Lula quer ampliar a produção nacional de fertilizantes, que consomem US$ 25 bilhões por ano em importações

Lula quer ampliar a produção nacional de fertilizantes, que consomem US$ 25 bilhões por ano em importações

Mais de 87% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados com custo de US$ 25 bilhões por ano, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Esta dependência torna o país refém do mercado externo e resulta em potenciais riscos à produção brasileira quando ocorrem, por exemplo, conflitos que envolvem os principais fornecedores. É o caso da guerra no leste europeu entre Rússia e Ucrânia e, mais recentemente, o conflito no Oriente Médio entre Israel e Hamas, como explica a advogada e integrante da Comissão de Direito Ambiental da OAB/RS, Luísa Garcia.

“A gente sabe que teve questões de tragédias, entre outras, mas a principal preocupação do mercado brasileiro era com relação aos fertilizantes. Já se sabe que Israel é um dos maiores produtores do mundo de fertilizantes agrícolas, e o Brasil é um dos exportadores. No momento que se estourou a guerra, a maior preocupação foi essa”, argumenta.

Segundo especialistas, o solo brasileiro não possui todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento das plantações. Isso aumenta a necessidade de fertilizantes para ganho de produtividade no país. Como consequência, o Brasil é o quarto que mais consome fertilizantes no mundo, atrás de China, Índia e Estados Unidos.

O produto impacta diretamente na economia brasileira, já que a agropecuária depende do insumo e é responsável por cerca de 47,5% da taxa de crescimento do PIB em 2023, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA). Conforme a entidade, o agro fechou 2022 com exportações recordes de US$ 159,1 bilhões. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 2020, o agronegócio brasileiro foi responsável por 48% do total das exportações brasileiras.

De acordo com dados do Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), a indústria de fertilizantes brasileira contribui com aproximadamente 2,2% do PIB do agronegócio; 6,0% do PIB da agropecuária; e cerca de 15% do PIB da cadeia de insumos. Além disso, o setor é responsável por mais de 28 mil empregos diretos e indiretos.

Lula destacou a importância da soberania e autossuficiência do Brasil em relação aos fertilizantes. Para o presidente, é preciso aumentar os investimentos nesse setor para desenvolver ainda mais o agronegócio do país.

Lula quer independência na produção de fertilizantes

O jornalista Miguel do Rosário, editor do site O Cafezinho, argumenta que é correta a decisão do governo do presidente Lula em estimular a produção própria de fertilizantes. O presidente enfatizou a necessidade de produção própria na inauguração do Complexo Mineroindustrial da EuroChem, em Serra do Salitre, Minas Gerais. Toda a produção do local será destinada ao mercado interno, com previsão de fornecer 1 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados por ano para a agricultura brasileira, o equivalente a 15% da produção nacional.

“Nós queremos deixar de ser importador”, disse Lula. “O ano passado foram US$ 25 bilhões que nós pagamos para importar fertilizante para o Brasil. Esse dinheiro poderia ter sido pago para empresários aqui dentro, que geram emprego aqui dentro, que geram salário aqui dentro e que geram qualidade de vida aqui dentro”, acrescentou o presidente, convidando os empresários da EuroChem a investir mais no Brasil.

Para Miguel do Rosário, a decisão do governo federal vai de encontro com a necessidade objetiva do país, de não depender de fontes externas para o produto, que além de vital para o agronegócio, representa também uma grande fonte de evasão de divisas, visto que, somente nos últimos dez anos, o Brasil importou cerca de US$ 110 bilhões de dólares, ao em torno de R$ 552 bilhões de reais, segundo levantamento feito pelo jornalista.

“As despesas com a importação de fertilizante explodiram em 2022, em virtude da guerra na Ucrânia e do aumento no preço internacional desses produtos. O preço médio da tonelada de fertilizante importada pelo Brasil passou de US$ 350 em 2021 para US$ 620 em 2022. Em 2023, voltou à média dos anos anteriores, ficando novamente em torno de US$ 350 por tonelada”, disse Lula.

 

Globo e TCU na contramão

Miguel do Rosário também fez críticas à matéria da  jornalista Malu Gaspar,  no jornal O Globo, que cita um suposto relatório de um “servidor anônimo do TCU”, que teria dito que a operação da Petrobrás para reativar duas importantes fábricas de fertilizantes daria um prejuízo de R$ 500 milhões.

“A reportagem manipula a informação para tratar essa previsão tosca (o que o TCU entende de fertilizantes?), feita por um órgão que não tem, obviamente, expertise para fazer esse tipo de análise, como um “prejuízo” já contabilizado pela Petrobrás”, critica Rosário.

O jornalista ressalta que a empresa Unigel, que arrendou as fábricas da Petrobrás em 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), paralisou a produção este ano alegando que os preços caíram. “Ora, isso é uma palhaçada! Quer dizer que a Unigel só está disposta a produzir fertilizantes se estes estiverem a um preço absurdamente acima da média dos últimos anos?”, dispara.

Finalizando, Miguel do Rosário faz uma advertência:

“Espera-se que o TCU não volte à prática, tão comum durante a “era lavajatista” de se imiscuir na economia brasileira. Porém, mais importante que isso, uma corporação midiática como a Globo, que recebe milhões e milhões de reais de publicidade do governo federal, não deveria voltar a agir, como fez durante a Lava Jato, contra a ordem econômica nacional!”.

Com informações do Brasil61 e site O Cafezinho