Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial faleceu nesta sexta-feira (17), em São Paulo. 

O atleta enfrentou um tumor cerebral por cerca de 15 anos.

“Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo”, disse a assessoria do jogador, em nota.

Segundo a assessoria, a despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento.

Recordes Olímpicos de Oscar Schmidt

A precisão de Oscar Schmidt são comprovadas por números que ainda desafiam a lógica do basquete moderno. Ele disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos:

  1. Moscou (1980)
  2. Los Angeles (1984)
  3. Seul (1988)
  4. Barcelona (1992)
  5. Atlanta (1996)

Nessas participações, Oscar acumulou 1.093 pontos, marca que permanece até hoje como o recorde histórico de pontuação em Olimpíadas, não tendo sido alcançada por nenhum outro atleta da modalidade.

Oscar-schmidt-morre-aos-68-anos-jogos-olimpicos-tvt-newsOscar Schmidt nos jogos olímpicos – Reprodução

O “Milagre” de Indianápolis (1987)

O ponto alto da carreira de Oscar Schmidt aconteceu em 23 de agosto de 1987, durante os Jogos Pan-Americanos de Indianápolis. Sob sua liderança, a Seleção Brasileira realizou um feito considerado impossível na época: derrotar os Estados Unidos em sua própria casa.

A partida final, disputada no Market Square Arena, terminou com o placar de 120 a 115. O triunfo foi histórico por diversos motivos:

  • Virada lendária: O Brasil perdia por 20 pontos ao final do primeiro tempo, mas conseguiu a recuperação com uma atuação inspirada de Oscar e bolas de três pontos decisivas de Marcel e Gerson.
  • Queda do tabu: Foi a primeira vez que a seleção norte-americana (então composta por atletas universitários) perdeu um jogo atuando em território nacional.
  • Atuação individual: Oscar foi o grande protagonista da final, anotando 46 pontos e silenciando a arena.

O elenco campeão contava com nomes como André, Gerson Victalino, Israel, Pipoka, Guerrinha, Silvio, Marcel, Maury, Paulinho Villas Boas, Cadum e Rolando.

 

Cestinha Incomparável

Além do palco olímpico, Oscar detém o título de maior cestinha da história da Seleção Brasileira, acumulando um total de 7.693 pontos vestindo a camisa verde e amarela. Sua dedicação ao arremesso e sua mentalidade competitiva elevaram o patamar do basquete brasileiro, transformando-o em um símbolo de resistência e eficiência técnica.

Para os fãs e historiadores do esporte, Oscar não foi apenas um jogador; ele foi o homem que provou que, com “mão santa” e trabalho árduo, era possível vencer os inventores do jogo em seu próprio quintal.

 

Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu no dia 16 de fevereiro de 1958, na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. 

Começou a se interessar por basquete aos 13 anos, após se mudar para Brasília, por influência de seu técnico Zezão, que o incentivou a procurar o Clube Vizinhança, que era treinado pelo técnico Laurindo Miura.

Em 1974, aos 16 anos, Oscar mudou-se para São Paulo, para iniciar a carreira no infanto-juvenil do Palmeiras. Foi convocado para a seleção juvenil de basquete em 1977 e eleito melhor pivô do sul-americano juvenil.

Na seleção principal de basquete do Brasil, foi campeão sul-americano e ganhou medalha de bronze. 

Em 1979, ganhou um dos títulos mais importantes de sua carreira: a Copa William Jones, o mundial interclubes de basquete. No ano seguinte, disputou sua primeira Olimpíada, em Moscou. 

Disputou outras quatro olimpíadas: Los Angeles (1984), Seul (1988), Barcelona (1992) e Atlanta (1996), sempre se destacando como cestinha da competição. 

Oscar jogou 11 temporadas na Itália, 8 pelo Juvecaserta e 3 pelo Pavia.

 

Em 1995, Oscar decidiu retornar para o Brasil, passando a jogar no Corinthians, onde ganhou, em 1996, o oitavo título brasileiro de sua carreira.

​​No Brasil, Oscar ainda jogou pelo Banco Bandeirantes, entre 1997 e 1998, Mackenzie, entre 1998 e 1999 e Flamengo, entre 1999 e 2003.

No rubro-negro, alcançou uma das marcas mais expressivas de sua carreira: maior cestinha da história do basquete, com 49,737 pontos. Até então, esse posto pertencia a Kareem Abdul-Jabbar, com 46.725 pontos.

Em 1991, Oscar foi nomeado um dos 50 Maiores Jogadores de Basquete pela Fédération Internationale de Basketball (Fiba). Também integrou o Hall da Fama da NBA,

Em 2003, Oscar se aposentou das quadras.

 

 

O discurso de Oscar no Hall da Fama

Ao subir ao palco, ao lado de outra lenda, Larry Bird, Oscar fez este discurso, quando recebeu o prêmio em 2013:

 

– Sempre sonhei em estar aqui. É muito fácil você gostar do Michael Jordan ou do Kobe Bryant, mas o meu cara não corre, não pula, é o melhor de todos. Este é o Larry Bird, o melhor jogador de todos os tempos. Não há nada melhor do que receber esse prêmio. Sonhei com isso a vida toda – declarou Oscar.

– Quero agradecer a minha família, ao Marcel, que jogou comigo em Indianápolis, aos treinadores Boscha, Claudio Mortari, que ganhava tudo, e ao Ary Vidal. Estar aqui me lembra a vitória de 87. Batemos os americanos dentro da casa deles. É, me desculpem (risos) – disse Oscar em referência a épica final do Pan de 1987.

De todos as homenagens, uma Oscar fez, especialmente para sua mulher Maria Cristina. Com os olhos cheios de lágrimas, revelou uma história de seu início de carreira.

– Vou contar uma história. Tinha 17 anos, me lesionei e fiquei um ano fora do Palmeiras. Eu ia treinar sozinho e era terrível. Um dia, virei para a Cris e disse: “Você pode ir comigo? Eu deixo você me dar a bola”. Foi uma semana me dando bolas, um mês me dando bolas. Então eu disse: “Vou me casar com ela”. Muito obrigado, “minha namorada” – relatou Oscar recebendo aplauso coletivo.

Fonte: G1

Vivendo intensamente

Em 2022, à época com 64 anos, Oscar recebeu a equipe do Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, em sua casa em São Paulo. Em meio a uma sala lotada de medalhas e troféus, ele relembrou a carreira e falou sobre a atuação como palestrante, atividade que assumiu após se aposentar das quadras.

“Eu não acho que eu tenho 64 anos. Eu vivo minha vida intensamente, mas por outro lado, calmamente”, declarou.

“Eu adoro fazer palestra que eu vejo os olhos das pessoas olhando assim para mim, batendo palma. E eu estou contando a minha história para eles. Isso repõe, em parte, tudo aquilo que eu perdi parando de jogar”.