Empresária diz que a despesa financeira subiu para 32% pra maioria das empresas. “Ninguém aguenta isso”, disse olhando no olho do presidente do Banco Central
A presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, Luiza Trajano, foi incisiva com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ao pedir uma sinalização do dirigente sobre um corte imediato da taxa de juros, que hoje é a maior do mundo: 13,75%.
Ao pedir a palavra durante um evento do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), ela disse que já ligou para ele “mais de 20 vezes” recentemente e que havia mandado muitos recados sobre a necessidade de a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, ser reduzida. Ela disse que participou de eventos na Europa e na América Latina neste ano, e em todo o mundo os juros no Brasil são criticados.
Por mais de uma vez, a empresária pediu “um sinal” a ele sobre a redução da taxa básica e declarou que o brasileiro já teve muito “remédio amargo” e que é preciso olhar para as pequenas e médias empresas.
“A despesa financeira subiu para 32% para qualquer um de nós aqui. Ninguém aguenta isso”, disse. “Por favor, dá um sinal de abaixar esses juros. Não está mais aguentando a pequena e média empresa”, completou.
Campos Neto disse que não poderia dar certeza sobre o movimento do juro porque ele é apenas um num total de nove votos no Copom (Comitê de Política Monetária). Luiza insistiu e acrescentou: “Baixa os juros, mas não é 0,25 (ponto porcentual), não, que é muito pouco”.
Na sequência, o anfitrião disse que precisava encerrar o evento porque já havia recebido sinais da assessoria de Campos Neto sobre outra agenda dele ainda hoje.
“Na hora que aperta, a assessoria manda recado”, disse a empresária fora dos microfones, mas ainda podendo ser ouvida. Ela prometeu ligar para ele mais 20 ou 30 vezes se for necessário. E cobrou a sinalização feita por Campos Neto, que não a deu.
A próxima reunião do Copom está marcada para os próximos dias 20 e 21 de junho, e não há qualquer sinal de que Campos Neto vá reduzir a taxa Selic, em 13,75% desde agosto do ano passado. Com a inflação caindo e economistas já falando em deflação neste mês de junho, o que continua aumentando são os juros reais, os maiores do mundo.
A cobrança pela redução dos juros foi geral entre os empresários que participaram do evento.
Com os brasileiros pagando a maior taxa de juros reais do mundo, reprimindo a demanda de bens e serviços no país, o comércio nacional apenas avançou 0,3% nos primeiros três meses de 2023 em relação ao trimestre anterior, segundo o resultado do PIB do 1º tri 2023, apurado pelo IBGE. Na mesma base de comparação, a indústria recuou -0,1%, com destaque para a queda de -0,6% na Indústria de Transformação e de 0,8% na de Construção. Já os serviços, cujos números do comércio estão inclusos no cálculo, cresceram apenas 0,6%.
Com informações do jornal Hora do Povo e agências