“O Presidente dos Estados Unidos pretende impor, de maneira totalmente irracional, um suposto bloqueio naval militar à Venezuela com o objetivo de roubar as riquezas que pertencem à nossa nação”, denunciou em comunicado o governo venezuelano após grotesca ameaça de Trump através de sua rede social.
https://x.com/i/status/200141903216420902
“A Venezuela, em pleno exercício do Direito Internacional que nos protege, de nossa Constituição e das leis da República, reafirma sua soberania sobre todos os seus recursos naturais, bem como o direito à livre navegação e ao livre comércio no Mar do Caribe e nos oceanos do mundo”, sublinha o comunicado, que assinala a “estrita observância da Carta da ONU” diante dessas “ameaças belicistas”.
“O Sr. Donald Trump, sem rodeios, utiliza a seguinte expressão intervencionista e colonialista: ‘até que todo o petróleo, terras e outros bens que nos foram roubados sejam devolvidos aos Estados Unidos’. Sua verdadeira intenção, denunciada pela Venezuela e pelo povo dos Estados Unidos em grandes manifestações, sempre foi a de se apropriar do petróleo, das terras e dos minerais do país por meio de campanhas massivas de mentiras e manipulação.”
A proclamação de Caracas conclama “o povo dos Estados Unidos e os povos do mundo a rejeitarem por todos os meios esta ameaça extravagante” e destaca que o embaixador venezuelano na ONU “denunciará imediatamente esta grave violação do Direito Internacional contra a Venezuela.”
O país caribenho detém cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo, ou mais de 300 bilhões de barris, quase quatro vezes o volume dos Estados Unidos. E nenhum país tem uma presença maior na indústria petrolífera venezuelana do que a China
Trump quer petróleo venezuelano
Trump deixou claro publicamente seu interesse no controle das reservas venezuelanas. Em um discurso a republicanos na Carolina do Norte, em 2023, quatro anos após ter apoiado, em seu primeiro mandato, esforços para derrubar Maduro, Trump afirmou: “Quando saí, a Venezuela estava pronta para colapsar. Nós teríamos assumido o controle, teríamos ficado com todo aquele petróleo, tudo ali do lado”.
O papel do petróleo na escalada das tensões entre Maduro e Trump foi ressaltado pela dramática apreensão, na semana passada, de um navio-tanque pelos EUA. A embarcação cruzava o Mar do Caribe transportando petróleo destinado a Cuba e à China. Trump disse que ficaria com a carga, embora sua autoridade legal para isso seja questionável.
Lula alerta para risco de guerra na América Latina
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou forte preocupação com as atitudes do governo Trump e com a possibilidade de um conflito armado na região. Durante reunião ministerial na Granja do Torto, Lula afirmou que o país precisa estar “muito atento” às ameaças contra a América Latina.
“Estou preocupado com a América Latina. Estou preocupado com as atitudes do presidente Trump, com as ameaças. Nós vamos ter que ficar muito atentos com essa questão”, declarou. Lula revelou ainda que se ofereceu para atuar como interlocutor entre Washington e Caracas, defendendo o diálogo como alternativa à guerra. “O poder da palavra pode valer mais do que o poder da arma”, disse.
O presidente chegou a pedir que o chanceler Mauro Vieira não se ausente durante o recesso, diante do risco de uma crise militar iminente, e ressaltou que não se pode romper a tradição histórica de paz do continente sul-americano. “Aqui não temos armas nucleares nem o hábito da guerra”, afirmou.
China e Rússia reagem à ofensiva dos EUA
A escalada norte-americana também provocou forte reação internacional. O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, declarou que Pequim rejeita “toda forma de assédio unilateral” e manifestou apoio à soberania da Venezuela durante conversa com o chanceler venezuelano Yvan Gil.
Já o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que está à disposição para atender um eventual pedido de ajuda de Caracas e alertou que os ataques dos Estados Unidos podem gerar “consequências imprevisíveis” para todo o mundo ocidental. O presidente russo, Vladimir Putin, reiterou solidariedade a Maduro e reforçou a intenção de ampliar a cooperação bilateral, especialmente no setor energético.
Petróleo no centro da disputa imperial
Apesar das sanções e do bloqueio, o governo venezuelano afirma que a exportação de petróleo segue em funcionamento, com apoio técnico e jurídico da PDVSA. Ainda assim, especialistas alertam que a ofensiva dos EUA representa um salto qualitativo na agressão contra a Venezuela e pode desestabilizar toda a região.
Para governos progressistas, partidos de esquerda e analistas internacionais, a crise escancara o verdadeiro objetivo da política de Trump: tomar, pela força, o controle sobre as riquezas energéticas venezuelanas. Um movimento que, além de ilegal, coloca em risco a paz regional e reforça a necessidade de uma resposta firme da comunidade internacional contra o imperialismo e em defesa da soberania dos povos.
Com agências