Matéria do jornal inglês Financial Times mostra que empresários e governos querem que Trump ponha fim à guerra contra o Irã

A paciência dos empresários árabes com os Estados Unidos está no limite. A carta do bilionário de Dubai Khalaf Al Habtoor, que criticou o ataque ao Irã foi só a ponta do iceberg.  Empresas e governos árabes podem rever investimentos nos Estados Unidos. Segundo a matéria do Times, além do compromisso de US$ 1,4 trilhão dos Emirados com os Estados Unidos — anunciado durante visita do presidente norte-americano Donald Trump ao Golfo no ano passado — Catar e Arábia Saudita também prometeram investir quase US$ 2 trilhões na economia americana. Esses países também vêm enfrentando ataques de mísseis e drones iranianos.

Matéria do Financial Times: reprodução

Segundo o Financial Times, alguns governos do Golfo começaram a reavaliar grandes investimentos no exterior diante do risco de uma guerra prolongada.

Executivos de um fundo soberano de Abu Dhabi disseram que não há revisões em andamento no momento, enquanto outro investidor afirmou que a cidade continua com finanças sólidas. Ainda assim, qualquer recuo pode afetar mercados de fusões e aquisições que passaram a depender do capital da região.

As relações comerciais entre Emirados e Estados Unidos também se intensificaram nos últimos anos. Além do compromisso de investimento de dez anos, entidades emiradenses apoiaram parcerias em inteligência artificial, anunciaram investimentos bilionários em energia e encomendas de aeronaves.

Os vínculos se estendem à família de Trump. A Trump Organization, em parceria com um investidor, desenvolve uma nova torre em Dubai, além de projetos na Arábia Saudita e em Omã. Já a empresa MGX, de Abu Dhabi, adquiriu uma participação de US$ 2 bilhões na corretora de criptomoedas Binance, usando uma stablecoin associada à família Trump.

A a decisão de Trump de entrar em guerra com o Irã — amplamente criticada na região — levantou dúvidas sobre os limites da influência econômica no relacionamento com Washington.

“Promessas de investimento compram acesso e boa vontade”, disse Andreas Krieg, especialista em segurança do Oriente Médio no King’s College London. “Mas não garantem poder de veto em Washington em uma crise, especialmente quando a Casa Branca considera que credibilidade e dissuasão estão em jogo ou quando a política doméstica recompensa a escalada em vez da contenção,” finaliza.

 

Com Financial Times, Bloomberg e redes sociais