O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a desafiar Flávio Bolsonaro (PL) a autorizar a quebra de seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. A declaração foi feita durante uma sabatina promovida pelo SBT nesta segunda-feira (19). Lula elevou o tom contra o adversário e afirmou estar cansado de ver acusações de corrupção dominarem as campanhas eleitorais sem que, segundo ele, os fatos sejam devidamente investigados após as eleições.
O presidente também acusou Flávio Bolsonaro de mentir sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e voltou a cobrar esclarecimentos sobre os vínculos entre os dois.
“Vamos quebrar os sigilos bancário, civil e jurídico. Vamos quebrar o sigilo telefônico. Eu tô cansado, nesse país, de falar em corrupção e terminam as eleições e nada é apurado. Mas agora estou desafiando meu adversário: você, que é um miliciano, você, que está provado, sabe, a quantidade de mentira, porque só no caso Vorcaro você mentiu 43 vezes dizendo que não conhecia o Vorcaro e aí aparece numa foto comendo churrasco com ele, você no avião dele.”
Na sequência, Lula afirmou que ele e seus familiares estão preparando uma autorização para permitir o acesso aos próprios dados e que o documento será encaminhado às autoridades competentes.
Segundo o presidente, a iniciativa pretende esclarecer as acusações de corrupção e permitir que a sociedade brasileira conheça os resultados das investigações.
“Vamos fazer a sociedade brasileira entender o que está acontecendo. Eu e minha família estamos preparando uma procuração para entregar ao Ministério Público, no Tribunal Superior Eleitoral e na Suprema Corte. Eu quero que você [Flávio Bolsonaro], da sua família, você, seus irmãos. Vamos deixar investigar para deixar saber onde é que está a corrupção nesse país.”
O presidente ressaltou que a mobilização popular ganhou força após a votação de 4 de outubro e que sua campanha está nos braços do povo.
“O povo está assumindo a responsabilidade da campanha, sobretudo porque o povo quer garantir a continuidade do processo democrático”, declarou.
Fim da escala 6×1
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (19), em entrevista ao SBT, que duvida que o Congresso Nacional eleito em outubro reverta o fim da escala 6×1. “O fim da escala 6×1 foi uma conquista do povo brasileiro”, disse. “Não é uma coisa do Lula, não é uma coisa do governo.”
Lula também relatou que, na Constituinte de 1946, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) se opôs a que os trabalhadores tivessem mais de dez dias de férias, sob o argumento de que o descanso levaria ao ócio e à bebida.
“Eles querem dez dias para ir para Paris e, no caso do povo pobre, eles acham que vai beber”, ironizou.
Segundo o presidente, a escala atual pesa especialmente sobre as mulheres. “O dia em que ela fica em casa é o dia em que ela mais trabalha, porque ela tem que limpar a casa da semana inteira”, disse.
Negociação por categoria
Sobre possíveis medidas para os setores empresariais, mencionadas por ele na cerimônia de promulgação, Lula afirmou que a emenda define o básico e que as especificidades de cada categoria, como hospitais e fábricas com turnos diferenciados, poderão ser negociadas.
“Não é uma lei marcial”, disse. “Você vai negociar aquilo que for necessário negociar, para facilitar a vida dos trabalhadores e facilitar a continuidade e sobrevivência dos empresários.”
O presidente lembrou que a redução da jornada é uma bandeira histórica do movimento sindical. “Nós brigamos pela redução da jornada de trabalho desde 1980, quando eu era presidente do sindicato dos metalúrgicos”, afirmou. Segundo ele, categorias mais organizadas já conquistaram a escala 5×2, e a emenda estende o direito a todos.
O Senado aprovou a PEC em dois turnos na quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). A emenda foi promulgada na sexta-feira (16), em sessão solene com a presença de Lula. O texto garante dois dias de repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, sem redução salarial, e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais de forma gradual. Dois meses após a promulgação, o limite cai para 42 horas, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. Doze meses depois, cai para 40 horas.
Transporte gratuíto aos fins de semana
Na entrevista, Lula ainda reafirmou que vai enviar ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir transporte gratuito nas cidades que têm transporte coletivo, para que a população possa aproveitar os dois dias de folga. O presidente havia anunciado a proposta na quinta-feira (15), em vídeo nas redes sociais. “Não adianta você dar dois dias para descansar e não ter dinheiro para sequer ir visitar um parente”, afirmou.
Segundo o presidente, os recursos sairão das emendas parlamentares. Ele admitiu que a proposta deve gerar atrito com deputados e senadores, mas minimizou a resistência. “É uma briguinha com o Congresso Nacional. Mas isso é parte da democracia”, disse. “Todo deputado vai querer fazer uma concessão das suas emendas para beneficiar os seus eleitores.”
A entrevista foi exibida durante o SBT Brasil, a seis dias do segundo turno, em que Lula disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A emissora cancelou o debate previsto para esta etapa da campanha e decidiu fazer sabatinas individuais com os candidatos. Flávio Bolsonaro foi convidado para quarta-feira (21), mas, segundo o SBT, ainda não havia confirmado presença.
Com BdF e Fórum