No vídeo, o povo argentino é alertado de que no Brasil um político prometeu que faria tudo diferente, mas terminou prejudicando o povo, piorando a situação do Brasil e acusado de corrupção

O jornalista Guga Noblat, postou nas suas redes sociais, vídeo onde o narrador conta a história do candidato dito “antistema” que ganhou as eleições no Brasil, mas quando assumiu a presidência, fez tudo para ajudar os ricos e ria da desgraça dos pobres.

“Este homem se diz um patriota, mas odeia todos em seu país. Este homem conta piada para parecer engraçado, mas só sabe rir da desgraça dos outros. Este homem diz que é contra a corrupção, mas é um mentiroso profissional”, diz o vídeo. “Disseram que com este homem tudo seria diferente, mas tudo mudou para pior. Este homem não é o que você pensa. No Brasil, este homem foi eleito e foi um pesadelo. A Argentina não precisa passar por isso. Nestas eleições, não se engane. Argentina, diga-me como se sente”.

 

Veja o vídeo

 

Eleição marcada por radicalismo

Para o jornalista Felipe Bianchi, do ComunicaSul, a eleição do candidato da extrema direita, Javier Milei, como novo presidente da Argentina “é uma possibilidade real”. Direto de Buenos Aires, ele participou nesta sexta-feira (20) de uma entrevista ao Diário do Centro do Mundo (DCM) sobre as expectativas em relação à disputa nas eleições argentinas. Os eleitores vão às urnas no próximo domingo (22) para escolher o sucessor de Alberto Fernández.

“Está tudo em aberto, e assusta”, afirmou Bianchi. “Adoraria vir aqui ‘dourar a pílula’, falar que vamos retomar um projeto de soberania e desenvolvimento, mas seria faltar com a verdade. Milei tem, sim, chances de levar”, alertou.

Das últimas pesquisas divulgadas na semana passada, Milei aparece liderando em duas. Num terceiro levantamento, do instituto AtlasIntel, o atual ministro da Economia e candidato do peronismo, Sergio Massa, aparece à frente na disputa.

Bianchi chama a atenção para uma espécie de “voto envergonhado” em Milei, que os institutos de pesquisa não conseguem captar. Foi o que ocorreu, por exemplo, durante as eleições primárias. As pesquisas indicavam que ele teria em torno de 20% dos votos, mas Milei acabou ficando em primeiro, com cerca de 29%.

De acordo com Bianchi, o cenário é mais complicado num eventual segundo turno. Isso porque os votos da candidata Patricia Bullrich iriam principalmente para Milei, conforme apontam as pesquisas.

“Se você pegar o programa e as propagandas da Bullrich, é muito parecido com Milei. A diferença é que ele tem essa coisa do ridículo, do grotesto. Mas Bullrich é aquela cara emburrada, falando em reprimir bandidos, um discurso terrível. Então não dá para esperar muito que esse voto migre para Massa”, afirmou.

Tiro no escuro

O jornalista destacou que há uma “insegurança muito grande” em relação aos planos de Milei para a economia. Sua proposta central é dolarizar a Argentina, como solução para a inflação galopante no país. Para Bianchi, trata-se de uma ideia “escabrosa”, já que o país enfrenta um problema crônico de falta de divisas, em função dos constantes déficits na balança comercial. Nesse sentido, ele prevê que o “mercado” deve reagir de forma preocupante, já próxima segunda-feira, caso Milei apareça em primeiro após a abertura das urnas.

Para Bianchi, Milei não é um candidato “antissistema”, conforme costuma ser retratado em análises na Argentina e também no Brasil. “Pelo contrário, o sistema está com ele. Ele é um “turbotecnofascista”, como diz a (filósofa e escritora) Márcia Tiburi”.

Semelhanças e diferenças com o Brasil

Uma das semelhança com o Brasil, segundo ele, é o comportamento da mídia. Assim como aconteceu com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018, ele afirmou que a imprensa argentina não apoia Milei abertamente, mas atua para “naturalizar” os absurdos do seu discurso.

“O que eu vejo não é um apoio a Milei, mas uma naturalização. Ele vai à televisão falar as barbaridades dele, e os repórteres fazem cara de paisagem ou até de deslumbre. Hoje, por exemplo, a campanha de Milei está dizendo que vai privatizar o mar, o espaço marítimo. O problema é que a mídia vai tratando isso como se fosse uma simples proposta. Então tem uma certa naturalização”.

Por outro lado, ele afirmou que o peronismo e os setores progressistas estão mais mobilizados, em comparação com a esquerda brasileira em 2018. “Se conversar com os populares, tem muitos deles falando ‘não voto no Milei nem a pau’”.

Outra diferença, segundo ele, é que não há o “fantasma” dos militares, como no Brasil. Ainda assim, Milei tenta minimizar os crimes cometidos pela ditadura argentina. Em vez dos cerca de 30 mil mortos e desaparecidos, ele afirma que teriam sido “apenas” 8 mil vítimas.

Filme de terror

Ao acompanhar a militância de Milei, composta majoritariamente por jovens radicalizados, Bianchi comparou a filmes distópicos sobre regimes totalitários. Já o próprio candidato, que aparece tanto em comícios como na propaganda oficial empunhando uma serra elétrica, se parece mais com um vilão de filme de terror de segunda linha.

A motoserra, segundo o jornalista, seria o equivalente ao gesto de arma popularizado por Bolsonaro. Em vez da “petralhada”, Milei mira a motossera contra “la casta” – elites política, econômica e sindical que ele aponta como causa da crise.

Assim como Bolsonaro, Milei também não conta com uma base partidária sólida. A diferença, segundo Bianchi, é que o quadro partidário argentino é mais bem definido, com menos espaço para legendas fisiológicas disputas a apoiar qualquer governo.

“Muita gente fala que Milei não consegue sustentar seis meses de governo”.