O Papa Leão XIV criticou o crescimento de grupos de extrema direita que associam posições políticas radicais à religião e afirmou que esse movimento não representa uma expressão autêntica do cristianismo. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva no voo de Metz, na França, para Roma, após visita ao país.
Ao comentar o avanço da direita radical na Europa, Leão XIV citou o partido alemão AfD e classificou essas novas formações como “não cristãs”. Segundo ele, o fenômeno pode ser observado na Alemanha e em outras partes da Europa e do mundo, onde determinadas correntes políticas passaram a incorporar elementos religiosos em seus discursos.
“O crescimento de grupos de extrema direita” tem sido acompanhado, segundo o Papa, pelo “surgimento de expressões que combinam essas posições políticas com uma certa forma de religiosidade”. Leão XIV afirmou que essa religiosidade, em sua avaliação e na de dirigentes das Igrejas Católica e Protestante da Alemanha, “não representa uma expressão autêntica do cristianismo”. “Devemos voltar aos valores do Evangelho”, acrescentou.
🇻🇦 Leão 14 | A extrema-direita não é uma expressão autêntica do cristianismo
"Espero do fundo do coração (…) alcançar a maioria das pessoas de boa vontade que compreenderão como é importante o seu compromisso, inclusive em termos de participação nos processos políticos." pic.twitter.com/G6fBzOTMiv
— Camarote da República (@camarotedacpi) September 29, 2026
“Os valores do Evangelho não estão relacionados ao ódio e à divisão, mas à compreensão, à compaixão e ao acompanhamento”
O pontífice também abordou os riscos associados à inteligência artificial. Leão XIV afirmou que os alertas feitos por especialistas do setor devem ser considerados seriamente e rejeitou a ideia de classificá-los como “fake news”.
“Acredito que as preocupações levantadas por muitos especialistas em IA devem ser levadas a sério”, declarou.
Outro tema tratado pelo Papa foi o aumento dos gastos militares. Leão XIV criticou a corrida armamentista e afirmou que grandes quantias destinadas à indústria bélica poderiam ser empregadas no combate à fome, na habitação e na geração de empregos. Segundo ele, há grupos que obtêm “enormes lucros promovendo a guerra”.
“Precisamos de uma voz que proponha um caminho diferente: uma maneira que rejeite a ideia de gastar cada vez mais em armamentos”, afirmou. Para Leão XIV, potências internacionais têm buscado impor seus interesses pela força em vez de recorrer ao diálogo e à negociação, aumentando o risco de novos conflitos.
O Papa defendeu que a Igreja promova valores como a dignidade humana e a proteção da vida e incentive investimentos em saúde e educação. Também pediu que líderes da Rússia, da Ucrânia e de outros países envolvidos em conflitos se encontrem para negociar soluções. “Não podemos obrigar ninguém, mas continuaremos a apoiar essas iniciativas, a fazer apelos e a proclamar o Evangelho”, disse.
Questionado sobre casos de abuso dentro da Igreja, Leão XIV afirmou que crimes cometidos no ambiente eclesial têm uma dimensão adicional porque atingem diretamente a fé das vítimas. Segundo ele, nesses casos, “a vida de fé das pessoas é profundamente ferida e, às vezes, até destruída”.
Leão XIV também falou sobre suas próximas viagens apostólicas. O pontífice confirmou que recebeu um convite para visitar a Alemanha e afirmou que gostaria de ir ao país. Até o momento, porém, a única viagem mencionada como já programada para 2027 é à Coreia do Sul, em agosto, para a Jornada Mundial da Juventude.
