Os grandes veículos de mídia brasileira fizeram levantamentos sobre a evolução patrimonial da família Bolsonaro. Reportagens dos jornais Folha de S. Paulo, O Globo, revista Veja, BBC Brasil e UOL, trataram deste assunto. O resultado é que os três políticos da família (Jair, Eduardo e Flávio) tiveram uma evolução patrimonial elevada no período de 2006 a 2018. Segundoa declaração de bens apresentada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Jair Bolsonaro ampliou os bens em 168% desde 2006; Eduardo, 432% desde 2014, e Flávio, 397% desde 2010.
A matéria do jornal o Globo, de 14/05/2019, informa que “o patrimônio que o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) declarou à Justiça Eleitoral cresceu 397,1% entre 2006 e 2018, intervalo de 12 anos em que o filho do presidente Jair Bolsonaro exerceu três de seus quatro mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Reeleito pela primeira vez em 2006, quando tinha R$ 385 mil em bens, o parlamentar é hoje dono de um patrimônio de R$ 1,74 milhão”.

No fim de abril, o sigilo bancário de Flávio foi quebrado junto de familiares, de empresários com quem realizou transações imobiliárias e de Fabrício Queiroz, que foi seu motorista enquanto deputado estadual do Rio de Janeiro e estaria envolvido no esquema da “rachadinha”, expressão que indica a prática de peculato, onde o parlamentar sequestra a maior parte dos salários dos funcionários de gabinete para si.
As suspeitas sobre as finanças do senador vêm desde o 2018 quando o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações atípicas na conta dele. A revista Veja fez uma matéria específica sobre esta quebra de sigilo.

A matéria da Veja foi publicada em 30 de janeiro de 2019 com o título: “Exclusivo – A lambança do Zero Um”, ressalta que “Relatório oficial levanta suspeita sobre a movimentação bancária de Flávio Bolsonaro”.
A Veja destrincha os bens declarados por Flávio Bolsonaro à Justiça Eleitoral e o relatório do Coaf, que registrou de junho a julho de 2017, “48 depósitos de 2 mil reais cada um, numa conta bancária de Flávio Bolsonaro, todos eles feitos em caixa eletrônico da Alerj”. A revista ironiza: “como diria Sérgio Moro (ex-ministro da Justiça demitido por Jair Bolsonaro), depósitos fracionados geralmente têm o objetivo de impedir a identificação da origem dos valores”.
Ainda segundo a edição 2619 de Veja , de 30 de janeiro de 2019, as investigações do Coaf mostraram que “a carteira imobiliária do senador eleito é incompatível com a sua renda de parlamentar”.

Numa outra matéria, publicada em 15 de maio de 2019, a revista Veja aponta que “Flávio comprou 19 imóveis por R$ 9 mis”, diz MP ao pedir quebra de sigilo. A reportagem informa que “na solicitação, procuradores apontaram que as operações contêm indícios de lavagem de dinheiro; lucro dos bens foi maior que rendimentos como deputado”.
“Segundo os promotores, entre 2010 e 2017, o então deputado estadual lucrou 3,089 milhões de reais em transações imobiliárias em que há “suspeitas de subfaturamento nas compras e superfaturamento nas vendas”, retrata a matéria.

Em entrevista ao ICL Notícias em 8 de abril de 2026, o presidente Lula (PT) declarou que salários de deputados, governadores e do próprio presidente não enriquecem ninguém. Ele afirmou que, se alguém ficou rico no cargo, foi porque “teve outras coisas para ficar rico”, sugerindo que o enriquecimento ilícito é a causa.

Mansão, BRB e Banco Master
A queda de Paulo Henrique Costa da presidência do Banco de Brasília (BRB), em novembro de 2025, encerrou um dos ciclos mais controversos da instituição. Indicado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) em 2019, Costa atravessou o governo de Jair Bolsonaro como um aliado estratégico, mas sucumbiu à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Investigado por fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, o ex-executivo deixa um rastro de prejuízos ao erário e a digital no financiamento que permitiu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, adquirir uma mansão cinematográfica na capital federal.
Agora me digam… como é que o Flávio Bolsonaro conseguiu quitar essa mansão de forma antecipada com os rendimentos de parlamentar? pic.twitter.com/iXOyGFHSsD
— João Figueiredo (@joaofig) April 1, 2026
Taxas de ocasião para o ‘filho 01’
Em 2021, o BRB liberou R$ 3,1 milhões para que Flávio Bolsonaro comprasse um imóvel de R$ 5,97 milhões no luxuoso Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul. A mansão, de 2.400 m² foi financiada e, 360 meses, com taxas nominais entre 3,65% e 3,71% ao ano (mais IPCA) — valores que, na época, eram impraticáveis para o cidadão comum sem conexões políticas. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) chegou a apurar suposta omissão de dados na escritura da mansão, investigando subavaliação do imóvel, que a preços de mercado poderia valer cerca do dobro do valor, R$ 12 milhões.
Embora o banco tenha classificado a operação como “taxa de mercado”, o financiamento exigiu o aval direto da diretoria colegiada presidida por Costa. Apadrinhado por Ibaneis Rocha, Costa chegou a ser cogitado para a vice-presidência do Banco do Brasil — ideia abortada para evitar que o escândalo da mansão respingasse na vitrine do governo federal.
Simulação de crédito no site do BRB realizada pela BBC News Brasil com os mesmos valores da operação de Flávio Bolsonaro e correção pelo IPCA indica que seria preciso uma renda líquida de ao menos R$ 46.436,18 para conseguir o financiamento, com a parcela inicial de R$ 18.574,47. Como senador, Flávio tem salário bruto de R$ de R$ 33.763,00. Já a renda líquida é de R$ 24,9 mil.

Quitação antecipada em seis parcelas de grande valor
Em julho de 2024, após o STF consolidar as decisões que anularam as provas do caso das rachadinhas por questões processuais (o que não significa inocência, mas incapacidade técnica de usar os dados bancários), Flávio Bolsonaro quitou o saldo devedor da mansão de forma fulminante. A quitação de R$ 3,4 milhões foi realizada através de seis pagamentos extras atípicos. Os valores individuais das parcelas espantam pela magnitude: R$ 198.150; R$ 355.000; R$ 420.000; R$ 680.000; R$ 750.000 e um último aporte de R$ 997.000. O senador alega que os valores vieram de sua antiga franquia de chocolates e de seu salário, mas a robustez desses depósitos em um curto intervalo de tempo ainda carece de esclarecimento.
O áudio do Queiroz admitindo que HAVIAM SIM RACHADINHAS NO GABINETE DE FLÁVIO BOLSONARO volta a circular nas redes.
O Brasil não pode se esquecer quem é o BOLSONARINHO, o Rei das Rachadas e Brother das Milícias.
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É o futuro do país que está em jogo! pic.twitter.com/uCqtsDzUz4— Vanessa Couto (@nessacouttto) April 23, 2026
Queiroz e as ‘rachadinhas’
A suposta origem dos recursos para a manutenção desse patrimônio remete ao papel de Fabrício Queiroz. Policial militar reformado e amigo de Jair Bolsonaro desde a década de 1980, quando serviram juntos na Vila Militar, Queiroz tornou-se o braço direito da família. O ex-assessor é apontado pelo Ministério Público como o “operador financeiro” de um esquema de peculato (a rachadinha) no antigo gabinete de Flávio na Alerj. Queiroz coordenava a coleta de salários de assessores e gerava um fluxo de dinheiro vivo que, segundo os promotores, servia para pagar despesas pessoais da família e irrigar transações imobiliárias.
Segundo as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro, o esquema funcionava através de um ciclo de valorização artificial: Flávio adquiria imóveis por valores subfaturados na escritura, pagando a “diferença” por fora com o dinheiro vivo arrecadado por Queiroz, para depois revendê-los pelo preço real de mercado. Os investigadores acreditam que essa manobra permitiu que, entre 2010 e 2017, o senador registrasse um lucro oficial de cerca de R$ 3 milhões em 19 salas e apartamentos, “limpando” o dinheiro da rachadinha dos funcionários da Alerj sob a aparência de ganho imobiliário. Atualmente, Queiroz ocupa o cargo de subsecretário de Segurança e Ordem Pública em Saquarema (RJ), nomeado em janeiro de 2025 pela prefeita Lucimar Vidal (PL), mantendo-se abrigado em uma prefeitura controlada pelo partido do clã.
Com informações do UOL, Folha, BBC Brasil, Veja, O Globo