-Ia, Deus fará o mesmo que fez com Israel no passado às nações”.
Bispo é contra a lei promulgada em 1930
“A lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal”, afirma o bispo Carvalho. Na sequência, o líder neopentecostal sustenta que não haveria “amparo constitucional para determinar que a deusa mariana seja imposta a toda uma nação como padroeira” e argumenta que “o Brasil não possui mais ligação entre igreja e estado”.
O texto também afirma que a separação entre Estado e religião teria sido estabelecida pela Constituição de 1891 e cita as Constituições de 1934, 1937, 1946, 1967/69 e 1988 para sustentar sua interpretação. A partir daí, Carvalho faz uma afirmação ainda mais ampla: “Por esta razão o feriado de 12 de outubro é ilegal”.
A obra não se limita a questionar a validade jurídica do feriado. Carvalho defende que o Brasil deveria abandonar a referência a Nossa Senhora Aparecida como padroeira. “Já que o Brasil por lei não é mais um país católico, está na hora de destronarmos a Rainha em nossa nação e servir ao Deus verdadeiro”, escreve.

Em seguida, o bispo J.B. Carvalho convoca cristãos a se mobilizarem para que “Aparecida não seja mais Senhora em nossa nação” e para que “Jesus Cristo seja nosso Único Senhor no Brasil”. A afirmação de que a legislação seria “ilegal”, porém, aparece no livro como a interpretação teológica e jurídica de seu autor.
A legislação federal efetivamente existente estabelece o dia 12 de outubro como feriado nacional e determina que a data seja consagrada a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Trata-se da Lei nº 6.802, sancionada em 30 de junho de 1980 pelo então presidente João Figueiredo.
A Câmara dos Deputados registra que a Lei nº 6.802/1980 teve origem no Projeto de Lei nº 220/1979, apresentado pelo deputado Jorge Arbage, e consta atualmente como norma sem revogação expressa.
Ele sustenta que a própria decisão do Estado brasileiro de reconhecer a santa como padroeira e estabelecer o 12 de outubro como feriado seria incompatível com a separação entre Igreja e Estado.

Princesa Isabel coroou Nossa Senhora Aparecida Rainha do Brasil
Em 1868, a Princesa Isabel enfrentava um dos maiores desafios de sua vida: a dificuldade em engravidar. Movida pela fé, realizou uma peregrinação à Basílica de Aparecida e, diante da imagem de Nossa Senhora, fez uma promessa. Suplicou pela graça da maternidade e prometeu oferecer um manto à santa caso fosse abençoada com um filho.
A devoção de Isabel à Nossa Senhora Aparecida permaneceu inabalável. Com o tempo, ela foi agraciada com três filhos — Pedro de Alcântara, Luís Maria e Antônio Gastão e cumpriu sua promessa com gratidão.
Como gesto simbólico, mandou confeccionar uma réplica da coroa que usaria como rainha do Brasil e a enviou à Basílica, acompanhada de um bilhete que expressava fé e humildade:
“Eu, diante de Vós, sou uma Princesa da terra e me curvo, pois és a Rainha do Céu. Te dou tão pobre presente, que é uma coroa igual à minha. E se eu não me sentar no trono do Brasil, rogo que a Senhora se sente nele por mim e governe perpetuamente o Brasil.”
Parece que a princesa Isabel profetizou o fim do Império. Em 13 de maio de 1888 ela assinou a Lei Áurea, em 15 de novembro de 1889 um golpe de Estado criaria a República do Brasil. Outra coincidência, é que um dos milagres mais famosos atribuídos à Nossa Senhora Aparecida é a libertação do escravizado Lázaro.

No século XIX, um escravo idoso e enfermo chamado Zacarias fugiu de uma fazenda (alguns relatos citam o Paraná, outros o Vale do Paraíba), mas acabou sendo recapturado por um capitão do mato ou feitor. Preso e fortemente acorrentado pelos pulsos e pelo pescoço, ele era levado de volta para sofrer castigos severos. No trajeto, o grupo passou em frente à capela de Nossa Senhora Aparecida. Zacarias pediu permissão para fazer uma última oração diante da imagem da Santa.A ruptura: Enquanto rezava com fervor, as pesadas correntes caíram de seus pulsos e pescoço milagrosamente.A libertação: Impressionado pelo milagre e pelo barulho da queda das correntes, o próprio feitor ou patrão decidiu conceder a liberdade a Zacarias.

A coroa oferecida por Isabel, símbolo de sua devoção e da renúncia ao trono terreno, adorna até hoje a imagem de Nossa Senhora Aparecida. O gesto da princesa transcendeu a fé pessoal e se tornou um marco de entrega e proteção de um país inteiro à Rainha do Céu. A coroa doada pela princesa Isabel é feita em ouro 24 quilates, pesa cerca de 300 gramas. É cravejada com diamantes (cerca de 40 pedras ao todo, entre maiores e menores).
O manto oferecido pela princesa é azul, bordado com fios de ouro e prata, contendo o monograma de Maria, o lírio e 21 brilhantes que representavam as províncias brasileiras e a capital da época.
Coroação da Imagem de Nossa Senhora
Em 1904, ocorreu a coroação solene da imagem, a pedido do Papa São Pio X, com o diadema doado pela Princesa Isabel (de ouro com brilhantes, é a coroa que adorna até hoje a imagem). Foi o bispo de São Paulo, Dom José de Camargo Barros, quem presidiu a solenidade.
Em 1930, Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida “Rainha e Padroeira do Brasil”. Para mais fotos históricas da coroação de Nossa Senhora em 1904, clique aqui
Generalíssima do Exército Brasileiro
Por um ato oficial da Presidência da República, assinado em 1967 pelo então Presidente Costa e Silva, Nossa Senhora Aparecida tornou-se Generalíssima do Exército Brasileiro.
Generalíssimo – superlativo de General, uma das mais altas patentes militares, de caráter exclusivamente masculino. Termo utilizado para pôr em relevo Generais que foram além do normalmente permitido pelas patentes militares.
No entanto, antes mesmo do ato oficial, em tempos remotos, os soldados do nosso país tinham como patrona Nossa Senhora da Conceição e o costume de rezar o terço, especialmente antes das batalhas, e de cantar o hino do Exército, intitulado “Canção do Soldado”, em louvor a Imaculada, como descreve o general Dionísio Cerqueira sobre a guerra do Paraguai, em 1866.
Com informações do DCM
