Governadores de direita devem explicações aos contribuintes por investiram dinheiro público num banco falido
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, estima que as fraudes contra o sistema financeiro investigadas na Operação Compliance Zero podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. 

“Estamos fazendo uma operação importante, de forma conjunta com Banco Central e Coaf, para [investigar] um crime contra o sistema financeiro que leva à monta de cerca de R$ 12 bilhões.”
Os números, no entanto podem ser ainda maiores, considerando reportagens dos principais veículos do país que já apontam que governadores de direita, como Ibaneis Rocha (MDB) de Brasilia e Claudio de Castro (PL) do Rio de Janeiro, juntos, podem ter aportado cerca de R$ 18 bilhões no Master que foi liquidado pelo Banco Central. E, de acordo com o Ministério da Previdência, 18 fundos de pensão, incluindo o de Aparecida de Goiânia, também investiram recursos no Banco Master.
Confira:

Distrito Federal injetou R$ 16,7 bi no Master
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam denúncia de investimentos bilionários do Banco Regional de Brasília (BRB) no Banco Master. O governador do Distrito Federal terá que explicar por que permitiu que o BRB investisse R$ 16,1 bilhões num banco falido.
De acordo com matéria da TV Globo, postada pelo G1, o juiz Ricardo Leite pede ao Banco Central uma “investigação minuciosa e isenta para verificar a situação patrimonial real” do BRB (entenda abaixo). O documento cita a hipótese de que, para salvar o Banco Master de uma “crise de liquidez” (ou seja, da capacidade de pagar esses títulos no futuro), dirigentes do BRB teriam adotado “procedimentos escusos” e atuado com “pura camaradagem”, injetando dinheiro no Master.
Segundo o documento, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025. Desses, pelo menos R$ 12,2 bilhões envolvem operações em que há fortes indícios de fraude.
Para se ter ideia, ainda de acordo com o documento, o BRB só poderia “se expor” (ou seja, colocar ativos sob risco) em cerca de R$ 753 milhões com um único cliente.

Rio de Janeiro: Claudio Castro botou dinheiro dos servidores no Master
O Tribunal de Contas do Rio avisou o governador Cláudio Castro (L-RJ), há cerca de um mês Rio Previdência interrompesse investimentos nos fundos de investimento administrados pelo Banco Master.
Segundo a Corte de Contas, 25% do patrimônio do Rio Previdência (cerca de um bilhão de reais) foi aportado em fundos administrados pelo Banco Master. O órgão do governo do Rio é responsável pelo pagamento de aposentados e pensionistas. É o terceiro maior fundo de pensão do país, e gere um universo de 430 mil servidores, entre civis e militares.
De acordo com o site, Monitor Mercantil, O deputado estadual Luiz Paulo (PSD) foi o responsável pela denúncia junto ao TCE-RJ. Segundo o parlamentar, o rombo pode ficar entre R$ 980 milhões e R$ 2,6 bilhões e lembrou que Claudio Castro é o responsável por nomear o presidente e os diretores do Rio Previdência.

Tarcísio, Derrite e a PEC da Bandidagem 2
O governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos), deve explicar por que tirou Guilhere Derrite (PP) da Secretaria de Segurança Pública e o enviou para a Câmara Federal para fazer mudanças no PL Antifacção do governo federal Derrite tentou emparedar a Polícia e a Receita Federal justamente quando os dois órgãos fecharam o cerco a grupos na Faria Lima, a partir da Operação Carbono Oculto, que confirmou a ligação do crime organizado com bancos e fintechs no endereço financeiro mais famoso do país.
Fundos de pensão 18 cidades aplicaram no Banco Master
Em artigo no Monitor Mercanti, Hugo Garbe, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), ressalta que a liquidação extrajudicial do conglomerado de Daniel Vorcaro tem efeitos que ultrapassam o setor bancário. “Há uma exposição relevante de fundos de previdência a títulos emitidos pelo Banco Master, o que amplia o impacto da liquidação e evidencia o papel do efeito multiplicador na economia”, lembra.
“Diversos fundos de previdência de servidores estaduais e municipais investiram volumosamente em letras financeiras emitidas pelo Master, sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Juntos, esses fundos aplicaram aproximadamente R$ 1,7 bilhão nesses títulos” – número que pode ser tido como piso, não como teto.
Garbe cita, além do fundo dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, o de municípios como Cajamar (SP), São Roque (SP), Aparecida de Goiânia (GO), Araras (SP) e Santo Antônio de Posse (SP). Maceió (AL) também pode engrossar a lista.
Segundo apuração do G1 junto ao Ministério da Previdência Social mostram que 18 fundos de pensão estaduais e municipais têm R$ 1,86 bilhão aplicados em letras financeiras do banco Master, alvo de liquidação extrajudicial por parte do Banco Central nesta semana.
NOTA DE ESCLARECIMENTO DO APARECIDAPREV
A aplicação de R$ 40 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores de Aparecida (AparecidaPrev) em letras financeiras do Banco Master foi realizada pela administração do ex-prefeito Vilmar Mariano, em junho de 2024.
A instituição financeira foi apresentada ao instituto de previdência pelo ex-secretário da Fazenda de Aparecida, Einstein Paniago, que fazia parte do conselho de investimentos e presidiu o AparecidaPrev antes de virar secretário da Fazenda na administração de Vilmar Mariano.
Como a aplicação foi realizada em instituição financeira com nota inferior ao permitido pela política vigente do AparecidaPrev contrariando os critérios estabelecidos, assim que assumiu a gestão, em janeiro de 2025, a atual presidente do AparecidaPrev, Márcia Tinoco, notificou o Conselho Deliberativo da Previdência, e comunicou formalmente os órgãos de controle e apresentou denúncia ao Ministério Público e ao Ministério da Previdência, para que sejam apuradas as responsabilidades.
A aplicação por estar vinculada a prazo de longo período – 10 anos – , não pôde ser resgatada. Até outubro de 2025, a aplicação havia rendido R$ 7 milhões. Com a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, o AparecidaPrev vai se habilitar como credor para receber o que foi aplicado e os rendimentos.
A atual gestão do AparecidaPrev reforça que tem atuado com transparência e responsabilidade para proteger o patrimônio previdenciário dos servidores municipais, adotando todas as medidas cabíveis para resguardar os recursos do Regime Próprio de Previdência Social.
Diante do patrimônio atual do AparecidaPrev de cerca de R$ 1 bilhão nenhum aposentado ou pensionista do AparecidaPrev será prejudicado.
Confira a lista dos fundos de pensões que investiram no Banco Master:
- Estado do Amapá (AP): R$ 400 milhões
- Estado do Amazonas (AM): R$ 50 milhões
- Estado do Rio de Janeiro (RJ): R$ 970 milhões
- Município de Angélica (MS): R$ 2 milhões
- Município de Aparecida de Goiânia (GO): R$ 40 milhões
- Município de Araras (SP): R$ 29 milhões
- Município de Cajamar (SP): R$ 87 milhões
- Município de Campo Grande (MS): 1,2 milhão
- Município de Congonhas (MG): R$ 14 milhões
- Município de Fátima do Sul (MS): R$ 7 milhões
- Município de Itaguaí (RJ): R$ 59,6 milhões
- Município de Jateí (MS): R$ 2,5 milhões
- Município de Maceio (AL): R$ 97 milhões
- Município de Paulista (PE): R$ 3 milhões
- Município de Santa Rita D’oeste (SP): R$ 2 milhões
- Município de Santo Antônio de Posse (SP): R$ 7 milhões
- Município de São Gabriel do Oeste (MS): R$ 3 milhões
- Município de São Roque (SP): R$ 93,15 milhões