O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou, no início de junho, uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, onde pede para que o Brasil não fosse tachado, numa clara tentativa de retirar de si o apelido “Tariflávio”. O tiro, no entanto, saiu pela culatra.

Na resposta a Flávio o secretário de Estado, Marco Rubbio, reafirmou integralmente a posição da administração Trump favorável às tarifas contra o Brasil.

“O embaixador Jamieson Greer deixou claro que nós permanecemos com diferenças substanciais em relação à solução das irregularidades apontadas nesta investigação”, respondeu Rubio

O tarifaço estadunidense contra as exportações brasileiras, assim como a revogação de vistos de ministros do STF e do governo federal e a aplicação das sanções econômicas da Lei Magnitsky, foi estimulado pelo irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), na tentativa de evitar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo da trama golpista. Eduardo foi condenado pelo STF pelo crime de coação.

 

Desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos e perdeu o mandato de parlamentar por faltar às sessões da Câmara dos Deputados.

Em carta enviada na terça-feira (23), Rubio reafirmou a posição dos EUA sobre políticas que supostamente prejudicam a economia norte-americana, entre elas o Pix. Rubio respondeu a uma carta em que Flávio Bolsonaro, após as ações do irmão, pedia que os EUA não impusessem tarifas de 25% aos produtos brasileiros, como recomendou uma investigação comercial do país americano.

Na carta, Rubio, afirma que a investigação conduzida no país sobre práticas comerciais deixou “claro que continuamos a ter diferenças substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”.  O norte-americano disse que o Brasil “onera ou restringe” o comércio norte-americano. O documento, datado de 23 de junho, também trata das eleições brasileiras, da relação bilateral e do combate ao crime organizado.

Rubio cita as diferenças, como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, numa clara crítica ao PIX do Brasil, tarifas preferenciais injustas, aplicação da lei anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

“Qualquer parte interessada no Brasil pode participar do período de comentários públicos sobre a ação responsiva proposta e da audiência pública”, diz Rubio, em referência a uma audiência que vai acontecer no próximo dia 6 de julho.

Eleições brasileiras

Na carta, Rubio também falou sobre as eleições no Brasil. O secretário dos EUA afirmou que o país observa o “otimismo” de Flávio em relação às próximas eleições de outubro “e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição, caso você seja eleito”.

“Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar cooperativamente com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar uma estrutura de comércio e investimento ampla, justa e mutuamente benéfica”, diz Rubio. “Espero ansiosamente pela continuação do nosso diálogo e pelo aprofundamento da parceria estratégica entre nossas duas grandes nações”.

Leia a íntegra da carta

“Obrigado por sua carta e por sua recente visita a Washington.

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Compartilho sua convicção de que a amizade duradoura entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Aprecio profundamente seu apoio à nossa decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como terroristas globais especialmente designados e organizações terroristas estrangeiras, de acordo com a legislação dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas organizações ameaçam a segurança de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.

Ao atingir suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o povo americano do crime organizado transnacional.

Como o senhor observa, o representante comercial dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, anunciou, em 1º de junho de 2026, sua determinação de que certos atos, políticas e práticas do Brasil são irracionais ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos.

Ele propôs uma ação de resposta para consulta pública. Essa determinação e a ação de resposta proposta decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025 por determinação do presidente Trump.

O embaixador Greer deixou claro que continuamos a ter diferenças substanciais quanto à resolução das questões identificadas nessa investigação.

Essas questões dizem respeito ao comércio digital, aos serviços de pagamento eletrônico, às tarifas preferenciais consideradas injustas, à aplicação das normas anticorrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal.

Qualquer parte interessada no Brasil pode participar do período de consulta pública sobre a ação de resposta proposta e da audiência pública que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos realizará em 6 de julho de 2026.

O período de consulta pública permanece aberto até 1º de julho de 2026. Os pedidos para participação na audiência deveriam ter sido apresentados até 22 de junho de 2026.

Os Estados Unidos permanecem firmes em seu desejo de ver um Brasil próspero, seguro e economicamente estável.

Observamos seu otimismo em relação às próximas eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso o senhor seja eleito.

Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica para o comércio e os investimentos.

Aguardo a continuidade de nosso diálogo e o aprofundamento da parceria estratégica entre nossas duas grandes nações.

Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil.

Atenciosamente,

Marco Rubio.”