Governo do Estado estuda compra do Oncoclínicas do Setor Fabiana para instalação do novo Hugo

Marcus Vinícius de Faria Felipe

 

Matéria da jornalista Flávia Said, para Estadão, datada 09/04/2026 revela que o Banco Master  detém mais de 20% das ações do Grupo Oncoclínicas, rede de saúde privada para o tratamento de câncer. Uma das unidades do grupo estava sendo construída em Goiânia, no Setor Fabiana, na região Leste da Capital. As obras estão paralisadas, o que pode ser um indicativo de que a liquidação do banco de Daniel Vorcaro tenha afetado o cronograma de investimentos.

Manchete do Estadâo revela que o Banco Master é sócio do Oncoclínicas

A manchete “Fundos ligados ao Master terão que notificar ao Cade compra de fatia na Oncoclínicas (ONCO3)”, revela que a Superintendência-geral do Cade constatou que dois fundos são geridos pela Latache Gestão de Recursos, que são controlados, direta ou indiretamente pelo Banco Master.

 

“Mais cedo, o tribunal do Cade concluiu que a operação foi consumada antes da análise do órgão concorrencial, conduta configurada como gun jumping”

A expressão gun jumping (do inglês, “queimar a largada”) é usada principalmente no Direito Concorrencial e em Fusões e Aquisições (M&A). Refere-se à execução antecipada de um negócio ou à troca de informações sensíveis entre empresas antes da aprovação obrigatória do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

 

Na prática, gun jumping  ocorre quando empresas que estão planejando uma fusão ou aquisição começam a se integrar ou a agir como uma única entidade antes do aval oficial do órgão antitruste, que no Brasil é representado pelo CADE.

Além do Banco Master, o BRB (Banco Regional de Brasília), o Josephina II Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, um fundo ligado ao Goldman Sachs são sócios do Oncoclínicas, juntamente com Bruno Lemos Ferrari e a gestora internacional Mak Capital.

Em 28/08/2024, o governador Ronaldo Caiado anúnciou R$ 100 milhões para reestruturação do Hugo, com com investimento do Tesouro Estadual e gestão a unidade pelo Albert Einstein

Reforma e transferência para o Einsten vs Novo Hugo

 Nesta semana o governo de Goiás anunciou a intenção de compra por R$ 500 milhões, com recursos do BNDES, do prédio em construção do grupo Oncoclínicas do Setor Fabiana, porém, há cerca de dois anos, numa quarta-feira, no dia 28 de agosto de 2024, O governador Ronaldo Caiado anunciou, investimento de R$ 100 milhões em recursos do Tesouro Estadual para a reestruturação completa do Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugo).

Durante o anúncio em 2024, o governador Ronaldo Caiado assinou um termo de colaboração para a gestão do Hugo, em acordo celebrado entre o Governo de Goiás e a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. A entidade  assumiu a gestão do hospital por meio de contrato emergencial. O valor mensal do custeio será superior a R$ 21,3 milhões e a validade do acordo é de até 12 anos.

O “velho” Hugo – foto: Agência Cora Coralina

 

 

Ficam no ar as perguntas: as reformas do “velho Hugo” foram concluídas?

Como fica o contrato com o Hospital Einstein?

A gestão do “velho Hugo” será compartilhada entre o Ipasgo e o Einstein?

O fato do Banco Master ser acionista (20,9%) do Grupo Oncoclínicas pode criar dificuldades junto ao BNDES?

O “velho Hugo”, com instalado num terreno de aproximadamente 28 mil metros quadrados, está localizado ao lado do Parque Areião,  área mais valorizada da Capital, com prédios de luxo, onde apartamentos do tipo um por andar, estão sendo cotados por preços que chegam a R$ 12 milhões a unidade.