Em ato de encerramento da campanha que reuniu mais de 100 mil pessoas neste sábado, 3, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Avenida Paulista não será transformada em “palanque da extrema-direita”.

“A Paulista não é da direita, é do povo brasileiro! Portanto, amanhã nós vamos votar e no primeiro turno nós vamos ocupar a Paulista!”, declarou o presidente no último comício da campanha eleitoral antes do primeiro turno.

Estavam na caminhonete com ele a primeira-dama, Janja, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e seus candidatos a governador e vice de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB), e ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). Na sexta-feira, 2, a Prefeitura de São Paulo tentou impedir a passeata de Lula na Paulista, mas a Justiça garantiu o direito do presidente de realizar o ato.

 

 

A democracia e a barbárie

Lula afirmou que o Brasil está “a poucas horas de fazer o maior gesto da revolução democrática deste país” e que há dois lados nesta eleição: o da democracia, que defende os direitos humanos, a educação, a mobilidade urbana, a ciência, a tecnologia e a soberania; e o da barbárie, que é contra a cultura e que acabou com os ministérios da Indústria e Comércio, do Trabalho, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos e das Mulheres.

 “Essa caminhada é a caminhada que prendeu a quadrilha da Previdência Social criada por [Jair] Bolsonaro. Essa caminhada é a caminhada que tornou o banqueiro prisioneiro, o [Daniel] Vorcaro. Vamos à urna amanhã com muita tranquilidade, sabendo o que está em jogo. De um lado, a democracia e a soberania. Do outro lado, a barbárie e a corrupção”, afirmou.

Lula lotou a paulista – foto: Ricardo Stukert

 

6×1, bets e sistema financeiro

Lula lembrou que na próxima terça-feira, 6, o plenário do Senado discutirá o fim da escala 6×1, uma de suas principais bandeiras de campanha, e que Flávio Bolsonaro tenta impedir de avançar. Também defendeu sua decisão de acabar com as bets: “Ninguém vai ganhar dinheiro extorquindo o povo pobre desse país”.

Ele também retomou uma fala dita durante sua entrevista para o Flow Podcast na quinta-feira, 1º, na qual demonstrou preocupação com os juros abusivos dos bancos e o impacto disso nas famílias. A declaração foi deturpada pela extrema-direita, que sugeriu que Lula queria limitar o acesso das pessoas a cartões de crédito. “Os mentirosos ontem tentaram mentir a meu respeito. O que eu acho é que o cartão de crédito tem que ser distribuído com seriedade. Os bancos não podem ficar mandando para casa das pessoas sem elas pedirem”, explicou.

Para o próximo mandato, Lula prometeu mudanças no sistema financeiro e mais proteção aos cidadãos.

“Nós vamos no quarto mandato moralizar as coisas do sistema financeiro do Brasil. O sistema financeiro quer ganhar dinheiro, ganhe dinheiro investindo na produção, não extorquindo o povo brasileiro com taxa de juros impagáveis”.

 

 

Aos 80, um menino de 15

O presidente afirmou que, apesar dos 80 anos, se sente “um menino de 15 com bastante força” e disse que o que “caduca” as pessoas é a falta de causa. Ele voltou a pedir que as pessoas com mais de 70 anos não deixem de votar “pelos seus filhos, netos e bisnetos”.

“A minha causa é o povo brasileiro, a educação e a soberania deste país”, declarou. “Enquanto o Lulinha tiver perna, eu vou andar pela minha perna! Mas quando eu não tiver mais, eu vou andar pela perna de vocês! E quando eu não puder falar, […] eu falarei pela voz de vocês! Eu vou pensar pela minha cabeça, mas quando a minha cabeça não pensar mais, eu pensarei pela cabeça de vocês! Eu vou lutar com as minhas forças, mas quando eu não tiver as minhas forças, eu lutarei pela força de vocês e do povo brasileiro que vai derrotar a extrema-direita, os fascistas e os negacionistas!”

Foto: Ricardo Stuckert