Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, manteve conversas com os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, seus colegas na Segunda Turma da corte, para defender a necessidade de o presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, assumir a relatoria dos processos que envolvem o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, informa Bela Megale, do jornal O Globo.

Gilmar Mendes argumentou que a Segunda Turma do STF — colegiado do qual também faz parte o ministro André Mendonça — não reúne as condições ideais para deliberar sobre as questões relacionadas à instituição financeira. O principal fundamento apresentado pelo decano reside na existência de ligações de familiares diretos dos ministros com o banco investigado, situação que comprometeria a imparcialidade das votações.

Entre os vínculos citados está o caso de Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, cuja consultoria recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master. No que tange à família do ministro Luiz Fux, seu filho, Rodrigo Fux, esteve presente em eventos organizados por Daniel Vorcaro.

A inviabilidade de atuação do colegiado se amplia pelo fato de outro integrante da Segunda Turma, o ministro Dias Toffoli, já ter deixado a relatoria das investigações do caso Master após se declarar suspeito, motivo pelo qual não participará de nenhuma deliberação sobre o assunto.

A apuração indica ainda que a proximidade entre os filhos de Nunes Marques e Fux com Vorcaro e o Banco Master pode ser utilizada por uma ala do tribunal, ligada ao ministro Alexandre de Moraes, no julgamento agendado para esta terça-feira (15). O objetivo da articulação é demonstrar formalmente a impossibilidade de atuação de ambos os magistrados no processo.

 

 

Filhos de Fux e Nunes receberam dinheiro do Banco Master

 

Mensagens obtidas a partir do celular de Daniel Vorcaro mostram supostas conversas em que o advogado Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques, teria recebido pagamentos de R$ 500 mil. Também é citada uma viagem feita pelo ministro no fim do ano passado em um voo pago por uma advogada que atua para o Master.

Em uma outra mensagem, o ministro Nunes Marques pede a um funcionário de Vorcaro que formate uma viagem de 10 dias, para 5 pessoas, com base em Viena ou Peru.

Noutra investigação a PF teve acesso a   entre o filho do ministro Luiz Fux, o advogado Rodrigo Fux, onde ele tratava o banqueiro Daniel Vorcaro como “irmão” e combinava reuniões e encontros. Em 17 de maio de 2024, Rodrigo Fux escreveu: ”Fala irmão. Tudo bem?”. Cerca de dez segundos depois, Vorcaro responde. “Fala amigo. Tudo certo?”.

Rodrigo Fux também teria articulado um encontro do ministro Luiz Fux em um evento em Londres, no Reino Unido, ligado a Vorcaro. As conversas mostram que Rodrigo Fux enviou, inclusive, o e-mail de uma secretária do ministro do Supremo ao ex-banqueiro.

Em uma das mensagens, Rodrigo Fux chama Vorcaro para uma visita ao seu escritório em Brasília e fala em recebê-lo com um “tapete vermelho”. O encontro, no entanto, acabou não acontecendo.

Leia abaixo a transcrição das mensagens enviadas em 4 de dezembro de 2024:

Rodrigo Fux: Fala, meu amigo. Tudo bem? Na segunda você estará em bsb?

Daniel Vorcaro: Fala amigo. Tudo e você? Estarei na quarta em bsb. Esta quinta estarei no Rio.

Rodrigo Fux: Vamos tomar um café no escritório na quinta? 17hs funciona para você?

Daniel Vorcaro: Puxa, eu tenho que ir embora às 16h para São Paulo.

Rodrigo Fux: Deixa eu ver. Beleza, vou remarcar aqui para te atender. 14hs, marcado.

Rodrigo Fux: Tapete vermelho, irmão.

Daniel Vorcaro: Valeu, irmão.

 

Com informações do LCL Notícias e CNN Brasil