Em entrevista ao jornalista Ricardo Noblat, no Programa do Noblat, no nornal Metrópoles, o cientista político Antonio Lavareda afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “perdeu para a abstenção” no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.

Antônio Lavareda é insuspeito para fazer sua análise, pois tem perfil conservador e na maior parte de sua carreira fez trabalhos de marketing político para o PFL/Democratas, atual União Brasil.  Segundo ele, a liderança obtida pelo senador Flávio Bolsonaro (com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula) é uma “ilusão de ótica”. O especialista aponta que o candidato do PL não teve um crescimento expressivo real, mantendo-se na faixa de 35% do eleitorado total, enquanto Lula recuou cerca de cinco pontos percentuais diretamente devido ao não comparecimento de seus eleitores às urnas.

 

Abstenção derrotou Cristovam Buarque

A alta abstenção registrada no Plano Piloto, principal reduto eleitoral de Cristovam Buarque (PT) na época, é apontada historicamente como um dos fatores decisivos para a sua derrota contra Joaquim Roriz nas eleições para o governo do Distrito Federal em 1998.

A pesquisa Ibope dava Cristovam reeleito ao govenro do DF com 52% contra 48% de Roriz,, porém no segundo turno, o não comparecimento dos eleitores na região central de Brasília superou os índices do primeiro turno, o que acabou desidratando a votação de Cristovam justamente onde ele possuía maior força política. Acreditando que a eleição estava definida no 1º turno, milhares de eleitores petistas viajaram de deixaram de votar.  Joaquim Roriz investiu na mobilização massa de seus redutos tradicionais nas cidades-satélites (a exemplo de Samambaia), garantindo a virada e a vitória por uma margem de aproximadamente 35 mil votos

Lavareda aponta os caminhos para virada de Lula
Abaixo estão os principais pontos destacados pelo cientista político sobre o impacto da abstenção e o cenário para o segundo turno:

 Desmobilização e Ilusão de Ótica
• Perda de votos diretos: Antes da votação, as pesquisas indicavam Lula com cerca de 39% do eleitorado total, mas ele chegou às urnas com aproximadamente 34%. Essa diferença de cinco pontos migrou diretamente para o grupo dos que deixaram de votar.
• Perfil do eleitor ausente: A abstenção historicamente afeta mais a população de baixa renda e menor escolaridade, justamente a base que concentra grande parte das intenções de voto do petista. Diante disso, barreiras logísticas e o desânimo pesaram contra a candidatura governista.
• Fator histórico: O total de ausentes chegou a 21,08% (mais de 33,4 milhões de eleitores), configurando a maior taxa de abstenção em um primeiro turno de eleição geral desde 1998.

De acordo com os comentários de Lavareda no Programa do Noblat (Metrópoles) e ao Estadão, a campanha de Lula enfrenta três frentes altamente complexas se quiser buscar uma virada:
1. Combater a desmobilização: O principal foco precisa ser o resgate e o convencimento desses eleitores de baixa renda que se abstiveram no primeiro turno.
2. Disputar a terceira via: Atrair os votos das candidaturas eliminadas, embora Lavareda pondere que a maior parte desse grupo possui um perfil predominantemente conservador, tendendo a migrar de forma mais natural para Flávio Bolsonaro.
3. Mudar a narrativa: A oposição conseguiu dominar o discurso econômico e o sentimento de “mudança”. Para reverter o quadro favorável a Flávio Bolsonaro, o atual governo precisará focar na redução da rejeição e em propostas econômicas mais claras para o bolso do cidadão