O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende formalizar nesta terça-feira (20) uma proposta de abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de sua família, incluindo a primeira-dama Janja e o filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A iniciativa prevê que o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno da eleição presidencial, também apresente informações financeiras de seus familiares, empresas e contas mantidas no exterior. Netos do presidente também estão entregando os sigilos à disposição da Justiça, reforçando a transparência da família Lula da Silva, e cobrando o mesmo gesto da familia Bolsonaro.

Família Lula vs Família Bolsonaro

No caso de Lula, a autorização abrangeria, além do próprio presidente, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e seus cinco filhos: Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Cláudio Lula da Silva. O documento também deverá mencionar a participação societária do presidente na LILS, empresa criada em 2011 para administrar suas atividades de palestras. Lula figura como sócio não administrador da companhia.

Neta de Lula abre sigilo

Em relação à família Bolsonaro, o pedido de transparência envolveria a esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, seus pais, Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, e os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro.

“Os meus advogados estão lá em Brasília, no Supremo Tribunal Federal, entregando um documento meu, pedindo a quebra do meu sigilo bancário e telefônico, e exigindo que o Bolsonaro faça o mesmo. O meu e o dos filhos, da Janja. E que ele faça também da família dele, o pai dele que está preso”, disse Lula.

Segundo o presidente, o objetivo é que a população saiba “quem é que é ladrão nesse país, quem é que é corrupto”.

“Eu quero ver se ele tem coragem de abrir o sigilo bancário dele, o sigilo telefônico dele. Ou seja, da pessoa física e da pessoa jurídica”, afirmou. “Vamos ver se ele tem coragem de abrir a vida secreta dele”, desafiou Lula.

 

#abreosigloFlávio
A hastag #abreosigiloFlávio viralizou nas redes sociais, depois que o presidente Lula fez o desafio da quebra dos sigilos ao senador Flávio Bolsonaro. A intenção da equipe presidencial é condicionar a entrega dos documentos à concordância de Flávio Bolsonaro com a apresentação de informações equivalentes. Assim, os dados das duas famílias seriam disponibilizados ao mesmo tempo, em uma iniciativa que Lula pretende estender “a toda a sociedade brasileira”.

A proposta ganhou força depois do primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band no domingo (18). Durante o confronto, os candidatos trocaram acusações relacionadas a corrupção, patrimônio e investigações envolvendo pessoas próximas.

Lulinha desafia Flávio

Flávio Bolsonaro questionou o presidente sobre a situação de Lulinha, mencionado em investigações relativas a irregularidades no INSS. Lula respondeu que o filho já havia autorizado a Polícia Federal a acessar suas informações bancárias e telefônicas.  Em entrevista à CNN Brasil, Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta segunda-feira (19) ter entregado sigilos fiscal, bancário e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O presidente também cobrou esclarecimentos do senador sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e mencionou um pedido de R$ 134 milhões destinado ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante o debate, Lula sugeriu que ambos entregassem seus documentos aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE, para que eventuais irregularidades pudessem ser examinadas antes da votação.

Flávio Bolsonaro afirmou que não tinha nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria a abertura simultânea dos sigilos. O senador também acusou Lula de manter recursos fora de suas contas bancárias, sem apresentar provas durante o confronto.

Com agências