Em pronunciamento na Tribuna da Câmara de Goiânia, na sessão desta quarta-feira (29), o vereador Leandro Sena (PMB) criticou o presidente da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), Alisson Borges, bem como a diretoria da empresa. Sena acusou Borges e diretores de praticarem perseguição política contra o irmão do vereador, motorista na Comurg há mais de dez anos. “Eles estão proibindo meu irmão de tirar licença particular. Com isso, o prejudicam, afetando seus direitos trabalhistas. Isso é covardia. Estão agindo assim por causa da minha atuação na CEI da Comurg”, desabafou.
Leandro Sena disse ainda que irá encaminhar as denúncias ao presidente da CEI, vereador Ronilson Reis (PMB), ao Ministério Público e à Polícia Federal. “Aquela empresa não paga direitos de INSS e de FGTS, recolhidos pela Prefeitura, mas não pagos pela Comurg. Diante desses absurdos, o prefeito Rogério Cruz tem obrigação de demitir o presidente, Alisson Borges, e toda a diretoria. Cabe ao vereador fiscalizar e legislar. Não só eu, mas outros colegas, nesta Casa, vêm sofrendo perseguições do Paço”, afirmou.
Repercussão
Welton Lemos (Podemos) e Ronilson Reis (PMB) apoiaram Leandro Sena. Segundo eles, a CEI apura todas as denúncias envolvendo a Comurg. “Isso vem causando dores de cabeça ao presidente e aos diretores da empresa. Essa perseguição aos vereadores não será calada. Vamos agir de forma conjunta e exigir respeito aos parlamentares deste Poder. Essa covardia não será tolerada”, declarou Ronilson.
Por sua vez, ao falar sobre o assunto, o líder do prefeito na Câmara, Anselmo Pereira (MDB), disse que o pedido de afastamento do presidente e de diretores da Comurg “é um enorme desserviço à cidade e à empresa. Esse pedido do vereador Leandro Sena é um desserviço, inclusive, ao trabalho da CEI. Devemos agir com mais racionalidade e menos emoções”.
Ausência
Pelo segundo dia consecutivo, um depoente não comparece à Comissão Parlamentar de Inquérito (CEI) que investiga supostas irregularidades na gestão da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). Desta vez, a ausência – justificada à comissão – foi do gerente de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (Sedhs), Eduardo Gonçalves de Carvalho, que será novamente convocado, possivelmente para a próxima segunda-feira (3).
Conforme informou o vereador Ronilson Reis (PMB), presidente da CEI da Comurg, haverá reunião extraordinária nesta quinta-feira (30), a partir das 14 horas, para ouvir o gerente de Obras da companhia, Nilton César Pinto, cujo depoimento deveria ter ocorrido na terça-feira (28). Na ocasião, ele também justificou a ausência por meio de atestado médico. Já o gerente da Sedhs, Eduardo Carvalho, acumula o cargo de gestor, no Município, com a profissão de advogado, e apresentou, aos membros da CEI, documento comprovando a necessidade de sua presença, no mesmo horário da reunião, em audiência judicial agendada desde setembro do ano passado.
Novas convocações
Nos trabalhos desta quarta-feira (29), os membros da Comissão Especial de Inquérito da Câmara aprovaram novos requerimentos para oitivas. Os vereadores encaminharão convite à ex-secretária de Relações Institucionais da Prefeitura de Goiânia – e hoje vereadora por Aparecida -, Valéria Pettersen, com objetivo de obter esclarecimentos acerca de pagamentos antecipados à Comurg, mesmo sem a execução dos serviços. Também será convocado pela CEI o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg), Rubens José Fileti, que deverá explicar aos parlamentares – entre outras coisas – detalhes sobre aditivo de R$11,3 milhões a um contrato, de uma empresa da qual é proprietário, com a Comurg.
Além dos dois, outras sete pessoas serão intimadas: o secretário municipal de Finanças, Vinicius Henrique Pires; Gustavo Cruvinel, controlador Geral do Município, que foi diretor financeiro da Secretaria de Assuntos Institucionais durante a gestão de Valéria Pettersen; e, diretamente ligados à Companhia de Urbanização, Hendy Adriana Barbosa, presidente da Comissão Permanente de Licitação; Janaína Cavalcante Coltrin, lotada na Diretoria de Transporte; Márcio Antunes Porfírio, chefe de Assessoria Jurídica; e Ronaldo Macedo, diretor de Logística.
Pedidos de destaque
Os vereadores Henrique Alves (MDB) e Pedro Azulão Jr. (PSB) pediram destaque para o requerimento de convocação do presidente da Acieg, Rubens Fileti. Eles queriam analisar a proposta, de autoria de Ronilson Reis. Apesar das solicitações, os requerimentos foram aprovados por quatro votos a favor e três votos contra, resultando em um empate decidido pelo presidente da CEI.
Em sua justificativa para a convocação, Ronilson explicou que a Comissão vai investigar a DTEC Brasil, empresa terceirizada de Fileti, que é responsável pela atualização do Portal da Transparência da Comurg. A suspeita é de uma suposta omissão de informações referentes à folha de pagamento e contratações de comissionados. Segundo denúncia recebida pela CEI, a DTEC deixou de atualizar os dados desde outubro de 2022, o que teria ocorrido a pedido do presidente da companhia, Allyson Borges.
De acordo com o presidente da Comissão Especial de Inquérito, as denúncias recebidas apontam que Rubens José Fileti, representante da DTEC Brasil, teria vencido todas as licitações referentes ao sistema de folha de pagamento, implementação de software e parametrização de informações, desqualificando outros concorrentes, para fechar com a Comurg. As renovações de contrato também estão sob suspeita, pois pessoas que prestavam consultoria não permaneceriam na companhia, apesar de o contrato ser renovado para um serviço não prestado. Segundo Ronilson Reis, os contratos da empresa terceirizada com a Comurg ultrapassam R$ 20 milhões.