OMS reconhece que atual surto de varíola dos macacos é incomum

OMS reconhece que atual surto de varíola dos macacos é incomum

O atual surto de varíola dos macacos é o primeiro a surgir em vários lugares ao mesmo tempo e a não estar associado a viagens para a África, afirmaram especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (23/05). Segundo a agência da ONU, porém, as transmissões da doença podem ser contidas nas nações não endêmicas.

“Houve casos nos últimos cinco anos em pessoas vindas da África, mas esta é a primeira vez que registramos em diferentes países ao mesmo tempo”, afirmou a especialista da OMS em varíola, Rosamund Lewis. “Trabalhamos em estreita colaboração com vários países para analisar por que este vírus está agora viajando com mais frequência.”

OMS descarta transmissão por relação sexual

Em 21 de maio, 92 casos foram confirmados em laboratório e outras 28 suspeitas estão sendo investigadas. Nenhuma morte associada foi relatada até o momento.

Espanha, Reino Unido e Portugal são os países com mais casos confirmados.

Com base nas informações atualmente disponíveis, os casos foram identificados principalmente, mas não exclusivamente, entre homens que fazem sexo com homens que procuram atendimento na atenção primária e nas clínicas de saúde sexual.

A OMS está trabalhando com os países afetados para aumentar o monitoramento da doença e apoiar as pessoas que podem ser afetadas, assim como fornecer orientações sobre como gerenciar a doença.

A agência de saúde da ONU enfatizou que a varíola se espalha de maneira diferente do Covid-19, incentivando todas as pessoas a “se manterem informadas de fontes confiáveis, como autoridades nacionais de saúde” sobre a extensão de qualquer surto em suas comunidades.

A situação está evoluindo e a OMS espera que haja mais casos de varíola dos macacos identificados à medida que a vigilância se expande em países não endêmicos.

Andy Seale, especialista do departamento da OMS sobre doenças sexualmente transmissíveis, destacou que a varíola dos macacos não é uma dessas enfermidades, e tampouco seria uma doença ligada à comunidade gay. Ele lembra que qualquer pessoa pode contrair a varíola através do contato físico, não necessariamente sexual.

Surto na Europa pode ter surgido em festas rave

Monkeypox é uma infecção rara, mas perigosa, semelhante ao vírus da varíola agora erradicado

Entretanto, David Heymann, um consultor da OMS que já liderou o Departamento de Emergências da entidade, disse que uma das explicações para o surto surgido na Europa teria sido “eventos aleatórios” que seriam explicado pela atividade sexual em duas raves.

Segundo afirmou, a teoria considerada como a mais viável seria a de o surto teve início com a transmissão através do sexo entre homens em raves na Espanha e na Bélgica. Segundo Heymann, a doença pode se espalhar se houver contato próximo com lesões em uma pessoa infectada. “Parece que o contato sexual amplificou as transmissões”, disse.

Autoridades de saúde da Europa chegaram a afirmar que o sexo entre homens estaria por trás da maioria dos casos conhecidos, mas cientistas advertiram que é difícil confirmar se o contágio se deu através do sexo ou de um simples contato.

Qualquer um pode ser infectado através do contato próximo com um doente, ou com suas vestimentas ou roupas de cama.

Os sintomas da varíola dos macacos podem incluir febre, inflamação dos linfonodos, dores de cabeça, fadiga muscular e erupções no rosto, mãos, pés, olhos ou genitais.

Brasileiro passa bem

A OMS destaca que a vacina contra a varíola convencional – uma doença mais grave que durante séculos causou mortalidade global generalizada – provou ser 85% eficaz contra a varíola dos macacos.

Contudo, a maioria das pessoas das gerações mais novas não foi vacinada contra a varíola, que foi considerada erradicada globalmente há quatro décadas, motivo pelo qual as campanhas de imunização foram interrompidas.

brasileiro de 26 anos que é o primeiro infectado pela varíola dos macacos registrado na Alemanha passa bem, segundo o hospital em Munique onde ele está internado.

“O paciente continua bem, ele tem relativamente poucos sintomas”, disse o médico chefe do setor de infectologia da München Klinik Schwabing, Clemens Wendtner, segundo reportagem publicada neste domingo pelo jornal TZ. “Ele tem lesões de pele em vários lugares, mas não está com febre e não sofre de falta de ar”, afirmou o especialista.

Ações Imediatas

As ações imediatas se concentram em informar aqueles que podem estar em maior risco de infecção por varíola dos macacos com informações precisas, a fim de impedir a disseminação.

As evidências atuais disponíveis sugerem que estão em maior risco são aqueles que tiveram contato físico próximo com alguém com infectado enquanto são sintomáticos.

A OMS também está trabalhando para fornecer orientações para proteger os profissionais de saúde da linha de frente e outros profissionais que possam estar em risco.

A agência segue monitorando a situação e fornecerá mais recomendações técnicas nos próximos dias.

Sintomas

A OMS explica que a varíola dos macacos causa febre, erupção extensa característica e linfonodos geralmente inchados.

O período de incubação do vírus pode variar de 5 a 21 dias. O estágio febril da doença geralmente dura de 1 a 3 dias com sintomas que incluem febre, dor de cabeça intensa, inchaço dos gânglios linfáticos, dor nas costas, dor muscular e falta de energia.

O estágio febril é seguido pelo estágio de erupção cutânea, com duração de 2 a 4 semanas. A proporção de pacientes que morrem variou entre 0 e 11% em casos documentados e foi maior entre crianças.

Tratamento e prevenção

Segundo a OMS, o tratamento de pacientes com varíola do macaco depende dos sintomas. A prevenção e o controle dependem da conscientização das comunidades e da educação dos profissionais de saúde para prevenir a infecção e interromper a transmissão.

A maioria das infecções resulta de uma transmissão primária de animal para humano. Assim, a OMS recomenda que o contato com animais doentes ou mortos deve ser evitado, e todos os alimentos que contenham carne ou partes de animais sejam devidamente cozidos antes de serem consumidos.

O contato próximo com pessoas infectadas ou materiais contaminados deve ser evitado. Luvas e outras roupas e equipamentos de proteção individual devem ser usados ​​ao cuidar dos doentes, seja em uma unidade de saúde ou em casa.

De acordo com a OMS, as populações se tornaram mais suscetíveis à varíola como resultado do término da vacinação de rotina, que oferecia alguma proteção cruzada no passado.

A vacinação contra a doença mostrou ser 85% eficaz na prevenção da varíola dos macacos no passado.

Com informações do site ONU News e DW