O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiou publicamente o Partido Liberal (PL) nesta terça-feira (6) a posicionar sua bancada em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que propõe o fim da jornada de trabalho de 6×1. Durante declaração à imprensa, o chefe do Executivo afirmou que a sociedade brasileira saberá “quem é quem na política” a partir da tramitação da medida no Senado.
Segundo o presidente, a pauta representa um desejo profundo da sociedade e busca “dar civilidade ao mundo do trabalho e à jornada”, criando condições para que as famílias vivam com mais tranquilidade e possam descansar e cuidar de seus entes queridos. Lula destacou que o Senado deve repetir o movimento da Câmara e cobrou uma tomada de posição clara da legenda oposicionista.
“O meu adversário vai ter que tomar uma decisão, se vai mandar a bancada do partido dele votar favorável ao fim da jornada de trabalho de 6×1. Na hora que o Senado começar a votar, as máscaras vão começar a cair. A gente vai ver quem efetivamente quer que o povo tenha uma vida digna, que descanse mais, que possa cuidar mais da família”, disse Lula.
Lula refere-se ao candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), que já criticou publicamente o fim da escala 6×1 e defendeu uma proposta apresentada por um colega de partido, o senador Rogério Marinho (PL-RN). Apelidado por seus defensores de “PEC do horário flexível”, o texto estabelece que o trabalhador negocie diretamente com o empregador seu horário.
Para Lula, o momento legislativo serve como um teste definitivo de coerência política: “A partir da votação de hoje, a sociedade brasileira vai começar a conhecer quem é quem na política desse país. Todo mundo tem tempo de dizer o que quiser, mas tem um momento em que a pessoa tem que provar o que está falando. E o fim da escala 6×1 é um primeiro teste para que o [partido] PL diga o que quer desse país”, desafiou.

Alcolumbre pautou votação para a próxima semana
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, marcou para esta terça-feira o início da discussão da matéria no Senado e prometeu para a próxima semana a votação.
Numa sessão semipresencial, sem vozes contrárias ao tema, o Senado Federal começou, nesta terça-feira (6), as discussões para o fim da escala 6×1. Antes de participar do plenário, o presidente da casa, Davi Alcolumbre, disse que a votação em primeiro turno pode acontecer ainda na semana que vem.
“Caso todos nós pudermos concluir as cinco sessões, vamos, na semana que vem, do ponto de vista regimental, colocar para sua deliberação em primeiro turno. Aí, nesse momento adequado, cada senador e cada senadora desta legislatura terá o livre-arbítrio de votar com seu coração, com sua consciência e com a sua convicção, se acha razoável nós diminuirmos a escala de trabalho de quase 40 milhões de brasileiros”, disse o presidente do Senado.
Alcolumbre tem repetido que vai “cumprir integralmente o rito constitucional”, o que significa que serão cinco sessões de debates no Plenário antes da votação. Para esta semana foram marcadas três reuniões, de terça a quinta. Com mais duas sessões na próxima, é possível iniciar a votação.
Ao todo, 69 senadores participaram, online ou presencialmente, da reunião desta terça. Falaram os senadores Paulo Paim (PT-RS), Rondolfe Rodrigues (PT-AP), Zenaide Maia (PSB-RN), Humberto Costa (PT-PE), Renan Filho (MDB-AL) e Dra. Eudócia (PSDB-AL), todos manifestaram-se a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221). Renan Filho fez questão de destacar a ausência de discursos contrários e criticou os faltosos.