“Querem vir frequentar os butecos do Laranjeiras? São bem vindos, mas que venham de Uber, porque álcool e direção não combinam”, desabafa moradora.
A comunidade do Parque das Laranjeiras, na Região Leste de Goiânia, está revoltada com um projeto proposto pela vereadora Rose Cruvinel (União Brasil) que pretende substituir áreas verdes por vagas de estacionamento. Um abaixo assinado que já conta com 2 mil assinaturas pede que o prefeito Sandro Mabel (União Brasil) vete este projeto.
Um audiência pública foi marcada para esta quarta-feira (26), às 18 horas, mas o clima de insatisfação já ficou evidente na noite de terça-feira (25), quando uma manifestação convocada pelo vereador Fabrício Rosa (PT) mobilizou dezenas de moradores.
Durante o ato, moradores do Parque das Laranjeiras fizeram discursos de repúdio contra o que classificaram como “estratégia insana”. O projeto em questão prevê a criação de 190 vagas de estacionamento ao longo das vias do bairro, especialmente na Alameda dos Flamboyants.
Quando foi inaugurado em 1970, o Parque das Laranjeiras era o mais arborizado de Goiânia. A Avenida Flamboyant, como diz o nome, tinha Flamboyants plantados nos dois lados da pista, as residências ao longo da via e das demais ruas do bairro, entregues com jardins e áreas verdes, parques, configurado o bairro um local aprazível para os moradores. É por isso que os moradores rejeitam majoritariamente a proposta da vereadora Rose Cruvinel, aliada do governador Ronaldo Caiado e do prefeito Sandro Mabel. É um projeto que desfigura o bairro, que hoje concentra à sua a maioria idosos e casais com filhos.
“O projeto da vereadora Rose Cruvinel acaba com a tranquilidade do Parque das Laranjeiras e transforma o bairro numa área de lazer dos condomínios fechados que rodeiam a região. Então as pessoas que tem maior renda, onde provavelmente a vereadora mora, exigem mais estacionamentos para continuar frequentando os butecos do bairro. Que eles venham de Uber, pois quem vai para buteco beber não pode vir de carro e dirigir bêbado pelas nossas ruas. São muito bem vindos os vizinhos dos condomínios, mas venham de Uber, deixem o carro em casa e parem de exigir estacionamento e querer acabar com as árvores e com o sossego do Parque das Laranjeiras. “Querem vir frequentar os butecos do Laranjeiras? São bem vindos, mas que venham de Uber, porque álcool e direção não combinam”, desabafa Euza Ferreira, 92 anos, moradora do bairro há mais de 30 anos.

Proposta pelo mandato de Fabrício Rosa, a audiência púbica será realizada na Praça dos Namorados, no Parque das Laranjeiras, e representa oportunidade crucial para a comunidade ser ouvida por gestores públicos. Além disso, o mandato também entrou com liminar e com processo judicial (número 5977167-27.2025.8.09.0051) para impedir o prosseguimento do projeto.
Em ato simbólico de resistência e de proposição, moradores, junto com o Instituto Plantadores de Água, organizaram “O Plantio da Resistência”, que consiste em uma manhã dedicada à plantação de árvores, na Praça das Mangueiras, no Parque das Laranjeiras, neste sábado, das 8 às 11 horas.
Em publicação no Instagram, o instituto afirma que a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) não autorizou a retirada de árvores e que esse tipo de projeto deve ser discutido com a comunidade.
Abaixo assinado
Mais de duas mil pessoas já assinaram o abaixo assinado contra a derrubada das árvores e destruição de áreas verdes para criar vagas de estacionamento para quem quer ir tomar cachaça no bairro.
Link para o abaixo assinado:
https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR155689

Projeto e mobilização
Um plano inicial, elaborado por empresários, chegou a incluir mais de 500 vagas, sendo 330 em áreas verdes, mas foi negado pela Prefeitura de Goiânia, que finaliza o projeto. A justificativa para a intervenção é atender ao comércio local, em especial bares e restaurantes.
No entanto, moradores apontam problemas e já iniciaram um abaixo-assinado online em protesto. Os principais pontos de contestação incluem: destruição desnecessária de áreas verdes; falta de diálogo com moradores; interesses privados sobre o coletivo; risco ambiental e de alagamento. Por fim, substituir áreas verdes por concreto elimina benefícios essenciais para a qualidade de vida urbana, como a regulação térmica, a purificação do ar e a permeabilização do solo.
O sentimento que ecoou na manifestação de terça-feira e que deve guiar a audiência pública foi resumido em uma frase dos moradores:
“Querem vir aos butecos no Parque das Laranjeiras? Venham de UBER, poupem as árvores, porque álcool e direção não combinam!”.