Seguindo orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) que preconiza “testar, monitorar, cuidar e vacinar”, a Secretaria de Saúde de Aparecida já consolidou a testagem ampla e agora também o sequenciamento como determinantes na estratégia local de enfrentamento à pandemia da covid-19

A Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia (SMS) comprovou nesta quinta-feira, 6 de janeiro, o primeiro óbito no Brasil pela variante ômicron. Antes, em 12 de dezembro, a pasta anunciava a descoberta dos dois primeiros casos de infecção pela linhagem no município e em 27 de dezembro declarava a transmissão comunitária da ômicron na cidade. Essas descobertas foram possíveis graças ao Programa Municipal de Sequenciamento Genômico que tem feito a análise de amostras positivas de RT-PCR coletadas no município para mapear a informação genética e identificar as variantes do SARS-CoV-2 em circulação.

“Estudamos o assunto desde o início da pandemia, observamos os avanços da Ciência, conversamos com especialistas e investimos com planejamento. Assim, nosso pessoal da Saúde implantou um sequenciamento eficaz e a testagem ampla, duas estratégias que se completam. Quanto mais testamos, e já o fizemos com mais de 2 terços da nossa população, mais conseguimos diagnósticos da covid-19 e daí podemos investigar cada caso para saber qual é a variante do vírus. Dessa forma, conhecemos melhor o retrato local da pandemia e podemos nos antecipar com iniciativas para deter a circulação viral e impedir agravamentos que podem levar a internações e até à morte”, destaca o prefeito Gustavo Mendanha.

Nesse sentido, o secretário de Saúde Alessandro Magalhães informa que já foram realizados na cidade, até esta quinta-feira, 6, 417.637 testes do tipo RT-PCR, considerado o padrão ouro para diagnóstico da covid-19. Quanto aos sequenciamentos genômicos, já foram analisadas 2.386 amostras. Graças a esse trabalho, Aparecida pôde identificar 55 casos da variante ômicron, que já tem prevalência de 93,5% no município.

“Trabalhamos com ênfase em diagnósticos precisos e oportunos para poder monitorar e tratar os casos devidamente, inclusive com suporte de exames laboratoriais. Aparecida é a cidade que mais testa com RT-PCR em Goiás, e, por causa dessa ampla testagem, conhecemos a incidência de casos de Covid-19 e estabelecemos estratégias para conter a transmissão do vírus. Infelizmente, o mesmo não acontece com cidades que não testam ou testam pouco porque não têm uma visão precisa da circulação viral em seus territórios”, afirma o secretário.

Menor mortalidade

Alessandro Magalhães pontua que “quando uma cidade se restringe a testar só os casos graves, ao contrário de Aparecida, que testa mesmo os casos brandos, a incidência é menor, mas a letalidade é maior, como pode ser visto quando se compara os dados da letalidade em Aparecida (1,9) e do Estado de Goiás (2,7). Assim, Aparecida tem taxa de mortalidade menor do que a de Goiás porque se antecipa nos cuidados às pessoas e busca o diagnóstico para intervir o quanto antes no tratamento de cada indivíduo”.

Sequenciamento genômico
Foto: Rodrigo Estrela

Sequenciamento fundamental

O Programa de Sequenciamento Genômico da Prefeitura de Aparecida é considerado a maior estratégia de vigilância genômica já realizada em uma cidade brasileira segundo a plataforma internacional GISAID, entidade com banco de dados sobre genomas de vírus. Para realizar o sequenciamento, segundo a diretora de Avaliação de Políticas de Saúde da SMS, Érika Lopes, que coordena o Programa, as amostras de material coletadas para a realização dos RT-PCR’s que têm resultado positivo para a covid-19 são armazenadas e sequenciadas.

“Vale lembrar que as mutações do novo coronavírus no Brasil, no Reino Unido e na África do Sul foram detectadas pelo sequenciamento, o que permite conhecer as variantes do vírus, decidir ações e até mesmo atualizar vacinas. Ciente da importância desse trabalho, a Saúde de Aparecida investiu na contratação de parceiros que dispusessem de tecnologia e equipe treinada para a realização do sequenciamento”, reforça Érika Lopes.

Ela ainda acrescenta que o Programa Municipal de Sequenciamento analisa amostras colhidas durante a realização do RT-PCR que tenham uma carga viral mínima e com os seguintes critérios: pacientes com suspeita de reinfecção, pacientes de baixo risco que precisaram de internação e pacientes aleatórios agrupados por semana epidemiológica. A gestora destaca também que o Programa atua junto com a Vigilância em Saúde, que colhe informações importantes dos pacientes diagnosticados com a doença.

Vigilância minuciosa

A superintendente de Vigilância em Saúde, Daniela Ribeiro, informa que as equipes do setor rastreiam os contatos dos pacientes infectados para ampliar o sequenciamento e investigar cada caso com rigor científico. Com isso, foi possível confirmar a transmissão comunitária e agora o primeiro óbito pela ômicron. “Tenho repetido que quem procura, acha. Em Aparecida testamos, investigamos e sequenciamos, por isso podemos alertar o Estado e até o País em situações como a atual. Nosso trabalho é minucioso e ainda mais essencial em tempos de pandemia,” enfatiza a superintendente.

Foto: Rodrigo Estrela

Testagem ampla permanente

“A SMS tem na testagem um dos alicerces do enfrentamento à covid-19 em Aparecida porque ela mostra o cenário da pandemia e não testar pode mascarar casos. A testagem em massa feita aqui tem contribuído para embasar estratégias bem-sucedidas e é por isso que aqui temos números de letalidade, mortalidade e de ocupação de leitos menores quando comparados ao Estado, ao País e à Capital, Goiânia”, argumenta o secretário Alessandro.

A prevenção tem que continuar

O gestor reforça, categoricamente, que as medidas preventivas contra a covid-19 precisam ser mantidas pela população: “O uso correto de máscara, tapando o nariz e a boca, a ventilação dos ambientes, a higienização das mãos e o distanciamento social continuam indispensáveis, mesmo para quem já se vacinou. E sobretudo é preciso se vacinar, quem já está na hora de receber a imunização deve fazê-lo o quanto antes e estar em dia com as doses de seu esquema vacinal. A vacinação, com qualquer um dos imunizantes disponíveis no Brasil, é fundamental e continua salvando vidas”.