A edição de 2026 do MotoGP  não é para pobre. Os valores dos ingressos afastam a massa goianiense, que sempre curtiu o autódromo.

 

O retorno das lendas do motociclismo à capital não consagrou o estilo popular das primeiras edições. A elitização fica clara com bilhetes vendidos  a R$ 3.500,00.
A estratégia de vendas deste ano deixou o público geral em um beco sem saída. Os ingressos de arquibancada descoberta, que custavam a partir de R$ 480,00 (inteira) — valor já considerado alto por muitos — esgotaram em poucas horas após a abertura das vendas.

Sem a opção mais barata disponível, o torcedor que decidir ir ao autódromo de última hora é empurrado para os setores de elite, onde os preços saltam drasticamente.

Em 1989, o GP de Goiânia era acessível. Um ingresso para a área coberta custava cerca de NCz$ 80,00. Se atualizarmos esse valor pelo IPCA até março de 2026, o preço corrigido deveria ser de aproximadamente R$ 554,00.
No entanto, o valor praticado hoje no Setor A (Arquibancada Principal) representa um aumento real de mais de 530% acima da inflação. Na prática, um único bilhete consome mais de dois salários mínimos inteiros, deixando o “verdadeiro fã” do lado de fora dos portões.

 Arquibancada Descoberta | R$ 480,00 | ESGOTADO |
Arquibancada Curva do Sol | R$ 750,00 | ESGOTADO |
 Arquibancada Principal (A) | R$ 3.500,00 | Disponível |
Paddock Club | R$ 9.200,00 | Disponível |

 

O governo de Goiás gastou R$ 250 milhões para modernizar a pista do Autódromo de Goiânia. Será que não haviam outras prioridades, como, por exemplo, duplicar a rodovia GO-20 que liga Goiânia a Catalão, na divisa como Minas Gerais?