Estadão atira em Zé Dirceu e mostra o medo da direita contra a retomada da militância do ex-ministro

Estadão atira em Zé Dirceu e mostra o medo da direita contra a retomada da militância do ex-ministro

 

Marcus Vinícius de Faria Felipe

Na coluna “Nota e Informações” do último sábado (16/03), o Estadão fez um editorial contra o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, três dias após sua festa de aniversário no dia 13/03,  que reuniu as principais lideranças da República, numa residência no Lago Sul, em Brasília. Sob o título “A ressocialização do Zé”, o texto reconhece “José Dirceu, como “um dos líderes de facto do PT, segue sendo um dos mais argutos e lúcidos estrategistas políticos do partido”.

De fato, José Dirceu foi um dos responsáveis pela modernização da política de alianças do PT no período em que foi presidente da legenda (1995 a 2002). Com a ajuda do sindicalista Delúbio Soares, ele costurou a histórica chapa Lula-José Alencar, que garantiu a primeira vitória do Partido dos Trabalhadores na disputa pela presidência da República.

Mais à frente o texto do Estadão faz outra constatação:

“Que não aja ilusões. Dirceu está em franca campanha para voltar formalmente ao poder. Se Lula hoje, com um séquito de auxiliares que nem remotamente têm a história e a experiência política de seus primeiros assessores palacianos, já está inclinado a retomar políticas que, comprovadamente, quase levaram o Brasil à ruína no passado recente, tanto pior será com alguém muito mais inteligente e capaz, como Dirceu, a seu lado nessa empreitada rumo ao passado”.

De que política de atraso versa o Estadão? O combate à fome e as desigualdades sociais? A retomada de um projeto de política econômica e de uma política internacional independente e soberana?

Geopolítica e multilateralismo

No seu discurso, durante o evento, José Dirceu falou sobre a necessidade de o Brasil fortalecer a sua soberania. Ele defendeu sobre a necessidade de abrir novos diálogos com a elite industrial e agrícola, tendo como objetivo posicionar o país na nova geopolítica mundial, neste momento em que o Brasil está à frente do G-20 e é um dos líderes do BRIC´s, situações que abrem oportunidades únicas para a economia brasileira.

O Estadão no entanto, não entende o novo mundo multipolar, onde o BRIC´s ampliado já corresponde a um PIB maior do que todos os países do G-20.

Dirceu elogiou o presidente Lula em seu discurso, e salientou da necessidade de fortalecer o seu governo, com vistas a ampliá-lo com a reeleição em 2026, objetivando um projeto de desenvolvimento nacional de médio prazo. Esta fala também desagradou o Estadão, que voltou à carga:

“Dirceu defendeu não só a reeleição de Lula em 2026, como ainda mais um mandato petista, no mínimo, até 2034. “Nós (os petistas) não temos mais 30, 40 anos. Nós temos dez anos para fazer as mudanças”, disse o aniversariante. “Nós não chegamos ao governo com maioria no País. Nós chegamos ao governo pelas circunstâncias históricas do bolsonarismo,” apontou o Estadão.

Concluindo, o editorial o Estadão cravou:

“Para que não seja o País a sofrer com a ressaca, seria prudente que uma direita democrática e responsável se articulasse para enfrentar essa força retrógrada. Afinal, como o próprio Dirceu admitiu, caso a direita não tivesse sido sequestrada por um desqualificado como Bolsonaro, o PT jamais teria voltado ao poder”.

A leitura mais atenta do texto mostra que o Estadão, no afã de atacar José Dirceu, acabou fazendo um grande elogio ao ex-ministro ao reconhecer as suas qualidades.

Estadão e law fare

Dirceu está sendo inocentado dos processos que lhe foram imputados, assim como o ex-presidente Lula, José Genoíno, Delúbio Sores e outros, que foram perseguidos pelo law fare que contaminou parte do Judiciário do país no tempo em que o ex-juiz Sérgio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol, usavam a Operação Lava Jato para atacar os governos Lula e Dilma e levaram à quebra de parte da indústria brasileira.

É contra a herança da Lava Jato, que José Dirceu tem feito sua pregação política. Não custa lembrar que já ficou clara a interferência do Departamento de Estado dos Estados Unidos na Lava Jato, que foi usada como instrumento de desestabilização da economia e da política brasileiras.

A Operação Lavato, que foi defendida pelo Estadão, prometia combater a corrupção no setor de petróleo e gás, mas na verdade o objetivo era entregar a Petrobrás e as reservas do pré-sal aos fundos de investimentos norte-americanos, que durante o período de governo de Michel Temer e Jair Bolsonaro, desfrutaram das maiores taxas de dividendos do mundo. Daí a recente chiadeira contra a política do governo Lula de nacionalizar o preço dos combustíveis e reduzir a distribuição de lucros e dividendos para os acionistas dos fundos abutres.

Lava Jato desempregou 4,4 milhões e quebrou construtoras brasileiras

Segundo levantamentos do Dieese  e das universidades Federal do Rio de Janeiro (UFFRJ) e Universidade Estadual do Rio, custou muito caro à economia com a destruição de 4,44 milhões de empregos entre 2014 e 2017 e redução do Produto Interno Bruto (PIB) em 3,6% no mesmo período. De 2015 a 2018, as maiores construtoras brasileiras perderam 85% da receita.

O estudo da UFRJ e da Uerj estimou em R$ 142 bilhões as perdas nos setores de construção civil, indústria naval, engenharia pesada e indústria metalmecânica. Já segundo o Dieese, dos 4,44 milhões de postos de trabalho perdidos, 2,05 milhões ocorreram nos setores e nas cadeias produtivas diretamente afetadas pela Lava Jato. Os 2,39 milhões de empregos restantes foram destruídos em setores prejudicados pela queda da renda e do consumo, como comércio, transporte e alimentação.

José Dirceu incomoda o Estadão, e vai continuar incomodando. Políticos de sua extirpe são necessários e os incomodados que se cocem!