Na foto acima, Olena Zelensky, esposa do presidente da Ucrânia, usa o conflito como cenário para um ensaio de moda na Vogue

por Wevergton Brito, do Portal Vermerlho

A chuva de dinheiro e armas para a Ucrânia será capaz de mudar o rumo do conflito, até agora favorável aos russos? Ou boa parte do dinheiro é desviado pelo corrupto regime de Kiev? Está não é uma dúvida lançada pela “propaganda russa”. Em 2016, portanto, 6 anos antes do início da Operação Especial Militar, a Ucrânia foi apontada, pelo Tribunal de Contas da União Europeia, como o país “mais corrupto da Europa”. No último mês de janeiro foi a vez do bilionário americano Bill Gates dizer que a Ucrânia era o país mais corrupto, não da Europa, mas do mundo, e acrescentou: “O governo ucraniano é um dos piores do mundo. É corrupto e controlado por poucos ricos. Quer dizer, é muito triste para o povo“. Certamente Bill Gates fez esta declaração movido por alguma experiência concreta das empresas que controla. De fato, são muitos os rumores e histórias que correm na Europa sobre as milionárias propriedades que Vladimir Zelensky e seu entorno acumulam no continente. Assim como na Ucrânia, EUA e aliados despejaram bilhões de dólares no Vietnã do Sul, na segunda metade do século passado.

Os bilhões para a Ucrânia e o exemplo do Vietnã do Sul II

Em recente viagem ao Vietnã, ganhei o livro, edição em espanhol, “Crónicas de La Guerra – 1-2-3-4.75”, de Tran Mai Hanh. O autor era correspondente da Agência Vietnamita de Notícias e acompanhou a Campanha Ho Chi Min, deflagrada em dezembro de 1974, até a queda de Saigon, então capital do Vietnã do Sul, no dia 30 de abril de 1975. Com base nos documentos oficiais abandonados pelo governo e pelo exército em fuga, Tran Mai reconstitui os últimos meses do governo títere, principalmente os últimos quatro. O livro revela um governo e exército tomados pela corrupção. Os EUA tinham se retirado do Vietnã em 1973 e, perante uma derrota iminente, estavam fechando a torneira que jorrava dólares para uma batalha perdida. Diante disso, o governo do Vietnã do Sul decidiu tomar providências inéditas. Chega a ser cômico ler, entre os documentos apreendidos, um, de dezembro de 1974, que orientava proibir a prática do “soldado fantasma” ou “soldado ornamental”, pela qual famílias ricas subornavam generais para que seus filhos não fossem expostos ao perigo de uma batalha. A mesma ordem passou a proibir “o suborno para obter promoção no Exército”.

Os bilhões para a Ucrânia e o exemplo do Vietnã do Sul III

Mas ordens como essa eram ignoradas mesmo nesta fase final e desesperada da batalha. Boa parte dos ministros e generais sul-vietnamitas era conhecida pela corrupção e o principal corrupto era justamente Nguyen Van Thieu, presidente do Vietnã do Sul durante quase todo o período da luta, tendo renunciado apenas nove dias antes da queda de Saigon. Desde fevereiro de 1975, Thieu acelerou os preparativos para a fuga, onde sua mulher, Mai Anh, desempenhou papel crucial. Ela viajava com frequência para Taiwan para onde transferia propriedades do casal. Nos voos que fazia a cabine do avião ficava lotada de valores. Mai Anh levou até acervos preciosos do Museu de Antiguidades de Saigon. Thieu havia espalhado dinheiro e propriedades por toda a parte (possuía uma Villa na Suíça, por exemplo) mas preferia Taiwan onde era amigo íntimo de Chiang Ching-kuo, filho de Chiang Kai-shek, histórico inimigo do PC da China e primeiro-ministro de Taiwan.  Neste trecho, o livro fala dos preparativos finais da família Thieu: “Mai Anh estava empacotando freneticamente suas peças de ouro e diamante. Conhecida por seus gostos luxuosos e sua paixão por diamantes, ela costumava usar uma peça grande e frequentemente viajava para o exterior para depositar dinheiro secretamente em vários bancos e distribuir joias valiosas em grandes coleções. Sua coleção de diamantes era considerada uma das maiores da Ásia. Agora, sem vontade de contemplar as joias, colocou-as todas numa mala. Roupas, pertences e valores ocupavam outras 15 malas”.

Os bilhões para a Ucrânia e o exemplo do Vietnã do Sul IV

Os opositores de Nguyen Van Thieu que ousavam levantar denúncias contra ele eram presos e acusados de cumplicidade com o inimigo, exatamente a mesma prática do atual presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky. Thieu, assim como Zelensky hoje, era apresentado pela mídia ocidental como um “herói da liberdade”. Seus discursos políticos eram marcados pela defesa da “democracia” e a denúncia veemente da corrupção e dos corruptos. Morreu em Boston (EUA), onde viveu como um nababo até os 78 anos de idade. Vocês acham que os EUA e aliados estão gastando muito com a Ucrânia? No livro de Tran Mai Hanh é revelado um documento que estima os gastos dos EUA na guerra do Vietnã em 150 bilhões de dólares em valores da época. Não me arrisco a calcular esta quantia corrigida depois de quase 50 anos. O fato é que nada adiantou para impedir a queda de um governo reacionário e corrupto. Quem sabe, no futuro, um ucraniano antifascista ou um historiador russo não revelem os bastidores do governo do novo “herói da liberdade” ocidental