Preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (16), o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa é suspeito de ter recebido pelo menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Daniel Vorcaro, em troca de facilitar o esquema de compra de títulos do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília.
Mas há outra operação suspeita envolvendo Paulo Henrique Costa: Em 2021, o BRB liberou R$ 3,1 milhões para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)comprasse um imóvel de R$ 5,97 milhões no luxuoso Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul. A mansão, de 2.400 m², foi financiada com taxas nominais entre 3,65% e 3,71% ao ano (mais IPCA) — valores que, na época, eram impraticáveis para o cidadão comum sem conexões políticas. O caso foi parar na Justiça do Distrito Federal após a deputada Erika Kokay (PT) apontar que a renda de Flávio e da esposa era inferior ao valor exigido para obtenção do financiamento milionário. O casal recebia R$ 36,9 mil, mas a renda deveria ser de pelo menos R$ 46,8 mil, segundo simulador do próprio BRB.
Embora o banco tenha classificado a operação como “taxa de mercado”, o financiamento exigiu o aval direto da diretoria colegiada presidida por Costa.

Quitação antecipada em 6 parcelas
Em julho de 2024, após o STF consolidar as decisões que anularam as provas do caso das rachadinhas por questões processuais (o que não significa inocência, mas incapacidade técnica de usar os dados bancários), Flávio Bolsonaro quitou o saldo devedor da mansão de forma fulminante. A quitação de R$ 3,4 milhões, que era prevista para ser feita em 360 parcelas, foi realizada através de seis pagamentos extras atípicos. Os valores individuais das parcelas espantam pela magnitude: R$ 198.150; R$ 355.000; R$ 420.000; R$ 680.000; R$ 750.000 e um último aporte de R$ 997.000. O senador alega que os valores vieram de sua antiga franquia de chocolates e de seu salário, mas a robustez desses depósitos em um curto intervalo de tempo ainda carece de esclarecimento.
Operação
A Operação Compliance Zero teve início em novembro do ano passado. Já em sua primeira fase, efetuou a primeira prisão de Daniel Vorcaro, que acabou sendo solto dias depois por conta de um habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O banqueiro foi novamente preso em março e hoje está na Superintendência da Polícia Federal.
O esquema tem demonstrado uma ampla teia de interesses e ligações entre setores políticos e o banqueiro, sobretudo, de nomes da direita e da extrema direita bolsonarista.