Na última segunda-feira (5), estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) saíram às ruas após assembleia geral na universidade, um dia depois do primeiro turno da eleição presidencial, em uma manifestação de apoio à reeleição de Lula e contra Flávio Bolsonaro (PL). Alunos do curso de Direito da Universidade Federal Fluminense convocaram uma reunião para discutir as ações do segundo turno e o apoio foi tão grande que se transformou em uma manifestação.
Essa manifestação também foi uma reação ao avanço do bolsonarismo, que, quando esteve no governo, cortou verbas públicas e sufocou as universidades federais. Com faixas e cartazes, os estudantes repetiam coros contra a anistia de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos, que Flávio já anunciou que será seu primeiro ato de governo.
A mobilização nasceu dentro da própria universidade, puxada por entidades estudantis, como o Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV), da Faculdade de Direito da UFF.
“O abalo e o espanto com o resultado de domingo precisam se transformar em movimento”, dizia a convocação divulgada pelo CAEV, que marcou a concentração para as 19h desta segunda-feira. Com faixas, cartazes e palavras de ordem, os estudantes percorreram diferentes pontos de Niterói. A manifestação passou pelo Gragoatá, pelo Ingá, onde fica a Faculdade de Direito da UFF, e seguiu por Icaraí.
A UFF é reconhecidamente uma das maiores universidades do país: tem cerca de 50 mil alunos e campus em Niterói e no Norte Fluminense, e recebe estudantes de todo Brasil e do exterior.
Manifestações em todo país
Depois da manifestação de estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) estudantes de universidades de diferentes estados passaram a convocar assembleias, plenárias e atos para organizar a mobilização no segundo turno.
As agendas aparecem no Rio Grande do Sul, Bahia, Sergipe, Pará, Minas Gerais, Distrito Federal, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro e Maranhão. Cartazes divulgados por entidades estudantis mostram iniciativas organizadas nos próprios campi, num movimento que reforça o caráter orgânico da reação iniciada após o resultado do primeiro turno.
“O levante estudantil apenas começou. Vamos pra cima resistir e vencer as eleições”, escreveu Vinicius Soares, diretor da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), ao divulgar uma relação de atividades previstas para os próximos dias.

Em Maringá, estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM) convocaram para esta terça-feira (6) uma reunião geral do movimento estudantil. O material afirma que, diante do cenário do segundo turno, são necessárias “ações concretas” para impedir que Flávio Bolsonaro chegue à presidência.
Na Bahia, a UEFS marcou uma plenária da juventude para esta terça-feira, enquanto UFRB e UFBA também aparecem no calendário de mobilizações.
Há ainda atividades previstas na UFRGS, UFSM, Unisinos e FURG, no Rio Grande do Sul; UFS, em Sergipe; UFPA e UEPA, no Pará; UFMG e UFJF, em Minas Gerais; UnB e UDF, no Distrito Federal; campi da UFPE em Recife e Caruaru; e UTFPR, Unicentro, UEPG e UFPR, no Paraná.
No Rio de Janeiro, além da UFF, estudantes da UFRJ e da Unirio também marcaram encontros. No Maranhão, um calendário divulgado por estudantes prevê atividades na UFMA e UEMA, oficina de criação e colagem de lambes e um ato no Largo do Carmo sob a palavra de ordem: “Nem o pai, nem o filho. Bolsonaros nunca mais.”
Em Minas Gerais, um cartaz convoca estudantes para um ato público na Praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte, sob o chamado “Estudantes contra Flávio Bolsonaro”.
Disputa começa a voltar para as ruas
A movimentação ocorre num cenário eleitoral apertado. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de pouco mais de dois milhões de votos. Cerca de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas.
Para Lula, reverter essa vantagem passa por ampliar a mobilização, reduzir a abstenção e levar para a campanha setores que não se engajaram no primeiro turno.
É nesse contexto que a reação estudantil ganha significado. Uma assembleia isolada não altera uma eleição, mas a multiplicação de iniciativas locais, organizadas quase simultaneamente em diferentes regiões e com o mesmo sentido político, pode indicar o início de uma dinâmica nova no segundo turno.
Com HP e DCM