Marconi inicia campanha de recuperação política

Marconi inicia campanha de recuperação política

Nas redes sociais ex-governador dedica espaço para relatar que foi alvo de arbitrariedade e tentativa de cancelamento político por law fare

A decisão do Supremo Tribunal Federal pelo arquivamento da Operação Cash Delivery o ex-governador Marconi Perillo vem se dedicado a se reposicionar politicamente junto eleitor goiano. Durante a entrevista coletiva que concedeu no dia 15/05, Marconi tem enfatizado o caráter de perseguição política e judicial do qual foi alvo:

“À medida em que há esta decisão do STF de anular todas as provas, liquidar com esta famigerada ação, fica muito claro que houve uma sórdida armação política, com o único objetivo de me derrotar como candidato ao Senado”.

Reprodução: Pesquisa Grupom divulgada no dia 21/05/2018 pelo DM

Pesquisa do Instituto Grupom, divulgada em 21 de maio de 2018 no Diário da Manhã, colocava o tucano em primeiro lugar na corrida por uma das duas vagas no Senado. Marconi tinha 27,1%, tecnicamente empatado com Lúcia Vânia (PSB), que somava 25,1% naquela eleição em que disputaria a sua reeleição. O resultado final, no entanto foi outro. Como efeito da Cash Delibery e do ambiente de anti-política instaurado pelo bolsonarismo,  ambos perderam o pleito, com Marconi totalizando 416 mil votos e Lúcia, 519 mil. Os candidatos mais alinhados ao presidente Jair Bolsonaro – Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru -, foram os vitoriosos.

Pelo twitter e instagram, Marconi Perillo retoma a defesa de sua trajetória política, ao mesmo tempo em que destaca que foi vítima de uma injustiça.

Law fare, a guerra política através do direito

O termo inglês, law fare, nunca esteve tão em voga na língua brasileira, e significa, numa tradução mais literal, “o uso do direito como arma de guerra”. Cristiano Zanin, advogado que defendeu o ex-presidente da Agetop, Jayme Ricon e também o ex-presidente Lula, lançou na versão inglesa o seu  livro “Lawfare: uma introdução (Lawfare – Waging war through law), escrito também com ajuda dos advogados  Rafael Valim e Valeska Martins e prefácio do professor John Comaroff, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. 

Valeska Martins, em entrevista o site jurídico Conjur explica que o “o lawfare é uma forma de guerra que se utiliza das mesmas dimensões da guerra convencional, mas por ocorrer em um ambiente jurídico é difícil detectar o fenômeno e combate-lo”.

Já Cristiano Zanin afirma que “o lawfare é um fenômeno mundial que pode causar danos irreversíveis a pessoas, empresas, agentes públicos e até às democracias e por isso estamos muito felizes que agora nossa obra conceitual sobre o tema estará disponível também em língua inglesa”.

Casos no Brasil e no mundo

O interesse do trio de autores pelo tema não é de hoje. Em 2017 eles criaram o Lawfare Institute, que tem como objetivo conduzir pesquisas multidisciplinares e denunciar casos de lawfare ao redor do globo. 

Além de introduzir conceitos envolvendo o lawfare, a obra faz o estudo de três casos. São analisados os processos envolvendo o ex-presidente Lula, defendido por Zanin e Valeska; o caso Siemens; e a investigação contra o senador republicado Ted Stevens, durante a presidência de Barack Obama. Numa nova edição um novo capítulo sobre a “Lava Jato do Cerrado”, que focou no ex-governador Marconi Perillo também poderia ser acrescentado.