A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar a compra de 19 toneladas de bisteca, pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) – durante governo de Jair Bolsonaro (PL) que deveriam, mas nunca foram entregues às comunidades que vivem no Vale do Javari. A informação foi confirmada pelo ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), na terça-feira(16).
Escândalo foi denunciado pelo Estadão que mostra ainda a compra de outras carnes durante a pandemia, destinadas a famílias de indígena, mas que nunca chegaram até as tribos.
O caso foi revelado pelo jornal Estado de S. Paulo nesta semana em uma série de reportagens sobre compras do governo federal. De acordo com a publicação, 19 toneladas de bisteca foram adquiridos pela Funai para comunidades indígenas que vivem na região do Alto Solimões, no Amazonas. Nos entanto, os moradores da região do Vale do Javari – que se tornou conhecida por ser a região onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados – nunca receberam os alimentos.
A reportagem também revelou que o órgão pagou R$ 260 por quilo de pescoço de galinha que seriam enviados a indígenas das etnias Mura, além de funcionários da própria Funai em Manicoré (AM). Sardinha e linguiça calabresa também foram comprados pelo órgão para indígenas Yanomâmi, que não consomem este tipo de alimento.
carne de pescoço de frango foi superfaturada, 24 vezes maior que preços pagos anteriormente. Ao todo, no lote, foram comprados 20 quilos, totalizando R$ 5.200. Mas os gastos são maiores. Entre os anos de 2020 e 2022, período da pandemia, o governo Bolsonaro desembolsou R$ 927,5 mil com a compra de outras carnes, que também seriam destinadas a indígenas. Além do superfaturamento nos preços, o governo desconsiderou que este tipo de alimentação não é adequada aos indígenas.
A reportagem apurou que a coordenação regional da Funai na cidade de Rio de Madeira (AM) adquiriu mais de uma tonelada de carnes dos tipos charque, maminha de alcatra e coxão duro, além de latas de presunto, que seriam destinadas a tribos durante a pandemia da Covid-19.
No entanto, nem a carne de pescoço superfaturada que seria distribuída à tribo indígena Mura e funcionários da Funai, nem as demais carnes foram entregues às tribos. Muitas enfrentam situações de desnutrição e fome.
As carnes fariam parte de cestas básicas entregues a famílias, mas os relatos dos indígenas é de que quando as cestas chegaram, havia somente arroz, feijão, macarrão, farinha de milho, leite e açúcar.
Sem licitação
Além do preço exorbitante, o contrato para compra da carne de pescoço de frango foi feito sem licitação com uma empresa de propriedade de um dos filhos do ex-prefeito de Humaitá (AM), Herivaneo Vieira Oliveira, do mesmo partido de Bolsonaro.
Oliveira já foi preso por ataques a órgãos ambientais.