Chama a atenção mais um senador do PL fazendo negócios com uma empresa cujo um dos sócios é o Banco Master
Marcus Vinícius de Faria Felipe
Na edição de quinta-feira (09/07) o Onze de Maio trouxe com exclusividade a informação de que a Oncoclínica, complexo hospitalar que está sendo construído no Conjunto Fabiana, na zona Leste de Goiânia, tem entre os seus acionistas, o BRB (Banco Regional de Brasília) e o Banco Master, do banqueiro-presidiário Daniel Vorcaro, o “amigo-irmão” do pré-candidato à presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Hoje, sexta-feira(10/07) matéria da jornalista Fabiana Pulcinelli, publicada no jornal O Popular, revela que a obra está sendo construída pela Orca, empresa cujo proprietário é o senador Wilder Morais (PL), pré-candidato ao governo de Goiás.

Na reportagem, Fabiana Pulcinelli observa que a obra está em fase final, com 90% concluídos, e que o governo de Goiás tem interesse firme em adquirir o empreendimento, com objetivo de instalar ali a unidade do HUGO, que hoje está localizada no Setor Pedro Ludovico. O valor do negócio, na casa dos R$ 500 milhões, pode beneficiar, portanto, um adversário direto do Palácio das Esmeraldas.
“A obra no Conjunto Fabiana foi feita em parceria da Oncoclínicas com a Cedro Participações (…) a Cedro havia contratado a Orca para execução do empreendimento. (…) a informação divulgada pelo grupo era de que o prédio tem um custo de R$ 355 milhões e que a clínica investiria outros R$ 145 milhões em intervenções e equipamentos (…)”, informa a reportagem.
Segundo a matéria, a Oncoclínicas acabou se afundando em dívidas e está em processo de recuperação judicial, e a Orca ainda não teria recebido pagamento pelos serviços executados na construção do prédio. O senador Wilder Moraes negou ao O Popular que seja sócio da Cedro ou do futuro hospital, que compõe uma rede privada de tratamento ao câncer que tem entre os investidores o BRB, o Banco Master, um fundo ligado ao Goldman Sachs, o investidor Bruno Lemos Ferrari e a gestora internacional Mak Capital.

Caso seja concluída a negociação com o governo do Estado, Wilder Morais estaria sendo beneficiado pelo seu adversário político direto, o governador Daniel Villela (MDB). Tanto as fontes do Palácio das Esmeraldas, quanto o próprio senador rechaçam a ideia de que aja nesta intenção de negócio qualquer “intindimento” político, mas o fato é que a campanha de Wilder ao governo de Goiás está mais parada que água de lagoa, e isto se reflete inclusive nas pesquisas, onde ele pontua atrás do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e em alguns levantamentos, atrás também da deputada federal Adriana Accorsi (PT).
Negócios com PT, PSDB e PL
A trajetória empresarial de Wilder Morais, no entanto, indica que ele não tem preferência partidária na hora de fazer negócios. Um exemplo disso é que nos seus primeiros anos como empreiteira a Orca fez grandes obras para o governo do prefeito Pedro Wilson (PT), que administrou Goiânia nos primeiros anos do século XXI (2001-2004). Parceira do Carrefour, a Orca executou a reforma do Parque Areião. Na época o Carrefour invadiu uma área de preservação no córrego Cascavel, e a época a Agencia Municipal de Meio Ambiente (Amma) impôs multa ao Carrefour, que fez o pagamento através de sua parceria Orca, na reforma do parque, em valor estimado naquele período em R$ 2 milhões. A partir daí, a Orca, juntamente com outras empresas parcerias passou a ser uma das empreiteiras que venceu certamentes e realizou muitas obras na capital.
Neste mesmo período, a empresa de Wilder Morais também fez parcerias no governo de Marconi Perillo (PSDB), e foi contratada para vários serviços de obras de arte, pontes, tubulões, entre outros serviços emergenciais demandados pela antiga Agetop (Agência Goiana de Transportes e Obras), dirigida naquele momento pelo engenheiro Jayme Rincon. Wilder Morais também estreitou ligações com o presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) e com toda a família.
Matéria da revista Fórum conta que em julho de 2020, o senador Wilder Morais convidou o senador Flávio Bolsonaro e sua esposa para passar um fim de semana em Angra dos Reis. Durante essa viagem, Morais os levou para conhecer uma mansão luxuosa e paradisíaca na região, que contava com cachoeira e praia privativa. Essa visita gerou posteriormente uma disputa judicial pela posse do imóvel entre a empresa do jogador Richarlison e um amigo de Flávio Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz. O caso voltou à tona nesta Copa do Mundo, com Richarlison reclamando que sua residência foi tomada por Flávio Bolsonaro.
De acordo com reportagem do Infomoney, site especializado em finanças, o jogador do Tottenham afirmou ter perdido o imóvel mesmo depois de desembolsar aproximadamente R$ 10 milhões pela compra, reabrindo um caso que tramita há quase seis anos e que, em determinado momento, levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a prestar depoimento como testemunha. O caso está no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
🚨 O CASO DA MANSÃO GANHOU CONTORNOS AINDA MAIS POLÊMICOS.
Segundo o relato, Richarlison e seu empresário já haviam comprado o imóvel e iniciado as obras quando Flávio Bolsonaro tentou adquirir a mesma casa.
O antigo proprietário afirmou que a venda já estava fechada e recusou… pic.twitter.com/iRgd6nIN6s
— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) July 1, 2026
É provável que as negociações entre o governo de Goiás e o grupo Oncoclínicas vá adiante e Wilder Morais será indiretamente beneficiado. O que a sociedade goiana espera é que as negociações tenham transparência. Mas não deixa de chamar a atenção a coincidência de ver mais outro senador do PL ter negócios com uma empresa cujo um dos sócios é o Banco Master.
Leia também:
Banco Master e BRB são acionistas do Oncoclínicas, cuja unidade está à venda em Goiânia