Decano do jornalismo explica a estratégia do presidente em manter o discurso anti-vacina

confira o artigo:

Bolsonaro quer manter núcleo, mesmo pequeno, de irracionais

A pesquisa do PoderData sobre o apoio dos brasileiros à vacinação de crianças contra a Covid não podia ilustrar melhor a estratégia política de Jair Bolsonaro para a eleição de outubro.

Os 71% que se opõem à insanidade de negar vacina à infância mão têm, para ele, muita importância.

Contam, sim, os 19% contrários e a parte dos 10% que, pela onda de desinformação que ele levantou, está com dúvidas sobre a segurança do imunizante.

É com estes, que ficam perto de um quarto da população, com que conta se garantir no 2° turno e, nele, jogar com a ideia de uma suposta “ameaça comunista” para reverter a desvantagem imensa ou, quem sabe, partir para episódios como o do Capitólio norte-americano, que ontem completou um ano de vergonha.

Bolsonaro não pode ser interpretado com a lógica, que faria com que qualquer candidato queira atrair a simpatia da maioria dos eleitores.

Seus planos não são estes, mas os de criar e promover um “inimigo” que o torne “preferível” ao monstro que faz desenhar.

Deus, Pátria e Família, para ele, são palavras desprovidas de significado, mas não de utilidade, como se o seu adversário fosse a antítese destes valores.

Quem colabora nesta fabulação diabólica é, querendo ou não, cúmplice de Bolsonaro e a população, na sua simplicidade lúcida, já percebeu e não os cria.

Não é “nem Lula, nem Bolsonaro”; é “ou Lula, ou Bolsonaro”, está mais que claro.